**A ORDEM DA ESTRELA NO ORIENTE**

**Biblioteca**

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**.it >4 ttoottt fltreeti Londres, tD.l. =**

**I**

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**CONDIÇÕES.**

**10/6 por ano, 3/6 por trimestre,**

**OU**

**2/6 por ano de taxa de reserva e**

**2d. por volume por quatorze dias.**

**22502832753**

**Digitalizado pelo Internet Archive em 2017 com financiamento da Wellcome Library**

**https://archive.org/details/b**

**O CAMINHO DA INICIAÇÃO**

**O CAMINHO DA INICIAÇÃO**

**OU**

**COMO ATINGIR O CONHECIMENTO DOS MUNDOS SUPERIORES**

**POR**

**RUDOLF STEINER, Ph.D.**

**COM UM PREFÁCIO DE**

**ANNIE BESANT**

**E ALGUMAS NOTAS BIOGRÁFICAS DO AUTOR POR**

**EDOUARD SCHURÉ**

**Segunda Impressão**

**LONDRES**

**SOCIEDADE EDITORA TEOSÓFICA**

**Impresso em Dezembro de 1908 1500 impressos em Maio de 19***

**BIBLIOTECA VILLCELH**

**Geral | Alocuções**

**NOTA DO TRADUTOR**

**Estando profundamente interessado no trabalho e nos ensinamentos do Dr. Steiner, e desejoso de compartilhar com meus amigos de língua inglesa os muitos vislumbres inestimáveis da Verdade que neles se encontram, decidi-me pela tradução do presente volume.**

**É devido à gentil cooperação de vários amigos que preferem permanecer anônimos que esta tarefa foi realizada, e desejo expressar meus sinceros agradecimentos pela assistência literária por eles prestada — também agradecer ao Dr. Peipers, de Munique, pela permissão de reproduzir sua excelente fotografia do autor.**

**O valor especial deste volume consiste, creio eu, no fato de que nenhum conselho é dado e nenhuma afirmação é feita que não seja baseada na experiência pessoal do autor, que é, no mais verdadeiro sentido, tanto um místico quanto um ocultista.**

**Se o presente volume obtiver uma recepção que justifique uma nova empreitada, propomos traduzir e publicar durante o próximo ano uma nova série de artigos do Dr. Steiner em continuação ao mesmo assunto, e um terceiro volume consistirá nos artigos que ora aparecem nas páginas de O Teosofista, intitulados "A Educação das Crianças".**

**Belsize Lodge, Belsize Lane, Londres, N.W.,**

**3 de novembro de 1908.**

**MAX GYSI.**

**PREFÁCIO**

Estou muito feliz em recomendar esta valiosa pequena obra aos leitores de língua inglesa, tendo já circulado os artigos que a compõem nas páginas de *The Theosophist*.

As visões do Dr. Steiner, representando uma Teosofia Cristã profundamente mística, são de grande utilidade, suprindo um aspecto do pensamento teosófico que, de outra forma, poderia deixar de receber o devido reconhecimento.

Ele é o herdeiro natural dos grandes místicos alemães e acrescenta à sua profunda espiritualidade a fina lucidez de uma mente filosófica.

Sob sua orientação, a Teosofia Alemã está ocupando seu devido lugar no pensamento europeu e se tornando uma força real.

Se os leitores ingleses encontrarem aqui apresentações de grandes verdades que pareçam um tanto desconhecidas, que se lembrem de que nessa diferença reside seu valor específico, e que busquem obter novas visões da verdade estudando-a de outro ponto de vista.

Se lerem com simpatia, buscando compreender, em vez de no espírito de antagonismo, buscando criticar, encontrarão muitas joias de valor, muitas pérolas preciosas, entre os pensamentos aqui apresentados, e o diadema ornado de joias da Teosofia será mais rico por sua incrustação.

ANNIE BESANT,
Presidente da Sociedade Teosófica.

Adyar,
11 de setembro de 1908.

ÍNDICE

PÁGINA

A PERSONALIDADE DE RUDOLF STEINER E SEU DESENVOLVIMENTO .....

1. O MUNDO SUPERFÍSICO E SUA GNOSE

2. COMO ALCANÇAR O CONHECIMENTO DOS MUNDOS SUPERIORES .....

3. O CAMINHO DO DISCIPULADO ...

4. PROVAÇÃO .....

5. ILUMINAÇÃO .....

6. INICIAÇÃO .....

7. A EDUCAÇÃO SUPERIOR DA ALMA .

8. AS CONDIÇÕES DO DISCIPULADO .

A PERSONALIDADE DE RUDOLF STEINER E SEU DESENVOLVIMENTO

Por EDOUARD SCHURÉ *

Muitos dos homens mais cultos de nosso tempo têm uma ideia muito equivocada do que é um verdadeiro místico e um verdadeiro ocultista.

Eles conhecem essas duas formas de mentalidade humana apenas por seus tipos imperfeitos ou degenerados, dos quais os tempos recentes têm fornecido exemplos em demasia.

Para o homem intelectual da atualidade, o místico é uma espécie de tolo e visionário que toma suas fantasias por fatos; o ocultista é um sonhador ou um charlatão que abusa da credulidade pública para se vangloriar de uma ciência imaginária e de pretensos poderes.

Observe-se, para começar, que esta

* Traduzido com gentil permissão do autor, a partir da introdução de *Le Mystère Chrétien et les Mystères Antiques*.

Traduzido do alemão por Édouard Schuré, Librairie Académique, Perrin & Cia., 1908, Paris.

definição de misticismo, embora merecida por alguns, seria tão injusta quanto errônea se alguém buscasse aplicá-la a personalidades como Joaquim de Fiore, do século XIII, Jacob Boehme, do século XVI, ou São Martinho, chamado de "o filósofo desconhecido", do século XVIII.

Não menos injusta e falsa seria a definição corrente de ocultista se nela se visse a menor conexão com buscadores tão sinceros como Paracelso, Mesmer ou Fabre d'Olivet, no passado, e como William Crookes, de Rochat ou Camille Flammarion, no presente.

Pensemos o que quisermos desses ousados investigadores; é inegável que eles abriram regiões desconhecidas para a ciência e forneceram à mente novas ideias.

Não, essas definições fantasiosas podem, no máximo, satisfazer aquele diletantismo científico que esconde sua fraqueza sob uma máscara de arrogância para encobrir sua indolência, ou o ceticismo mundano que ridiculariza tudo o que ameaça perturbar sua indiferença.

Mas basta dessas opiniões superficiais.

Estudemos a história, os livros sagrados e profanos de todas as nações e os últimos resultados da ciência experimental; submetamos todos esses fatos a uma crítica imparcial, inferindo efeitos semelhantes de causas idênticas, e seremos forçados a dar uma definição bem outra do místico e do ocultista.

O verdadeiro místico é um homem que entra na posse plena de sua vida interior e que, tendo se tornado consciente de sua subconsciência, encontra nela, por meio de meditação concentrada e disciplina constante, novas faculdades e iluminação.

Essas novas faculdades e esse esclarecimento o instruem quanto à natureza mais íntima de sua alma e suas relações com esse elemento impalpável que subjaz a tudo, com essa realidade eterna e suprema que a religião chama de Deus, e a poesia, o Divino.

O ocultista, afim ao místico, mas dele diferindo como um irmão mais novo de um mais velho, é um homem dotado de intuição e de síntese, que busca penetrar as profundezas e os fundamentos ocultos da Natureza pelos métodos da ciência e da filosofia: isto é, pela observação e pela razão, métodos invariáveis em princípio, mas modificados na aplicação por serem adaptados aos reinos descendentes do Espírito ou aos reinos ascendentes da Natureza, segundo a vasta hierarquia dos seres e a alquimia do Verbo criador.

O místico, então, é aquele que busca a verdade e o divino diretamente dentro de si mesmo, por um gradual desapego e um verdadeiro nascimento de sua alma superior.

Se a alcança após prolongado esforço, ele mergulha em seu próprio centro incandescente.

Então ele se imerge e se identifica com esse oceano de vida que é a Força primordial.

O ocultista, por outro lado, descobre, estuda e contempla essa mesma efusão Divina, emitida em porções diversas, dotada de força, e multiplicada ao infinito na Natureza e na Humanidade.

Segundo o profundo ditado de Paracelso: ele vê em todos os seres as letras de um alfabeto, que, unidas no homem, formam o Verbo completo e consciente da vida.

As análises detalhadas que ele faz delas, as sínteses que com elas constrói, são para ele como tantas imagens e presságios desse Divino central, desse Sol de Beleza, de Verdade e de Vida, que ele não vê, mas que se reflete e irrompe em sua visão em inúmeros espelhos.

As armas do místico são a concentração e a visão interior; as armas do ocultista são a intuição e a síntese.

Cada um corresponde ao outro; eles se completam e se pressupõem mutuamente.

Esses dois tipos humanos se fundem no Adepto, no Iniciado superior.

Sem dúvida, um ou outro, e frequentemente ambos, são encontrados nos fundadores de grandes religiões e nas mais elevadas filosofias.

Sem dúvida, também são encontrados novamente, em um grau menor, mas ainda muito notável, entre um certo número de personagens que desempenharam um grande papel na história como reformadores, pensadores, poetas, artistas, estadistas.

Por que, então, esses dois tipos de mente, que representam as mais altas faculdades humanas e eram outrora objeto de veneração universal, geralmente nos parecem agora apenas deformados e travestidos? Por que foram obliterados? Por que caíram em tamanho descrédito?

Isso é o resultado de uma causa profunda existente em uma inevitável necessidade da evolução humana.

Durante os últimos dois mil anos, mas especialmente desde o século XVI, a humanidade realizou um trabalho tremendo, a saber, a conquista do globo e a constituição da ciência experimental, no que concerne ao mundo material e visível.

Para que essa tarefa gigantesca e hercúlea fosse realizada com sucesso, foi necessário que houvesse um eclipse temporário das faculdades transcendentais do homem, para que todo o seu poder de observação pudesse se concentrar no mundo exterior.

Essas faculdades, no entanto, nunca foram extintas ou mesmo inativas. Elas permaneceram adormecidas na massa dos homens; permaneceram ativas nos eleitos, longe do olhar dos vulgares.

Agora, elas se mostram abertamente sob novas formas. Em breve assumirão uma importância preponderante e diretora nos destinos humanos.

Acrescentaria que em nenhum período da história, seja entre as nações do antigo ciclo ariano, ou nas civilizações semíticas da Ásia e da África — seja no mundo greco-latino, ou na Idade Média e nos tempos modernos, essas faculdades régias, para as quais o positivismo substituiria sua triste nomenclatura, jamais cessaram de operar no início e no pano de fundo de todas as grandes criações humanas e de todo trabalho fecundo.

Pois como poderíamos imaginar um pensador, um poeta, um inventor, um herói, um mestre da ciência ou da arte, um gênio de qualquer espécie, sem um poderoso raio daquelas duas faculdades mestras que fazem o místico e o ocultista — a visão interior e a intuição soberana?

# * #

Rudolf Steiner é ao mesmo tempo um místico e um ocultista.

Essas duas naturezas aparecem nele em perfeita harmonia.

Não se poderia dizer qual das duas predomina sobre a outra.

Ao se interpenetrarem e se fundirem, tornaram-se uma força homogênea.

Daí um desenvolvimento especial no qual os acontecimentos exteriores desempenham apenas um papel secundário.

O Dr. Steiner nasceu na Alta Áustria em 1861. Seus primeiros anos foram passados numa pequena cidade situada às margens do Leytha, nas fronteiras da Estíria, dos Cárpatos e da Hungria.

Desde a infância, seu caráter era sério e concentrado.

Seguiu-se uma juventude interiormente iluminada pelas mais maravilhosas intuições, uma jovem maturidade enfrentando terríveis provações, e uma idade madura coroada por uma missão que ele havia vislumbrado vagamente desde seus primeiros anos, mas que só foi gradualmente formulada na luta pela verdade e pela vida.

Essa juventude, passada numa região montanhosa e isolada, foi feliz a seu modo, graças às faculdades excepcionais que ele descobriu em si mesmo.

Ele era empregado numa igreja católica como corista.

A poesia do culto, a profundidade do simbolismo, exerciam sobre ele uma atração misteriosa; mas, como possuía o dom inato de ver as almas, uma coisa o aterrorizava.

Era a descrença secreta dos padres, inteiramente absortos no ritual e na parte material do serviço.

Havia outra peculiaridade: ninguém, nem então nem depois, se permitia falar de qualquer superstição grosseira em sua presença, ou proferir qualquer blasfêmia, como se aqueles olhos calmos e penetrantes compelissem o falante a um pensamento sério.

Nessa criança, quase sempre silenciosa, cresceu uma vontade tranquila e inflexível de dominar as coisas por meio do entendimento.

Isso era mais fácil para ele do que para outros, pois possuía desde o princípio esse autodomínio, tão raro mesmo no adulto, que confere o domínio sobre os outros.

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A essa firme vontade se acrescia uma simpatia cálida, profunda e quase dolorosa; uma espécie de ternura piedosa por todos os seres e até pela natureza inanimada.

Parecia-lhe que todas as almas tinham em si algo de divino.

Mas em

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que crosta pedregosa se esconde o ouro brilhante! Em que rocha dura, em que treva sombria jazia adormecida a preciosa essência! Vagamente ainda essa ideia se agitava nele — ele viria a desenvolvê-la mais tarde — de que a alma divina está presente em todos os homens, porém em estado latente.

É um cativo adormecido que precisa ser despertado do encantamento.

Aos olhos desse jovem pensador, as almas humanas tornavam-se transparentes, com suas aflições, seus desejos, seus paroxismos de ódio ou de amor.

E foi provavelmente devido às coisas terríveis que via que ele falava tão pouco.

E, contudo, que delícias, desconhecidas do mundo, brotavam dessa clarividência involuntária! Entre as notáveis revelações interiores desse jovem, citarei apenas uma que era extremamente característica.

As vastas planícies da Hungria, as florestas selvagens dos Cárpatos, as antigas igrejas daquelas montanhas, nas quais o ostensório

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brilha intensamente como um sol na escuridão do santuário, não estavam ali em vão, mas eram propícias à meditação e à contemplação.

Aos quinze anos de idade, Steiner conheceu um herbalista que naquela época se encontrava em seu país.

O notável nesse homem era que ele conhecia não apenas as espécies, as famílias e a vida das plantas em seus mínimos detalhes, mas também suas virtudes secretas.

Dir-se-ia que ele passara a vida conversando com a alma inconsciente e fluida das ervas e das flores.

Ele tinha o dom de ver o princípio vital das plantas, seu corpo etérico, e o que o ocultismo chama de elementais do mundo vegetal.

Ele falava disso como de uma coisa bastante ordinária e natural.

O tom calmo e friamente científico de sua conversa não fazia senão excitar ainda mais a curiosidade e a admiração do jovem.

Mais tarde, Steiner soube que esse homem estranho era um mensageiro do

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o Mestre, a quem ele ainda não conhecia, mas que seria seu verdadeiro iniciador, e que já velava por ele de longe.

O que o curioso e vidente herborista lhe disse, o jovem Steiner achou estar em conformidade com a lógica das coisas.

Isso apenas confirmava um sentimento interior de longa data, que cada vez mais se impunha à sua mente como a Lei fundamental e como a base do Grande Todo.

Ou seja: a dupla corrente que constitui o próprio movimento do mundo, e que poderia ser chamada de fluxo e refluxo da vida universal.

Somos todos testemunhas e conscientes da corrente externa da evolução, que impele adiante todos os seres do céu e da terra — estrelas, plantas, animais e a humanidade — e os faz avançar rumo a um futuro infinito, sem que percebamos a força inicial que os impulsiona e os faz seguir sem pausa ou descanso.

Mas há no universo uma corrente in-

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versa, que se interpõe e perpetuamente irrompe sobre a outra.

É a da involução, pela qual os princípios, forças, entidades e almas que vêm do mundo invisível e do reino do Eterno se infiltram e incessantemente se entremeiam com a realidade visível.

Nenhuma evolução da matéria seria compreensível sem essa corrente oculta e astral, que é o grande propulsor da vida, com sua hierarquia de poderes.

Assim, o Espírito, que contém o futuro em germe, envolve-se na matéria; assim, a matéria, que recebe o Espírito, evolui rumo ao futuro.

Enquanto, então, avançamos cegamente rumo ao futuro desconhecido, esse futuro se aproxima de nós conscientemente, infundindo-se na corrente do mundo e do homem que o elaboram. Tal é o duplo movimento do tempo, a expiração e a inspiração da alma do mundo, que vem do Eterno e para lá retorna.

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Desde a idade de dezoito anos, o jovem Steiner possuía a consciência espontânea dessa dupla corrente — uma consciência que é a condição de toda visão espiritual.

Esse axioma vital lhe foi imposto por uma visão direta e involuntária das coisas.

A partir de então, teve a inconfundível sensação de forças ocultas que operavam por trás e através dele para sua orientação.

Ele deu ouvidos a essa força e obedeceu às suas admoestações, pois sentia profunda concordância com ela.

Esse tipo de percepção, no entanto, formava uma categoria separada em sua vida intelectual.

Essa classe de verdades lhe parecia algo tão profundo, tão misterioso e tão sagrado, que ele nunca imaginou ser possível expressá-la em palavras.

Ele alimentava sua alma com isso, como de uma fonte divina, mas ter derramado uma gota além disso lhe teria parecido uma profanação.

Ao lado dessa vida interior e contemplativa

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, sua mente racional e filosófica desenvolvia-se poderosamente.

Dos dezesseis aos dezessete anos de idade, Rudolf Steiner mergulhou profundamente no estudo de Kant, Fichte e Schelling.

Quando chegou a Viena alguns anos depois, tornou-se um admirador ardente de Hegel, cujo idealismo transcendental beira o ocultismo; mas a filosofia especulativa não o satisfazia.

Sua mente positiva exigia a base sólida das ciências de observação.

Assim, estudou profundamente matemática, química, mineralogia, botânica e zoologia.

"Esses estudos", disse ele, "oferecem uma base mais segura para a construção de um sistema espiritual do universo do que a história e a literatura.

Estas últimas, carentes de métodos exatos, não poderiam assim lançar luz lateral sobre o vasto domínio da ciência alemã." Investigando tudo, apaixonado pela alta arte e entusiasta da poesia, Steiner, no entanto, não negligenciou os estudos literários.

Como guia nesse campo, ele

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encontrou um excelente professor na pessoa de Julius Schroer, um distinto erudito da escola dos irmãos Grimm, que se esforçava por desenvolver em seus alunos a arte da oratória e da composição.

A esse homem distinto, o jovem estudante devia sua grande e refinada cultura literária.

"No deserto do materialismo predominante", diz Steiner, "sua casa foi para mim um oásis de idealismo."

Mas este ainda não era o Mestre que ele buscava.

Em meio a esses variados estudos e profundas meditações, ele ainda só conseguia discernir a construção do universo de maneira fragmentária; sua intuição inata impedia qualquer dúvida sobre a origem divina das coisas e de um Além espiritual.

Uma marca distintiva desse homem extraordinário era que ele nunca conheceu nenhuma daquelas crises de dúvida e desespero que geralmente acompanham a transição para uma convicção definitiva na vida de místicos e pensadores.

No entanto, ele sentia que a luz central

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que ilumina e penetra o todo ainda lhe faltava.

Ele havia alcançado a jovem maturidade, com seus terríveis problemas.

O que ele iria fazer com a sua vida? A esfinge do destino o encarava.

Como deveria resolver o seu problema?

Foi aos dezenove anos que o aspirante aos mistérios encontrou o seu guia — o Mestre — tão longamente antecipado.

É um fato indubitável, admitido pela tradição oculta e confirmado pela experiência, que aqueles que buscam a verdade superior por um motivo impessoal encontram um mestre para iniciá-los no momento certo: isto é, quando estão maduros para recebê-la.

"Batei, e abrir-se-vos-á", disse Jesus.

Isso é verdade com relação a tudo, mas acima de tudo com relação à verdade.

Somente, o desejo deve ser ardente como uma chama, numa alma pura como cristal.

O Mestre de Rudolf Steiner era um daqueles homens de poder que vivem, desconhecidos

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para o mundo, sob a cobertura de algum estado civil, para cumprir uma missão insuspeitada por qualquer um, exceto por seus pares na Fraternidade de Mestres autossacrificados.

Eles não tomam parte ostensiva nos eventos humanos.

Permanecer desconhecidos é a condição de seu poder, mas sua ação é apenas mais eficaz.

Pois eles inspiram, preparam e dirigem aqueles que atuarão à vista de todos.

No presente caso, o Mestre não teve dificuldade em completar a primeira e espontânea iniciação de seu discípulo.

Ele teve apenas, por assim dizer, de apontar-lhe a sua própria natureza, de armá-lo com suas armas necessárias.

Claramente ele lhe mostrou a conexão entre as ciências ordinárias e as secretas; entre as forças religiosas e espirituais que agora contendem pela orientação da humanidade; a antiguidade da tradição oculta que detém os fios ocultos da história, que os entrelaça, separa e reúne no curso das eras.

( 0 )

Rapidamente ele lhe esclareceu os estágios sucessivos da disciplina interior, a fim de alcançar a clarividência consciente e inteligente.

Em poucos meses, o discípulo aprendeu, pelo ensino oral, a profundidade e o esplendor incomparável da síntese esotérica.

Rudolf Steiner já havia esboçado para si mesmo sua missão intelectual: "Reunir Ciência e Religião.

Trazer Deus de volta à Ciência, e a Natureza à Religião.

Assim, re-fertilizar tanto a Arte quanto a Vida." Mas como empreender essa vasta e ousada tarefa? Como conquistar, ou antes, domar e transformar o grande inimigo, a ciência materialista da época, que é como um terrível dragão coberto por sua carapaça e agachado sobre seu imenso tesouro? Como dominar esse dragão da ciência moderna e atrelá-lo ao carro da verdade espiritual? E, acima de tudo, como conquistar o touro da opinião pública?

O Mestre de Rudolf Steiner não era, em

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nada semelhante a ele.

Não possuía aquela sensibilidade extrema e feminina que, embora não exclua a energia, faz de cada contato uma emoção e instantaneamente transforma o sofrimento alheio em dor pessoal.

Era masculino em espírito, um governante nato de homens, olhando apenas para a espécie, e para quem os indivíduos quase não existiam.

Não poupava a si mesmo, e não poupava os outros.

Sua vontade era como uma bala que, uma vez disparada da boca do canhão, vai direto ao alvo, varrendo tudo em seu caminho.

Ao questionamento ansioso de seu discípulo, ele respondeu em substância:

"Se queres lutar contra o inimigo, começa por compreendê-lo.

Conquistarás o dragão apenas penetrando sua pele.

Quanto ao touro, deves agarrá-lo pelos chifres.

É na extremidade da aflição que encontrarás tuas armas e teus irmãos na luta."

“Mostrei-te quem és, agora vai — e sê tu mesmo!”

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Rudolf Steiner conhecia bem a linguagem dos Mestres para compreender o árduo caminho que lhe era assim ordenado trilhar; mas também compreendia que esse era o único meio de atingir o fim.

Ele obedeceu e pôs-se a caminho.

•W* *7?*

A partir de 1880, a vida de Rudolf Steiner divide-se em três períodos bem distintos: dos vinte aos trinta anos de idade (1881-1891), o período vienense, um tempo de estudo e de preparação; dos trinta aos quarenta (1891-1901), o período de Weimar, um tempo de luta e de combate; dos quarenta aos quarenta e seis (1901-1907), o período de Berlim, um tempo de ação e de organização, no qual seu pensamento se cristalizou em uma obra viva.

Passo rapidamente pelo período de Viena, no qual Steiner obteve o grau de Doutor em Filosofia.

Posteriormente, escreveu uma série de artigos científicos sobre

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zoologia, geologia e a teoria das cores, nos quais ideias teosóficas aparecem sob uma roupagem idealista.

Enquanto atuava como preceptor em várias famílias, com a mesma devoção conscienciosa que dedicava a tudo, dirigiu, como editor-chefe, um semanário vienense, o *Deutsche Wochenschrift*.

Sua amizade com a poetisa austríaca Marie Eugenie delle Grazie lançou, por assim dizer, sobre esse período de intenso trabalho um cálido raio de sol, com um sorriso de graça e poesia.

Em 1890, Steiner foi convocado para colaborar nos arquivos de Goethe e Schiller em Weimar, a fim de supervisionar a reedição das obras científicas de Goethe.

Pouco depois, publicou duas obras importantes, *Verdade e Ciência* e *A Filosofia da Liberdade*.

“Os poderes ocultos que me guiavam”, diz ele, “forçaram-me a introduzir imperceptivelmente ideias espiritualistas na literatura corrente da época.” Mas nessas diversas tarefas ele apenas

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estudava o terreno enquanto experimentava suas forças.

Tão distante era a meta que ele não sonhava em poder alcançá-la ainda.

Percorrer o mundo em um navio a vela, cruzar o Atlântico, o Pacífico e o Índico, para retornar a um porto europeu, ter-lhe-ia parecido mais fácil.

Enquanto aguardava os acontecimentos que lhe permitiriam equipar seu navio e lançá-lo em mar aberto, ele entrou em contato com duas personalidades ilustres que ajudaram a determinar sua posição intelectual no mundo contemporâneo.

Essas duas pessoas foram o célebre filósofo Friedrich Nietzsche e o não menos famoso naturalista Ernst Haeckel.

Rudolf Steiner acabara de escrever um tratado imparcial sobre o autor de *Zaratustra*.

Em consequência disso, a irmã de Nietzsche implorou ao crítico simpático que viesse vê-la em Naumburg, onde seu infeliz irmão estava lentamente

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morrendo.

Madame Foerster levou o visitante até a porta do aposento onde Nietzsche jazia num sofá, em estado de coma, inerte, estupefato.

Para Steiner, havia algo muito significativo nessa visão melancólica.

Nela, ele via o ato final da tragédia do pretenso super-homem.

O autor de *Além do Bem e do Mal* não havia, como os realistas do imperialismo bismarckiano, renunciado ao idealismo, pois era naturalmente intuitivo; mas, em seu orgulho individualista, buscava separar o mundo espiritual do universo, e o divino da consciência humana.

Em vez de colocar o "super-homem", do qual tinha uma visão poética, no reino espiritual, que é sua verdadeira esfera, ele se esforçou para forçá-lo a entrar no mundo material, que era o único real aos seus olhos.

Daí, naquele esplêndido intelecto, surgiu um caos de ideias e uma luta selvagem que finalmente provocou o amolecimento cerebral.

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Para explicar esse caso particular, é desnecessário invocar o atavismo ou a teoria da degenerescência.

O combate frenético de ideias e de sentimentos contraditórios, do qual esse cérebro foi o campo de batalha, era suficiente.

Steiner havia feito justiça a todo o gênio que marcava as ideias inovadoras de Nietzsche, mas essa vítima do orgulho, autodestruída pela negação, não era para ele menos que um exemplo trágico da ruína de um poderoso intelecto que loucamente se destrói ao romper com a inteligência espiritual.

Madame Foerster fez todo o possível para alistar o Dr. Steiner sob a bandeira de seu irmão.

Para isso, ela usou toda a sua habilidade, fazendo repetidas ofertas ao jovem publicista para que se tornasse editor e comentarista das obras de Nietzsche.

Steiner resistiu à sua insistência o melhor que pôde e acabou por se afastar de todo, pelo que Madame Foerster nunca o perdoou.

Ela não sabia que Rudolf Steiner carregava dentro de si a consciência de uma

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obra não menos grandiosa e mais valiosa do que a de seu irmão.

Nietzsche fora meramente um episódio interessante na vida do pensador esotérico no limiar de seu campo de batalha.

Seu encontro com o célebre naturalista, Ernst Haeckel, ao contrário, marca uma fase importantíssima no desenvolvimento de seu pensamento.

Não era o sucessor de Darwin, aparentemente, o mais formidável adversário do espiritualismo deste jovem iniciado, daquela filosofia que para ele era a própria essência de seu ser e o sopro de seu pensamento? De fato, desde que o elo rompido entre o homem e o animal foi religado, desde que o homem já não pode acreditar em uma origem especial e sobrenatural, ele começou a duvidar inteiramente de sua origem e destino divinos.

Ele já não se vê senão como um fenômeno entre tantos fenômenos, uma forma passageira em meio a tantas formas, um elo frágil e fortuito em

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uma evolução cega.

Steiner, então, tem razão ao dizer: "A mentalidade deduzida das ciências naturais é o maior poder dos tempos modernos." Por outro lado, ele sabia que esse sistema meramente reproduz uma sucessão de formas externas entre os seres vivos, e não as forças internas e atuantes da vida.

Ele o sabia por iniciação pessoal e por uma visão mais profunda e mais vasta do universo.

Assim, também pôde exclamar com mais segurança do que a maioria de nossos tímidos espiritualistas e teólogos assustados: "Há de a alma humana, então, elevar-se nas asas do entusiasmo aos cumes do Verdadeiro, do Belo e do Bom, apenas para ser varrida para o nada, como uma bolha do cérebro?" Sim, Haeckel era o Adversário.

Era o materialismo em armas, o dragão com todas as suas escamas, suas garras e seus dentes.

O desejo de Steiner de compreender esse homem, e de fazer-lhe justiça quanto a tudo o que havia de grande nele, de sondar sua teoria até onde

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era lógica e plausível, era apenas mais intenso.

Nesse fato, vê-se toda a lealdade e toda a grandeza de sua mente abrangente.

As conclusões materialistas de Haeckel não poderiam ter influência sobre suas próprias ideias, que lhe vinham de uma ciência diferente; mas ele tinha o pressentimento de que nas descobertas indiscutíveis do naturalista encontraria a base mais segura de um espiritualismo evolucionista e de uma teosofia racional.

Começou, então, a estudar avidamente a História da Criação Natural.

Nela, Haeckel apresenta um quadro fascinante da evolução das espécies, da ameba ao homem.

Nela, ele mostra o crescimento sucessivo dos órgãos e o processo fisiológico pelo qual os seres vivos se elevaram a organismos cada vez mais complexos e cada vez mais perfeitos.

Mas nessa transformação estupenda, que implica milhões e milhões de anos, ele nunca

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explica a força inicial dessa ascensão universal, nem a série de impulsos especiais que fazem os seres se elevarem passo a passo.

A essas questões primordiais, Haeckel nunca pôde responder senão admitindo a geração espontânea, o que equivale a um milagre tão grande quanto a criação do homem por Deus a partir de um torrão de terra.

Para um teosofista como Steiner, por outro lado, a força cósmica que elabora o mundo compreende em suas esferas, encaixadas umas nas outras, as miríades de almas que se cristalizam e encarnam incessantemente em todos os seres.

Ele, que via o avesso da criação, não podia deixar de reconhecer e admirar a extensão do olhar abrangente com que Haeckel examinava o seu lado superior.

Em vão o naturalista negaria o Autor divino do esquema universal: ele o provava,

 Um discurso proferido em Paris, 28 de agosto de 1878. Ver também a 13ª conferência da *História da Criação Natural*, de Haeckel.

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apesar de si mesmo, ao descrever tão bem a Sua obra.

Quanto ao teosofista, ele saudava, na agitação das espécies e no sopro que as impele adiante — o Homem em formação, o próprio pensamento de Deus, a expressão visível do Verbo planetário.

Enquanto prosseguia em seus estudos, Rudolf Steiner recordava o ditado de seu Mestre;

É assim que o próprio Dr. Steiner descreve o famoso naturalista alemão: “A personalidade de Haeckel é cativante.

É o contraste mais completo com o tom de seus escritos.

Se Haeckel tivesse feito um ligeiro estudo da filosofia da qual fala, não como diletante, mas como uma criança, teria tirado as mais elevadas conclusões espirituais de seus estudos filogenéticos. A doutrina de Haeckel é grandiosa, mas o próprio Haeckel é o pior dos comentaristas de sua doutrina.

Não é mostrando aos nossos contemporâneos os pontos fracos da doutrina de Haeckel que podemos promover o progresso intelectual, mas apontando-lhes a grandeza de seu pensamento filogenético.” Steiner desenvolveu essas ideias em duas obras: *Welt und Lebensanschauungen im neunzehnten Jahrhundert* (Teorias do Universo e da Vida no Século XIX) e *Haeckel und seine Gegner* (Haeckel e seus Oponentes).

( 32 )

“Para conquistar o dragão, sua pele deve ser penetrada.” Ao se infiltrar na carapaça do materialismo atual, ele havia apreendido suas armas.

Doravante, estava pronto para o combate.

Necessitava apenas de um campo de ação para dar batalha e de um poderoso auxílio para sustentá-lo nisso.

Ele encontraria seu campo na Sociedade Teosófica e seu auxílio em uma mulher notável.

Em 1897, Rudolf Steiner foi a Berlim para dirigir uma revista literária e dar conferências lá.

Ao chegar, encontrou ali um ramo da Sociedade Teosófica.

O ramo alemão dessa Sociedade sempre se notabilizou por sua grande independência, o que é natural em um país de filosofia transcendental e de crítica exigente.

Já havia dado uma contribuição considerável à literatura oculta por meio do interessante periódico.

*The Sphinx*, dirigido pelo Dr. Hubbe-Schleiden,

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e o livro do Dr. Carl du Prel — *Philosophie der Mystik*.

Mas, tendo os líderes se retirado, estava quase tudo acabado para o grupo.

Grandes discussões e mesquinhas disputas dividiam os teosofistas para além do Reno.

Deveria Rudolf Steiner entrar na Sociedade Teosófica? Essa questão se impôs urgentemente a ele, e era da mais extrema gravidade, tanto para si mesmo quanto para sua causa.

Por meio de seu primeiro Mestre, pela irmandade à qual estava associado e por sua própria natureza mais íntima, Steiner pertence a outra escola de ocultismo, quero dizer, ao cristianismo esotérico do Ocidente, e muito especialmente à iniciação rosacruz.

Após madura consideração, resolveu

ingressar na Sociedade Teosófica, da qual

se tornou membro em 1902. Ele não

entrou, porém, como um pupilo da

tradição oriental, mas como um iniciado

do esoterismo rosacruz que de bom grado

( 34 )

reconhecia a profunda grandeza da Sabedoria hindu e lhe oferecia uma mão fraterna para estabelecer um vínculo magnético entre as duas.

Ele compreendeu que as duas tradições não estavam destinadas a contender entre si, mas a agir em conjunto, com completa independência, e assim trabalhar para o bem comum da civilização.

A tradição hindu, de fato, contém o maior tesouro da ciência oculta no que diz respeito à cosmogonia e aos períodos pré-históricos da humanidade, enquanto a tradição do esoterismo cristão e ocidental contempla, de sua imensurável altura, o futuro distante e os destinos finais de nossa raça.

Pois o passado contém e prepara o futuro, assim como o futuro emerge do passado e o completa.

Rudolf Steiner foi auxiliado em seu trabalho por um poderoso recruta e de inestimável valor na obra de propaganda que estava prestes a empreender.

Mlle.

Marie von Sivers, russa de

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nascimento, e de uma educação cosmopolita invulgarmente variada (escreve e fala russo, francês, alemão e inglês com igual perfeição), também ela própria havia chegado à Teosofia por outros caminhos, após longa busca pela verdade que ilumina a todos porque ilumina as próprias profundezas do nosso ser.

O extremo refinamento de sua natureza aristocrática, ao mesmo tempo modesta e orgulhosa, sua grande e delicada sensibilidade, a extensão e o equilíbrio de sua inteligência, suas dotes artísticas e mentais, tudo a tornava maravilhosamente apta para o papel de agente e apóstola.

A teosofia oriental a atraíra e encantara sem, contudo, convencê-la por completo.

As conferências do Dr. Steiner deram-lhe a luz que convence ao lançar seus raios em todas as direções, como de um centro resplandecente.

Independente e livre, ela, como muitos russos da boa sociedade, buscava algum trabalho ideal ao qual pudesse dedicar todas as suas energias.

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Ela o encontrara. Tendo o Dr. Steiner sido nomeado Secretário-Geral da Seção Alemã da Sociedade Teosófica, Mlle. Marie von Sivers tornou-se sua assistente.

Desde então, ao difundir o trabalho por toda a Alemanha e países vizinhos, ela demonstrou um verdadeiro gênio para a organização, mantido com atividade incansável.

Quanto a Rudolf Steiner, ele já havia dado ampla prova de seu pensamento profundo e de sua eloquência.

Ele se conhecia e era senhor de si mesmo.

Mas tal fé, tal devoção deve ter aumentado sua energia cem vezes mais e dado asas às suas palavras.

Seus escritos sobre questões esotéricas sucederam-se em rápida sequência.

Die Mystik, im Aufgange des neuzeitlichen Geisteslebens (1901); Das Christentum als mystische Tatsache (1902); Theosophie (1904). Ele está agora preparando um livro importante, que sem dúvida será sua obra principal, e que se chamará Geheimwissenschaft (Ciência Oculta).

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Ele proferiu conferências em Berlim, Leipzig, Cassel, Munique, Stuttgart, Viena, Budapeste, etc.

Todos os seus livros são de alto padrão.

Ele é igualmente hábil na dedução de ideias em ordem filosófica e na análise rigorosa de fatos científicos.

E quando assim o deseja, ele pode dar uma forma poética ao seu pensamento, com imagens originais e marcantes.

Mas todo o seu ser só se revela por sua presença e por sua palavra, privada ou pública.

A característica de sua eloquência é uma força singular, sempre gentil na expressão, resultando, sem dúvida, da perfeita serenidade de alma combinada com uma admirável clareza de mente.

A isso se acrescenta, por vezes, uma vibração interior e misteriosa que se faz sentir pelo ouvinte desde as primeiras palavras.

Nunca uma palavra que pudesse chocar ou perturbar.

De argumento em argumento, de analogia em analogia, ele o conduz do conhecido ao desconhecido.

Quer acompanhe o desenvolvimento comparativo

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da Terra e do homem, segundo a tradição oculta, através dos períodos lemuriano, atlanteano, asiático e europeu; quer explique a constituição fisiológica e psíquica do homem tal como ele agora é; quer enumere os estágios da iniciação rosacruciana, ou comente o Evangelho de São João e o Apocalipse, ou aplique suas ideias fundamentais à mitologia, à história e à literatura, o que domina e guia seu discurso é sempre esse poder de síntese, que coordena os fatos sob uma ideia regente e os reúne em uma visão harmoniosa.

E é sempre esse fervor interior e contagiante, essa música secreta da alma, que é, por assim dizer, uma melodia sutil em harmonia com a Alma Universal.

Tal é, ao menos, o que senti ao conhecê-lo e ouvi-lo há dois anos.

Não poderia descrever melhor esse sentimento indefinível do que recordando

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a frase de um amigo poeta a quem mostrava o retrato do teosofista alemão.

Diante daqueles olhos profundos e perscrutadores, diante daquele semblante, cavado por lutas interiores, moldado por um espírito elevado que provou seu equilíbrio nas alturas e sua calma nas profundezas, meu amigo exclamou: “Eis um mestre de si mesmo e da vida!”

O CAMINHO DA INICIAÇÃO

I

O MUNDO SUPERFÍSICO E SUA GNOSE

É natural que a maioria das pessoas que, em nossos dias, ouvem falar de verdades transcendentais, imediatamente formule a pergunta: “Como podemos nós mesmos alcançar tal conhecimento?” De fato, observa-se com frequência como característica das pessoas de hoje que elas não aceitam nada por fé, por mera “autoridade”, mas preferem confiar inteiramente em seu próprio julgamento.

E é por isso que, quando místicos e teosofistas professam saber algo da natureza superfísica do homem e do destino da alma e do espírito humanos antes do nascimento e após a morte, são imediatamente confrontados com essa exigência fundamental de nosso tempo.

Tais dogmas, parecem dizer, só têm importância para alguém quando lhe é mostrado o caminho pelo qual ele pode convencer-se de sua verdade.

Essa exigência é plenamente justificada; e nenhum verdadeiro místico ou teosofista poderia deixar de reconhecê-la. Mas é igualmente certo que, em muitos daqueles que a formulam, existe um sentimento de ceticismo ou antagonismo em relação às afirmações do místico.

Esse sentimento torna-se especialmente marcado quando o místico começa por indicar como as verdades que descreveu podem ser alcançadas.

Pois então as pessoas frequentemente lhe dizem: “O que é verdadeiro pode ser demonstrado; portanto, prove-nos o que você afirma.” Além disso, dão a entender que a verdade deve ser algo claro e simples, algo que um intelecto “modesto” possa compreender; certamente, parecem dizer, não pode ser posse de uns poucos escolhidos, a quem é dada por uma “revelação especial”! E dessa forma o mensageiro de verdades transcendentais é frequentemente confrontado com pessoas que o rejeitam, porque — ao contrário do cientista, por exemplo — ele não pode produzir provas para suas afirmações, de tal natureza que elas mesmas possam entender.

Novamente, há alguns que rejeitam esses assuntos com mais cautela, mas que, no entanto, recusam qualquer conexão próxima com eles porque, pensam, não parecem razoáveis. Com isso, eles se tranquilizam, embora não completamente, dizendo que não podemos saber nada do que está além do nascimento ou da morte, do que não podemos perceber com nossos sentidos.

Essas são apenas algumas das concepções e críticas com as quais hoje o mensageiro de uma filosofia espiritual tem de lidar. Mas elas são semelhantes a todas aquelas que compõem a nota-chave do nosso tempo. E aquele que se coloca a serviço de um movimento espiritual deve reconhecer essa nota-chave com bastante clareza.

Por sua parte, o místico está ciente de que seu conhecimento se baseia em fatos superfísicos; assim como fatos, por exemplo, formam o fundamento das experiências e observações descritas por um viajante na África. Ao místico aplica-se o que Annie Besant disse em seu manual, “A Morte — e Depois?”:

“Um explorador africano experiente pouco se importaria com as críticas feitas ao seu relato por pessoas que nunca estiveram lá; ele poderia contar o que viu, descrever os animais cujos hábitos estudou, esboçar o país que atravessou, resumir seus produtos e suas características. Se fosse contradito, ridicularizado, corrigido por críticos que nunca viajaram, ele não ficaria irritado nem angustiado, mas simplesmente os deixaria em paz. A ignorância não pode convencer o conhecimento pela repetida afirmação de sua nesciência.”



Ele lhes diz: “Não pretendo ser ‘escolhido’ no sentido que vocês entendem.

Apenas trabalhei dentro de mim mesmo, a fim de adquirir esses poderes através dos quais é possível falar de vislumbres das regiões suprafísicas.

Mas essas faculdades estão adormecidas em todos; apenas precisam ser desenvolvidas.” Mas seus oponentes então respondem: “Você deve provar suas verdades para nós como somos agora.” Eles não aceitam sua exigência de que primeiro desenvolvam os poderes adormecidos dentro de si, mas, sem estarem dispostos a fazê-lo, insistem em que ele lhes dê provas.

Tampouco percebem que isso é exatamente como se um camponês, ao seu arado, exigisse do matemático a prova de um problema complicado sem antes se dar ao trabalho de aprender matemática.

Tudo isso parece tão simples que quase se hesita em falar a respeito. E, no entanto, indica uma ilusão sob a qual milhões de pessoas vivem atualmente.

Se alguém lhes explica isso, elas sempre concordam em teoria, pois é tão óbvio quanto dois mais dois serem quatro.

Contudo, na prática, contradizem continuamente. Pode-se muito em breve convencer-se disso.

O erro tornou-se segunda natureza para muitos; eles o praticam sem mais perceber que o fazem, sem desejar serem convencidos disso, assim como ofendem contra tudo o que, a qualquer momento, aceitariam como um princípio da mais simples natureza, se apenas pudessem considerá-lo com calma.

Não importa se o místico de hoje se move em um círculo de artesãos pensantes ou em um círculo mais instruído, pois onde quer que vá encontra o mesmo preconceito, a mesma contradição consigo mesmo.

Encontra-se isso em palestras populares, em todos os jornais e revistas, e até em obras ou tratados mais eruditos.

E aqui devemos reconhecer claramente que estamos lidando com um sinal dos tempos que não podemos simplesmente considerar como mera incompetência, nem expor como crítica, talvez correta, mas nem por isso justa.

Devemos compreender que esse sintoma, esse preconceito contra as verdades superiores, está profundamente enraizado no próprio ser de nossa época.

Devemos compreender claramente que os grandes sucessos, o imenso avanço, que o distinguem, necessariamente tendem a esse erro.

O século XIX

especialmente teve, a esse respeito, um lado sombrio

( 50 )

em meio às suas maravilhosas excelências.

Sua grandeza repousa sobre suas descobertas no mundo externo, e sua conquista das forças naturais para fins técnicos e industriais.

Esses sucessos só puderam ser alcançados pela observação dos sentidos, e posteriormente pelo emprego da mente sobre aquilo que os sentidos assim haviam percebido.

A civilização dos dias atuais é o resultado do treinamento de nossos sentidos, e daquela parte de nossa mente que se ocupa do mundo dos sentidos.

Quase cada passo que damos na rua hoje nos mostra o quanto devemos a esse tipo de treinamento.

E é sob a influência dessas bênçãos da civilização que os hábitos de pensamento predominantes entre nossos semelhantes de hoje foram desenvolvidos.

Eles continuam a se ater aos sentidos e à mente, porque é por meio deles que se tornaram grandes.

As pessoas foram ensinadas a se treinarem para não admitir nada como verdadeiro, exceto

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aquelas coisas que lhes eram apresentadas pelos sentidos ou pela mente.

E nada é mais apto a reivindicar para si o único testemunho válido, a única autoridade absoluta, do que a mente ou os sentidos.

Se um homem adquiriu por meio deles um certo grau de cultura, ele desde então se acostuma a submeter tudo à sua consideração, tudo à sua crítica.

E novamente em outra esfera, no domínio da Vida Social, encontramos um traço semelhante.

O homem do século XIX insistia, no sentido mais pleno da palavra, na liberdade absoluta da personalidade, e repudiava qualquer autoridade na Comunidade Social.

Ele se esforçava para construir a comunidade de tal maneira que a plena independência, a vocação autoeleita de cada indivíduo, fosse assegurada sem interferência.

Dessa forma, tornou-se habitual para ele considerar tudo do ponto de vista do indivíduo médio.

Os poderes superiores

( )

que jazem adormecidos na alma podem ser desenvolvidos' por uma pessoa numa direção, por outra em outra.

Um fará mais progresso, outro menos.

Quando desenvolvem tais poderes, ou quando atribuem qualquer valor a eles, os homens começam a diferenciar-se.

Deve-se também, se admitirmos sua existência, conceder ao homem que progrediu mais, mais direito de falar sobre um assunto, ou de agir de certa maneira, do que a outro menos adiantado.

Mas no que diz respeito aos sentidos e à mente, pode-se empregar um padrão médio.

Todos têm aí os mesmos direitos, a mesma liberdade.

É também perceptível que a atual formação da Comunidade Social tem contribuído para provocar uma revolta contra os poderes superiores do homem.

Segundo o místico, a civilização durante o século XIX moveu-se inteiramente por linhas físicas; e as pessoas se acostumaram a mover-se no plano físico

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apenas, e a sentirem-se em casa ali.

Os poderes superiores só se desenvolvem em planos outros que não o físico, e o conhecimento que essas faculdades trazem tornou-se, portanto, estranho ao homem.

Basta assistir a reuniões de massa, se alguém deseja convencer-se do fato de que os oradores ali são totalmente incapazes de pensar quaisquer pensamentos senão aqueles que se referem ao plano físico, o mundo dos sentidos.

Isso também pode ser visto entre os principais jornalistas de nossos jornais e revistas; e, de fato, por todos os lados pode-se observar a mais altiva e completa negação de tudo o que não pode ser visto com os olhos, ou sentido com as mãos, ou compreendido pela mente comum.

Mais uma vez diga-se que não condenamos essa atitude.

Ela denota uma etapa necessária no desenvolvimento da humanidade.

Sem o orgulho e os preconceitos da mente e dos sentidos, nunca teríamos alcançado nossas grandes conquistas sobre a vida material, nem

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teríamos sido capazes de conferir à personalidade certa medida de elasticidade: tampouco poderíamos esperar que muitos ideais, que devem ser fundados no desejo do homem por liberdade e na afirmação da personalidade, pudessem ainda ser realizados.

Mas esse lado sombrio de uma civilização puramente materialista afetou profundamente todo o ser do homem moderno.

Para comprová-lo, não é necessário referir-se aos fatos óbvios já mencionados; seria fácil demonstrar por certos exemplos que são levemente subestimados, especialmente hoje em dia, quão profundamente enraizada na mente do homem moderno está essa adesão ao testemunho dos sentidos, ou da inteligência mediana.

E são justamente essas coisas que indicam a necessidade da renovação da vida espiritual.

A forte repercussão evocada pela Teoria de Babel e Bíblia do Professor Friedrich Delitzsch justifica plenamente uma referência ao seu método de pensamento, como um sinal dos

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tempos.

O Professor Delitzsch demonstrou a relação de certas tradições do Antigo Testamento com os relatos babilônicos da Criação, e esse fato, vindo de tal fonte e de tal forma, foi percebido por muitos que, de outro modo, teriam ignorado tais questões.

Isso levou muitos a reconsiderar a chamada ideia de Revelação.

Eles se perguntam: Como é possível aceitar a ideia de que o conteúdo do Antigo Testamento foi revelado por Deus, quando encontramos concepções muito semelhantes entre nações decididamente pagãs? Esse problema não pode ser discutido aqui mais a fundo.

Delitzsch encontrou muitos opositores que temiam que, por meio de sua exposição, os próprios fundamentos da Religião tivessem sido abalados.

Ele se defendeu em um panfleto, Babel e Bíblia, uma Retrospectiva e uma Perspectiva.

Aqui, referir-nos-emos apenas a uma única frase do panfleto.

É uma frase importante, porque

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revela a visão de um eminente homem da ciência a respeito da posição do homem diante das verdades transcendentais.

E hoje inúmeras outras pessoas pensam e sentem exatamente como Delitzsch.

A frase oferece uma excelente oportunidade para descobrirmos qual é a convicção mais íntima de nossos contemporâneos, expressa aqui de forma bastante livre e, portanto, em sua forma mais verdadeira.

Delitzsch dirige-se àqueles que o censuram por um uso um tanto liberal do termo "Revelação", que prefeririam considerá-la "uma espécie de antiga sabedoria sacerdotal" que "não tem absolutamente nada a ver com o leigo". Em oposição a isso, ele diz:

"Quanto a mim, sou de opinião que, enquanto nossos filhos ou nós mesmos somos instruídos na escola ou na igreja no que diz respeito à Revelação, não apenas estamos dentro de nosso direito, mas é nosso dever pensar de forma independente sobre essas questões profundas, que possuem também, como o fazem, um lado eminentemente prático, ainda que somente para evitarmos

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dar aos nossos filhos respostas 'evasivas'.

Por essa mesma razão, será gratificante para muitos buscadores da Verdade quando o dogma de uma 'escolha' especial de Israel tiver sido trazido à luz de uma perspectiva histórica mais ampla, através da união da pesquisa babilônica, assíria e do Antigo Testamento.

... [Algumas páginas antes, nos é mostrada a direção de tais pensamentos.] Quanto ao resto, parecer-me-ia que a única coisa lógica é que a Igreja e a Escola se contentem, no que diz respeito a toda a história passada do mundo e da humanidade, com a crença em um Único Criador Onipotente do Céu e da Terra, e que esses contos do Antigo Testamento sejam classificados por si mesmos sob algum título como 'Antigos Mitos Hebraicos'."

(Pode-se tomar como certo, supomos, que ninguém verá nas observações seguintes um ataque ao investigador Delitzsch.) O que, então, é aqui dito com ingênua simplicidade? Nada menos que a mente que se ocupa com a investigação física pode afirmar o direito de julgar experiências de natureza suprafísica.

Não há pensamento

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de que essa mente, sem preparar-se mais, possa talvez ser inadequada para refletir sobre os ensinamentos dessas "Revelações". Quando se deseja compreender o que aparece como uma "Revelação", não se pode fazê-lo a menos que se tragam para incidir sobre ela aquelas forças das quais a própria "Revelação" surgiu.

Aquele que desenvolve dentro de si o poder místico de percepção logo observa que em certas histórias do Antigo Testamento, chamadas por Delitzsch de "Mitos Hebraicos Antigos", revelam-se-lhe verdades de natureza mais elevada do que aquelas que podem ser compreendidas pelo intelecto, o qual se ocupa apenas das coisas dos sentidos.

Suas próprias experiências místicas o levarão a ver que esses "Mitos" procederam de uma percepção mística de verdades transcendentais.

E então, num momento, todo o seu ponto de vista se transforma.

Tão pouco quanto se pode demonstrar a

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falácia de um problema matemático ao descobrir quem o resolveu primeiro, ou mesmo que várias pessoas o resolveram — o que certamente seria uma valiosa descoberta histórica —, tão pouco se pode impugnar a verdade de uma narrativa bíblica pela descoberta de uma história semelhante em outro lugar.

Em vez de exigir que todos insistam em seu direito, ou mesmo em seu dever, de pensar independentemente sobre as chamadas "Revelações", deveríamos antes considerar que somente aquele que desenvolveu em si as potências latentes que lhe permitem reviver o que outrora foi realizado pelos próprios místicos que proclamaram as "revelações supersensíveis" tem o direito de decidir qualquer coisa sobre a matéria.

Aqui temos um excelente exemplo de como o intelecto comum, qualificado para os mais altos triunfos no conhecimento prático dos sentidos, se arvora, com ingênuo orgulho, em juiz de domínios cuja existência

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nem sequer se importa em conhecer.

Pois a investigação puramente histórica também se realiza apenas pela experiência dos sentidos.

Exatamente da mesma forma, a investigação do Novo Testamento nos conduziu a um beco sem saída.

A todo custo, o método da "Nova Investigação Histórica" teve de ser dirigido sobre os Evangelhos.

Esses documentos foram comparados entre si e postos em relação com toda sorte de coisas, a fim de que pudéssemos descobrir o que realmente aconteceu na Palestina do ano 1 ao ano 33; como a "personalidade histórica" de quem eles falam realmente viveu, e o que Ele pode realmente ter dito.

Agora, um homem do século XVII, Angelus Silesius, já expressou toda a atitude crítica em relação a esse tipo de investigação:

“Embora Cristo nascesse anualmente em Belém, e nunca
Tivesse nascimento em vós mesmos, então estaríeis perdidos para sempre;
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E se dentro de vós mesmos não for novamente erguido,
A Cruz no Gólgota não vos pode salvar da dor.”

Nem são estas palavras de quem duvidava, mas de um cristão, forte em sua crença. E seu igualmente fervoroso predecessor, Mestre Eckhart, disse no século XIII:

“Há alguns que desejam ver Deus com seus olhos, como olham para uma vaca; e assim como amam uma vaca, assim desejam amar a Deus.
... Pessoas de mente simples imaginam que Deus pode ser visto como se Ele estivesse ali e eles estivessem aqui.
Mas não é assim: nessa percepção, Deus e eu somos um.”

Estas palavras não devem, enfaticamente, ser dirigidas contra a investigação da “verdade histórica”. Contudo, ninguém pode compreender corretamente a verdade histórica de documentos como os Evangelhos, a menos que tenha primeiro experimentado dentro de si o significado místico que eles contêm.

Todas essas comparações e análises são completamente inúteis, pois ninguém pode descobrir quem

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“nasceu em Belém”, senão aquele que experienciou misticamente o Cristo dentro de si; tampouco pode alguém em quem ela ainda não foi erguida decidir como é que “a Cruz no Gólgota” pode nos libertar da dor.

A investigação puramente histórica “não pode descobrir mais acerca da realidade mística do que o anatomista que desmembra, talvez, possa descobrir o segredo de um grande gênio poético.” (Ver meu livro, *Das Christentum als mystische Tatsache*, Berlim, C. A. Schwetschke und Sohn, 1902, ou sua tradução francesa, mencionada na página 1.)

Aquele que pode ver claramente nestas questões está ciente de quão profundamente enraizado está, no tempo presente, o “orgulho” do intelecto, que se preocupa apenas com os fatos dos sentidos.

Ele diz: “Não desejo desenvolver faculdades para que eu possa alcançar as verdades superiores; desejo formar minhas decisões a respeito delas com os poderes que agora possuo.”

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Em um panfleto bem-intencionado, escrito, no entanto, inteiramente naquele espírito da época que já indicamos (*O que sabemos sobre Jesus*, de A. Kalthoff, Berlim, 1904), lemos o seguinte:

“Cristo, que simboliza a vida da Comunidade, pode ser discernido dentro de si mesmo pelo homem de hoje: de sua própria alma o homem de hoje pode criar Cristo tão bem quanto o autor de um evangelho o criou; como homem, ele pode colocar-se na mesma posição dos escritores dos evangelhos, porque pode reintegrar-se nos mesmos processos da alma, pode ele mesmo falar ou escrever Evangelho.”

Estas palavras podem ser verdadeiras, mas também podem ser inteiramente errôneas.

São verdadeiras quando compreendidas no sentido de Angelus Silesius, ou de Meister Eckhart, quando se referem ao desenvolvimento de poderes adormecidos em toda alma humana, que, a partir de tal ideia, se esforça por experimentar dentro de si o Cristo dos Evangelhos.

São totalmente equivocadas, se um ideal mais ou menos superficial do Cristo é assim criado a partir do espírito de uma época que não reconhece a verdade de nenhuma percepção senão a dos sentidos.

A vida do Espírito só pode ser compreendida quando não desejamos criticá-la com a mente inferior, mas antes desenvolver-nos internamente para ela.

Ninguém pode esperar aprender algo das mais altas verdades acessíveis ao homem, se exige que elas sejam rebaixadas ao “entendimento comum”. A isso se poderia objetar: Por que, então, vós, místicos e teosofistas, proclamais essas verdades a pessoas que, como declarais, ainda não podem compreendê-las? Por que deveria haver um Movimento Teosófico que proclama certos ensinamentos, quando os poderes que conduzem os homens à percepção deles deveriam primeiro ser desenvolvidos?

É tarefa deste livro resolver essa aparente contradição.

Ele mostrará que as correntes espirituais de nossos dias falam de uma base diferente, de maneira diferente, da ciência que se apoia inteiramente no intelecto inferior.

Contudo, apesar disso, as correntes espirituais não são menos científicas do que a ciência que se baseia apenas em fatos físicos.

Kather, eles estendem o campo da investigação científica para o superfísico.

Devemos encerrar este capítulo com mais uma pergunta, que talvez seja feita: Como se pode alcançar as verdades superfísicas e, para essa conquista, de que ajuda são os movimentos espirituais?

II

COMO ALCANÇAR O CONHECIMENTO DOS MUNDOS SUPERIORES

Em todo homem existem faculdades latentes por meio das quais ele pode adquirir para si mesmo o conhecimento dos mundos superiores.

O místico, o teosofista ou o gnóstico fala de um mundo da alma e de um mundo do espírito, que são, para ele, tão reais quanto o mundo que vemos com nossos olhos físicos ou tocamos com nossas mãos físicas.

A cada momento, seu ouvinte pode dizer a si mesmo: O que ele fala, eu também posso aprender, quando tiver desenvolvido dentro de mim certos poderes que hoje jazem adormecidos em mim. Resta apenas a

questão de como se deve começar

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para desenvolver dentro de si tais faculdades.

Pois somente aqueles que já desenvolveram tais poderes dentro de si podem dar conselhos.

Enquanto a raça humana existiu, sempre houve escolas nas quais aqueles que possuíam essas faculdades superiores davam instrução àqueles que as buscavam.

Tais são chamadas de escolas ocultas, e a instrução que nelas é transmitida é chamada de ciência esotérica, ou ensino oculto.

Tal designação naturalmente desperta mal-entendidos.

Aquele que a ouve pode ser facilmente induzido a crer que aqueles que trabalham nessas escolas desejam representar uma classe especial, privilegiada, que arbitrariamente retém seu conhecimento de seus semelhantes.

De fato, ele pode até pensar que talvez não haja nada realmente importante por trás desse conhecimento.

Pois ele é tentado a pensar que, se fosse um conhecimento verdadeiro, não haveria necessidade

( 68 )

de fazer segredo sobre isso: poder-se-ia então comunicá-lo publicamente e abrir suas vantagens a todos os homens.

Aqueles que foram iniciados na natureza do conhecimento oculto não se surpreendem nem um pouco que os não iniciados pensem assim.

Somente aquele que, em certo grau, experimentou essa iniciação nos segredos superiores do ser pode compreender o segredo dessa iniciação.

Mas pode-se perguntar: como, então, o não iniciado, dadas as circunstâncias, desenvolverá algum interesse por esse assim chamado conhecimento oculto? Como e por que deveriam buscar algo cuja natureza não podem sequer conceber? Mas tal questão baseia-se numa concepção inteiramente errônea da verdadeira natureza do conhecimento oculto.

Não há, na verdade, diferença entre o conhecimento oculto e todo o restante do conhecimento e da capacidade humana.

Esse conhecimento oculto não é mais um segredo para o homem comum do que

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a escrita é um segredo para aquele que nunca aprendeu a ler.

E assim como todo aquele que escolhe o método correto pode aprender a escrever, também todo aquele que busca o caminho certo pode tornar-se discípulo, e até mesmo mestre.

Em apenas um aspecto as condições aqui diferem daquelas que se aplicam às atividades externas do pensamento.

A possibilidade de adquirir a arte de escrever pode ser negada a alguém pela pobreza, ou pelo estado de civilização em que nasceu; mas para a obtenção do conhecimento nos mundos superiores não há obstáculo para aquele que sinceramente o busca.

Muitos creem que é preciso encontrar, aqui ou ali, os Mestres do conhecimento superior, para deles receber iluminação.

Em primeiro lugar, aquele que se esforça seriamente pelo conhecimento superior não precisa temer qualquer dificuldade ou obstáculo em sua busca por um Iniciado

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que possa conduzi-lo aos segredos mais profundos do mundo.

Todo aquele, ao contrário, pode estar certo de que um Iniciado o encontrará, sob quaisquer circunstâncias, se houver nele um esforço sincero e digno para alcançar esse conhecimento.

Pois é uma lei estrita entre todos os Iniciados não negar a nenhum homem o conhecimento que lhe é devido.

Mas há uma lei igualmente estrita que insiste em que ninguém receba qualquer conhecimento oculto até que seja digno.

E quanto mais estritamente ele observa essas duas leis, mais perfeito é um Iniciado.

A ordem que abrange todos os Iniciados é cercada, por assim dizer, por um muro, e as duas leis aqui mencionadas formam dois fortes princípios pelos quais os constituintes desse muro são mantidos unidos.

Podeis viver em estreita amizade com um Iniciado, e, no entanto, esse muro o separará de vós enquanto vós mesmos não vos tornardes Iniciados.

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Podeis gozar plenamente do coração, do amor de um Iniciado, e, no entanto, ele só vos comunicará o seu segredo quando vós mesmos estiverdes prontos para recebê-lo. Podeis adulá-lo; podeis torturá-lo; nada o induzirá a vos revelar aquilo que ele sabe que não deve ser divulgado, porquanto vós, no estágio atual da vossa evolução, não compreendeis como receber devidamente o segredo em vossa alma.

Os caminhos que preparam um homem para a recepção de um segredo são claramente prescritos.

Eles são indicados pelas letras imperecíveis e eternas dentro dos templos onde os Iniciados guardam os segredos superiores.

Nos tempos antigos, anteriores à "história", esses templos eram visíveis exteriormente; hoje, porque as nossas vidas se tornaram tão pouco espirituais, eles são, em sua maioria, completamente invisíveis à visão externa.

No entanto, eles estão presentes em toda parte, e todos os que buscam podem encontrá-los.

( 72 )

Somente dentro de sua alma pode um homem descobrir os meios que lhe abrirão os lábios do Iniciado.

Até um certo grau elevado, ele deve desenvolver dentro de si faculdades especiais, e então os maiores tesouros do Espírito se tornam seus.

Ele deve começar com uma certa atitude fundamental da alma: o estudante de Ocultismo a chama de Caminho da Devoção, da Veneração.

Somente aquele que mantém essa atitude pode, no Ocultismo, tornar-se um discípulo.

E aquele que tem experiência nessas coisas é capaz de perceber até mesmo na criança os sinais do discipulado que se aproxima.

Há crianças que olham com temor religioso para aqueles que veneram.

Por tais pessoas elas têm um respeito que lhes proíbe admitir, mesmo no santuário mais íntimo do coração, qualquer pensamento de crítica ou oposição.

Tais crianças crescem e se tornam jovens e donzelas que se sentem felizes quando podem olhar com admiração para algo venerável.

Das

( 73 )

fileiras de tais crianças são recrutados muitos discípulos.

Você já parou diante da porta de algum homem venerado e, nessa sua primeira visita, sentiu um temor religioso ao pressionar a maçaneta, a fim de entrar no cômodo que para você é um lugar sagrado? Então manifestou-se em você uma emoção que pode ser o germe do seu futuro discipulado.

É uma bênção para toda pessoa em desenvolvimento ter tais emoções sobre as quais construir.

Somente não se deve pensar que tais qualidades sejam o germe da submissão e da escravidão.

A experiência nos ensina que aqueles que melhor mantêm a cabeça erguida são os que aprenderam a venerar onde a veneração é devida.

E a veneração está sempre em seu lugar quando surge das profundezas do coração.

Se não desenvolvermos dentro de nós esse sentimento profundamente enraizado de que há algo mais elevado do que nós mesmos, nunca

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encontraremos força suficiente para evoluir para algo mais elevado.

O Iniciado só adquiriu o poder de elevar seu intelecto às alturas do conhecimento guiando seu coração às profundezas da veneração e da devoção.

As alturas do Espírito só podem ser alcançadas passando pelos portais da humildade.

Você só pode adquirir o conhecimento correto quando aprender a estimá-lo. O homem certamente tem o direito de contemplar a Realidade, mas deve primeiro adquirir esse direito.

Há leis na vida espiritual, assim como na vida física.

Esfregue uma haste de vidro com um material apropriado e ela se tornará elétrica, isto é, receberá o poder de atrair pequenos corpos.

Isso exemplifica a lei natural.

E se alguém aprendeu um pouco de física, sabe disso.

Da mesma forma, se alguém está familiarizado com os primeiros princípios do Ocultismo, sabe que todo sentimento de verdadeira devoção que se abre na alma desenvolve um poder que pode,

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mais cedo ou mais tarde, conduzir ao Caminho do Conhecimento.

Aquele que possui dentro de si esse sentimento de devoção, ou que tem a felicidade de recebê-lo de sua educação, traz consigo uma grande vantagem quando, mais tarde na vida, busca uma entrada para o conhecimento superior.

Mas aquele que não traz tal preparação encontrar-se-á confrontado com dificuldades já no primeiro passo do Caminho do Conhecimento, a menos que empreenda, por meio de uma rigorosa autoeducação, criar dentro de si a disposição devocional.

Em nossa época, é especialmente importante que se dê total atenção a este ponto.

Nossa civilização tende muito mais para a crítica, a emissão de juízos, e assim por diante, do que para a devoção e uma veneração altruísta.

Nossas crianças já criticam muito mais do que veneram.

Mas todo julgamento, toda crítica mordaz, frustra as forças da alma para a obtenção do conhecimento superior, na

I

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mesma medida em que toda devoção sincera as desenvolve.

Com isso, não desejamos dizer nada contra a nossa civilização.

Não se trata, de modo algum, de fazer uma crítica a ela. É justamente a essa faculdade crítica, a esse julgamento humano autoconsciente, a esse "examinai tudo e retende o que é bom", que devemos a grandeza da nossa civilização.

Nunca poderíamos ter alcançado a ciência, o comércio, a indústria, o direito de nosso tempo, se não tivéssemos exercitado nossa faculdade crítica em toda parte, se não tivéssemos aplicado em toda parte o padrão de nosso julgamento.

Mas o que com isso ganhamos em cultura externa, tivemos de pagar com uma perda correspondente do conhecimento superior, da vida espiritual.

A única coisa que todos devem compreender claramente é que, para aquele que se encontra bem no centro da civilização objetiva de nosso tempo, é muito difícil avançar para o conhecimento dos mundos

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superiores.

Ele só poderá fazê-lo se trabalhar energicamente dentro de si mesmo.

Numa época em que as condições da vida exterior eram mais simples, a elevação espiritual era mais fácil de alcançar.

Aquilo que deveria ser venerado, aquilo que deveria ser mantido sagrado, destacava-se em melhor relevo das coisas comuns do mundo.

Em um período de crítica, esses ideais são rebaixados; outras emoções tomam o lugar da veneração, do respeito, da prece e do assombro.

Nossa própria época continuamente empurra essas emoções cada vez mais para trás, de modo que, na vida diária das pessoas, elas desempenham um papel muito pequeno.

Aquele que busca o conhecimento superior deve criá-lo dentro de si mesmo; deve ele próprio instilá-lo em sua alma.

Isso não pode ser feito pelo estudo: só pode ser feito através da vida.

Aquele que deseja tornar-se um discípulo deve, portanto, cultivar assiduamente o estado devocional.

Em toda parte, em seu ambiente, ele deve procurar aquilo que exige dele ad-

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miração e homenagem.

Sempre que seus deveres ou circunstâncias o permitirem, deve ele tentar renunciar inteiramente a toda crítica ou julgamento.

Se eu encontro um homem e o culpo por sua fraqueza, roubo de mim mesmo o poder de conquistar o conhecimento superior; mas se eu tento entrar amorosamente em seus méritos, então eu acumulo tal poder.

O discípulo deve continuamente tentar seguir este conselho.

Ocultistas experientes estão cientes de quanto devem à contínua busca pelo bem em todas as coisas e à retenção de toda crítica mordaz.

Isso não deve permanecer apenas como uma regra externa de vida; antes, deve tomar posse da parte mais íntima de nossas almas.

Temos em nosso poder aperfeiçoar-nos e, aos poucos, transformar-nos completamente.

Mas essa transformação deve ocorrer no eu mais íntimo, na vida mental.

Não basta que eu demonstre respeito apenas em minha atitude externa para com uma pessoa; devo ter esse respeito

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em meu pensamento.

O discípulo deve começar por atrair essa devoção para sua vida de pensamento.

Ele deve banir por completo de sua consciência todos os pensamentos de desrespeito, de crítica, e deve esforçar-se imediatamente por cultivar pensamentos de devoção.

Cada momento em que nos dispomos a banir de nossa consciência tudo o que nela permanece de julgamento depreciativo e suspeitoso de nossos semelhantes, cada um desses momentos nos aproxima do conhecimento das coisas superiores.

E nós nos elevamos rapidamente quando, em tais momentos, preenchemos nossa consciência apenas com pensamentos que evocam em nós admiração, respeito e veneração pelos homens e pelas coisas.

Aquele que tem experiência nestes assuntos saberá que em cada um desses momentos despertam-se no homem poderes que, de outro modo, permanecem adormecidos.

Dessa forma, os olhos espirituais do homem são abertos.

Ele começa a ver coisas ao seu redor que até então não era capaz

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de ver.

Ele começa a compreender que até então apenas vira uma parte do mundo ao seu redor.

O homem com quem ele entra em contato agora lhe mostra um aspecto bastante diferente daquele que mostrara antes.

Naturalmente, ele ainda não será capaz, somente por meio dessa regra de vida, de ver o que em outro lugar foi descrito como a aura humana, porque, para isso, um treinamento ainda mais elevado é necessário.

Mas ele pode ascender a esse treinamento mais elevado se tiver passado anteriormente por um treinamento completo em devoção.*

Silencioso e despercebido pelo mundo exterior é o trilhar do "Caminho do Discipulado". Não é necessário que alguém note uma mudança no discípulo.

Ele cumpre seus deveres como até então;

* No último capítulo do livro intitulado Teosofia (Berlim, C. A. Schwetschke und Sohn), o Dr. Rudolf Steiner descreve plenamente este "Caminho do Conhecimento"; aqui se pretende apenas dar alguns detalhes práticos.

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ele cuida de seus negócios como antes.

A transformação ocorre apenas na parte interior da alma, oculta da visão exterior.

A princípio, toda a vida anímica do homem é inundada por essa disposição fundamental de devoção por tudo o que é verdadeiramente venerável.

Toda a sua vida anímica encontra nessa disposição fundamental o seu eixo.

Assim como o sol, através de seus raios, vivifica tudo o que é vivo, assim, na vida do discípulo, essa reverência vivifica todas as percepções da alma.

A princípio, não é fácil para as pessoas acreditar que sentimentos como reverência, respeito e assim por diante tenham algo a ver com suas percepções.

Isso decorre do fato de que se tende a pensar na percepção como uma faculdade bastante isolada, que não mantém relação alguma com o que de outro modo ocorre na alma.

Ao pensar assim, não nos lembramos de que é a alma que percebe.

E os sentimentos são para a

alma o que o alimento é para o corpo.

Se nós

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dermos ao corpo pedras em vez de pão, a sua atividade cessará.

O mesmo se dá com a alma.

Veneração, homenagem, devoção são como nutrientes que a tornam saudável e forte, e especialmente forte para a atividade da percepção.

Desrespeito, antipatia e subestimação provocam a inanição e o definhamento dessa atividade.

Para o ocultista, esse fato é visível na aura.

Uma alma que abriga sentimentos de devoção e reverência provoca uma mudança em sua aura.

Certos matizes amarelo-avermelhados ou marrom-avermelhados desaparecerão, e matizes azul-avermelhados os substituirão.

E então o órgão da percepção se abre.

Ele recebe informações de fatos em sua vizinhança dos quais até então não tinha conhecimento.

A reverência desperta um poder simpático na alma, e por meio dele atraímos qualidades semelhantes nos seres que nos cercam, que de outra forma permaneceriam ocultas.

Ainda mais eficaz é

esse poder que pode ser obtido pela devoção quando outro sentimento é acrescentado.

Aprende-se a entregar-se cada vez menos às impressões do mundo exterior e a desenvolver em seu lugar uma vida interior vívida.

Aquele que salta de uma impressão do mundo exterior para outra, que busca constantemente dissipações, não pode encontrar o caminho para o Ocultismo.

O discípulo não deve se tornar insensível ao mundo exterior; mas sua rica vida interior apontará a direção na qual ele deve se entregar às suas impressões.

Ao atravessar uma bela região montanhosa, o homem de alma profunda e rica em emoções tem experiências diferentes daquelas do homem de poucas emoções.

Somente o que experimentamos dentro de nós abre as belezas do mundo exterior.

Um homem navega pelo oceano, e apenas algumas experiências interiores passam por sua alma; mas outro ouvirá então a linguagem eterna do Espírito do Mundo, e

( 84 )

para ele são desvelados os mistérios da criação.

É preciso ter aprendido a controlar os próprios sentimentos e ideias se se deseja desenvolver qualquer relação íntima com o mundo exterior.

Todo fenômeno nesse mundo exterior está repleto de esplendor divino, mas é preciso ter sentido o Divino dentro de si antes de se poder esperar descobri-lo fora.

Ao discípulo é dito para reservar certos momentos de sua vida diária durante os quais se retirar para dentro de si, tranquilamente e a sós.

Mas em tais ocasiões ele não deve ocupar-se com seus próprios assuntos pessoais, pois isso traria o contrário daquilo a que ele visa. Durante esses momentos, ele deve antes ouvir em completo silêncio os ecos do que experimentou, do que o mundo exterior lhe disse.

Então, nesses períodos de quietude, cada flor, cada animal, cada ação lhe desvendará segredos jamais sonhados, e

( )

assim ele se preparará para receber novas impressões do mundo externo, como se o visse com olhos diferentes.

Pois aquele que meramente deseja desfrutar impressão após impressão, apenas embota a faculdade perceptiva, enquanto aquele que deixa o prazer depois revelar-lhe algo, assim a amplia e educa. Mas ele deve ter cuidado para não meramente deixar o prazer reverberar, por assim dizer; mas, renunciando a qualquer prazer adicional, antes trabalhar sobre suas experiências prazerosas com uma atividade interior.

O perigo neste ponto é muito grande.

Em vez de trabalhar dentro de si, é fácil cair no hábito oposto de depois tentar esgotar completamente o prazer.

Não subestimemos as fontes imprevistas de erro que aqui confrontam o discípulo.

Ele deve necessariamente passar por uma hoste de tentações, cada uma das quais tende apenas a endurecer seu Ego e a aprisioná-lo dentro de si mesmo.

Ele deve abri-lo amplamente

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para o mundo inteiro.

É necessário que ele busque o prazer, pois somente assim o mundo exterior pode alcançá-lo; e se ele se embotar para o prazer, torna-se como uma planta que não pode mais extrair nutrição de seu ambiente.

No entanto, se ele se detém no prazer, então se encerra dentro de si mesmo, e será apenas algo para si e nada para o mundo.

Por mais que viva dentro de si, por mais intensamente que cultive seu Ego, o mundo o excluirá.

Ele está morto para o mundo.

Mas o discípulo considera o prazer apenas como um meio de se ennobrecer para o mundo.

O prazer é para ele como um batedor que o informa a respeito do mundo, e, após ter sido ensinado pelo prazer, ele passa ao trabalho.

Ele não aprende para acumular conhecimento como tesouro próprio, mas para colocar seu aprendizado a serviço do mundo.

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Em todas as formas de Ocultismo há um princípio fundamental que não pode ser transgredido, se alguma meta há de ser alcançada.

Todo mestre ocultista deve gravá-lo em seus pupilos, e ele é o seguinte: Todo ramo de conhecimento que buscas apenas para enriquecer teu próprio saber, apenas para acumular tesouro para ti, afasta-te do Caminho; mas todo conhecimento que buscas para trabalhar a serviço da humanidade e para a elevação do mundo, dá-te um passo adiante.

Esta lei deve ser rigorosamente observada; nem é alguém um discípulo genuíno até que a tenha adotado como guia de toda a sua vida.

Em muitas escolas ocultistas esta verdade é expressa na seguinte sentença breve: Toda ideia que não se torna um ideal para ti, mata um poder em tua alma; toda ideia que se torna um ideal cria dentro de ti poderes vivos.

III

O CAMINHO DO DISCIPULADO

No próprio início de seu curso, o estudante é dirigido ao Caminho da Reverência e ao desenvolvimento da vida interior.

Mas o ensinamento oculto também dá instruções práticas, pela observância das quais ele pode aprender a trilhar esse Caminho e desenvolver essa vida interior.

Estas direções práticas não têm base arbitrária.

Elas se apoiam em antiga experiência e antiga sabedoria, e onde quer que os caminhos para o conhecimento superior sejam demarcados, permanecem da mesma natureza.

Todos os genuínos mestres do Ocultismo estão de acordo quanto ao caráter essencial dessas regras,

embora nem sempre as expressem

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a eles nas mesmas palavras.

Essa diferença, que é de caráter menor e mais aparente do que real, deve-se a circunstâncias que não precisam ser abordadas aqui.

Nenhum professor deseja, por meio de tais regras, estabelecer ascendência sobre outras pessoas.

Ele não interferiria na independência individual.

Na verdade, ninguém respeita e valoriza mais a individualidade humana do que os professores de Ocultismo.

Foi dito (na primeira parte deste livro) que a ordem que abrange todos os Iniciados era cercada por um muro, e que duas leis formavam os princípios pelos quais ela era sustentada.

Sempre que o Iniciado deixa esse recinto e adentra o mundo, ele deve se submeter a uma terceira lei inviolável.

É esta: Vigiai cada uma de vossas ações e cada uma de vossas palavras, a fim de que não obstruais o livre-arbítrio de nenhum ser humano.

Aqueles que reconhecem que os genuínos professores

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de ocultismo estão completamente imbuídos desse princípio compreenderão que não precisam sacrificar nada de sua independência ao seguirem as orientações práticas que lhes são aconselhadas.

Uma das primeiras dessas regras pode ser assim expressa em nossa linguagem: "Proporcionai a vós mesmos momentos de calma interior, e nesses momentos aprendei a distinguir entre o real e o irreal!" Digo deliberadamente "expressa em nossa linguagem", porque originalmente todas as regras e ensinamentos da ciência oculta eram expressos em uma linguagem simbólica de sinais.

Aqueles que desejam dominar todo o seu alcance e significado devem primeiro obter permissão para aprender essa linguagem simbólica, e antes que essa permissão possa ser obtida, é necessário ter dado os primeiros passos no conhecimento oculto.

Isso pode ser alcançado pela observância cuidadosa de regras como as aqui apresentadas.

O Caminho está aberto a todos os que sinceramente quiserem entrar nele.

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Simples, em verdade, é a regra concernente aos momentos de calma interior, e fácil é segui-la; mas ela só conduz à meta quando a busca é tão séria e rigorosa quanto o caminho é simples.

Portanto, exporei, sem mais preâmbulos, o método pelo qual essa regra deve ser observada.

O estudante deve reservar uma pequena parte de sua vida diária para ocupar-se com algo bastante diferente das ocupações de sua vida comum, e a maneira como se ocupa nesse momento também deve diferir da maneira como desempenha o restante de seus deveres.

Mas isso não significa que o que ele faz no tempo assim separado não tenha conexão com seu trabalho diário.

Pelo contrário, o homem que busca tais momentos da maneira correta logo descobrirá que é justamente isso que lhe dá a plena capacidade para realizar sua tarefa diária.

Tampouco se deve supor que a observância dessa regra realmente priva alguém do tempo necessário para o cumprimento

( 92 )

de seus deveres.

Se alguma pessoa realmente não tiver mais tempo à sua disposição, cinco minutos por dia serão suficientes.

O ponto essencial é a maneira como esses cinco minutos são empregados.

Nesses períodos, o homem deve elevar-se completamente acima de sua vida cotidiana.

Seus pensamentos e sentimentos devem assumir uma coloração diferente.

Suas alegrias e tristezas, suas preocupações, experiências e ações devem passar em revista diante de sua alma.

E ele deve cultivar um estado de espírito que lhe permita considerar todas as suas outras experiências de um ponto de vista mais elevado.

Basta lembrarmos quão diferente é o ponto de vista a partir do qual, na vida comum, consideramos as experiências e ações de outro, daquele a partir do qual julgamos as nossas próprias.

Isso é inevitável, pois estamos entrelaçados com nossas próprias ações e experiências, enquanto apenas contemplamos as do outro.

Nosso objetivo nesses momentos de retiro deve ser con-

( 93 )

templar e julgar nossas próprias experiências e ações como se não fôssemos nós mesmos, mas alguma outra pessoa a quem elas se aplicassem.

Suponhamos, por exemplo, que uma certa desgraça tenha atingido alguém. Que atitude diferente essa pessoa assume diante dela, em comparação com uma desgraça idêntica que tenha atingido seu vizinho! Ninguém pode censurar essa atitude como injustificável; ela faz parte da natureza humana.

E assim como ocorre em circunstâncias excepcionais, também ocorre nos assuntos cotidianos da vida.

O estudante deve esforçar-se por alcançar o poder de considerar-se a si mesmo, em certos momentos, como consideraria um estranho.

Deve contemplar-se a si mesmo com a calma interior do crítico.

Quando isso é alcançado, as nossas próprias experiências apresentam-se sob uma nova luz.

Enquanto estamos entrelaçados com elas e estamos, por assim dizer, dentro delas, estamos tão intimamente ligados ao irreal quanto ao real.

Quando alcançamos uma calma

( )

visão de conjunto, o real é separado do irreal.

A dor e a alegria, cada pensamento, cada resolução, aparecem transformados quando nos contemplamos desta maneira.

É como se tivéssemos passado o dia inteiro num lugar onde víamos os menores objetos à mesma distância de visão que os maiores, e à noite subíssemos a uma colina vizinha e contemplássemos toda a cena de uma só vez.

Então, as partes do lugar assumem proporções diferentes daquelas que tinham quando vistas de dentro.

O valor de tal contemplação interior calma depende menos da coisa real que contemplamos do que do poder que essa calma interior desenvolve em nós.

Pois em todo ser humano existe, além do que chamamos de homem comum, um ser superior.

Esse ser superior permanece oculto até ser despertado.

E cada um de nós só pode despertá-lo por si mesmo.

Mas, enquanto esse ser superior não for despertado, as faculdades superiores

( 95 )

que jazem adormecidas em todo homem e conduzem ao conhecimento supersensual, devem permanecer ocultas.

Esse poder que conduz à calma interior é uma força mágica que liberta certas faculdades superiores.

Até que um buscador sinta essa força mágica dentro de si, deve continuar a seguir estrita e seriamente a regra aqui dada.

Para todo homem que assim persevera, chegará o dia em que uma luz espiritual lhe será revelada, e um mundo inteiramente novo, cuja existência era até então insuspeitada, será discernido por um olho interior.

Não há necessidade de qualquer mudança exterior na vida do estudante pelo fato de ele começar a seguir esta regra.

Ele cumpre seus deveres como antes, e a princípio suporta as mesmas dores e experimenta as mesmas alegrias de outrora.

De modo algum isso o afasta da vida; antes, ele se torna capaz de dedicar-se a ela mais completamente, porque nos momentos reservados ele tem uma Vida Superior própria.

( 96 )

Gradualmente, essa Vida Superior fará sentir sua influência na vida comum.

A calma dos momentos reservados influenciará também a existência comum.

O homem inteiro se tornará mais calmo, alcançará serenidade em todas as suas ações e deixará de ser perturbado por toda sorte de incidentes.

Gradualmente, um estudante que assim avança guiará a si mesmo cada vez mais, e será menos dirigido pelas circunstâncias e influências externas.

Tal homem logo descobrirá quão grande fonte de força reside para ele nesses períodos de contemplação.

Ele deixará de se preocupar com coisas que antes o preocupavam; e inúmeras questões que costumavam inspirar-lhe medo deixarão de alarmá-lo.

Ele adquire uma nova visão da vida.

Antes, ele pode ter assumido esta ou aquela tarefa com um sentimento de timidez.

Ele diria: “Falta-me o poder para fazer isso tão bem quanto desejaria.” Agora ele não admite mais tal pensamento

( 97 )

mas, em vez dele, um bem diferente.

Ele agora diz a si mesmo: “Reunirei todas as minhas forças para fazer meu trabalho tão bem quanto possivelmente puder.” E ele suprime o pensamento que encoraja a timidez; pois sabe que essa própria timidez pode estragar seu empreendimento e que, de qualquer forma, nada pode contribuir para a melhoria de seu trabalho.

E assim um pensamento após outro, cada um repleto de vantagem para toda a sua vida, começa a penetrar a visão do estudante.

Eles tomam o lugar daqueles que tinham um efeito estorvante e enfraquecedor.

Ele começa a conduzir seu próprio navio com um curso firme e seguro entre as ondas da vida, que antes o lançavam impotente de um lado para outro.

E essa calma e serenidade reagem sobre todo o ser.

Elas auxiliam o crescimento do homem interior e daquelas faculdades internas que conduzem ao conhecimento superior.

Pois é por seu progresso em

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nesta direção que o estudante gradualmente atinge um estado no qual ele próprio determina a maneira como as impressões do mundo externo deverão afetá-lo.

Assim, ele pode ouvir uma palavra, proferida com o objetivo de feri-lo ou irritá-lo.

Antes de iniciar seus estudos ocultos, ela de fato o teria ferido ou irritado.

Mas agora que ele trilha o Caminho do Discipulado, é capaz de retirar dela o aguilhão que lhe confere o poder de magoar, antes mesmo que ela adentre sua consciência.

Tomemos outro exemplo: naturalmente nos tornamos impacientes quando somos obrigados a esperar, mas o estudante está tão impregnado, em seus momentos de calma, com a percepção da inutilidade da impaciência, que esse sentimento se faz presente nele em todas essas ocasiões.

A impaciência que naturalmente o dominaria desaparece, e um intervalo que de outro modo teria sido desperdiçado na expressão da impaciência pode ser utilizado

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fazendo-se alguma observação proveitosa durante o período de espera.

Agora devemos compreender o significado desses fatos.

Devemos lembrar que o "Ser Superior" no homem está em constante desenvolvimento, e somente o estado de calma e serenidade aqui descrito torna possível um desenvolvimento ordenado.

As ondas da vida exterior pressionam o homem interior de todos os lados, se, em vez de controlar essa vida exterior, ele for por ela controlado. Tal homem é como uma planta que tenta se expandir numa fenda da rocha e tem seu crescimento atrofiado até que novo espaço lhe seja dado. Nenhuma força exterior pode fornecer espaço para o homem interior; ele só pode ser fornecido pela calma interior que ele possa dar à sua alma.

As circunstâncias exteriores só podem alterar o curso de sua vida externa; jamais podem despertar o homem espiritual interior.

O estudante deve ele próprio dar à luz o homem novo e superior dentro de si.

O homem superior torna-se o "Governante

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interior", que dirige as circunstâncias do homem exterior com orientação segura.

Enquanto este último tiver a supremacia, o homem interior permanece escravizado e, portanto, não pode desenvolver seus poderes.

Se outro que não eu tiver o poder de me fazer irritar, não sou senhor de mim mesmo, ou, melhor dizendo, ainda não encontrei "o Governante dentro de mim". Devo desenvolver o poder interior de deixar que as impressões do mundo exterior se aproximem de mim apenas da maneira que eu mesmo escolher; só então me torno verdadeiramente um estudante ocultista.

E somente esforçando-me seriamente por esse poder pode um estudante alcançar a meta.

Não é tão importante realizar muito em um tempo determinado, quanto ser sincero na busca.

Muitos se esforçaram por anos sem notar qualquer avanço marcante; mas muitos daqueles que não desesperaram e lutaram destemidamente alcançaram, às vezes de forma bastante repentina, a "vitória interior".

( 101 )

Em muitas situações, é preciso um bom esforço para alcançar esses momentos de calma interior.

Mas quanto maior o esforço necessário, mais importante é a conquista.

Nos estudos esotéricos, tudo depende da energia, da veracidade interior e da sinceridade intransigente com que contemplamos a nós mesmos e às nossas ações do ponto de vista de completos estranhos.

Mas apenas um lado da atividade interior do estudante é caracterizado por esse nascimento do seu próprio ser superior.

Algo mais é necessário além disso.

Mesmo que um homem se considere um estranho, é apenas a si mesmo que ele contempla; ele olha para aquelas experiências e ações com as quais está conectado através do seu modo particular de vida, e é necessário que ele se eleve acima disso e alcance um ponto de vista puramente humano, não mais conectado com suas próprias circunstâncias individuais.

Ele deve passar para a contem-

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plação daquelas coisas que lhe dizem respeito como ser humano, mesmo que ele próprio habite em uma condição diferente e em circunstâncias diferentes.

Dessa forma, algo nasce dentro dele que se eleva além do ponto de vista pessoal.

Assim, seu olhar é direcionado para mundos superiores àqueles que ele conhece na vida cotidiana.

E então ele começa a sentir e perceber que pertence a esses mundos superiores sobre os quais seus sentidos e suas ocupações diárias nada podem lhe dizer.

Dessa forma, ele desloca o ponto central do seu ser para a parte interior da sua natureza.

Ele escuta as vozes dentro de si que lhe falam em seus momentos de calma; e, interiormente, cultiva um intercâmbio com o mundo espiritual.

Ele se afasta do mundo cotidiano e não ouve mais as suas vozes.

Ao seu redor, há silêncio.

Ele afasta de si todas as suas circunstâncias externas e tudo o que sequer o lembre de tais impressões externas.

( 103 )

Sua alma inteira se enche de calma contemplação interior e de conversa com o mundo puramente espiritual.

Essa calma contemplação deve tornar-se uma necessidade para o estudante.

Ele está completamente imerso em um mundo de pensamentos.

Ele deve desenvolver um desejo sincero por esse pensar sereno.

Ele deve aprender a amar a infusão do espírito.

Em breve, deixará de considerar esse mundo de pensamentos como mais irreal do que as coisas cotidianas que o cercam.

Ele começa a lidar com seus pensamentos como se fossem coisas existentes no espaço.

E então se aproxima o momento em que as revelações do seu pensar silencioso começam a parecer muito mais elevadas e mais reais do que as coisas existentes no espaço.

Ele descobre que esse mundo de pensamentos é uma expressão da vida.

Ele percebe que os pensamentos não são meros fantasmas, mas que, através deles, seres que antes estavam ocultos lhe falam.

Ele começa a ouvir vozes que lhe falam

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através do silêncio.

Antes, seu ouvido era o único órgão de audição; agora, ele pode escutar com sua alma.

Uma linguagem interior e uma voz interior lhe são reveladas.

É um momento de êxtase supremo para o estudante quando essa experiência lhe chega pela primeira vez.

Uma luz interior inunda todo o mundo externo para ele, e ele "nasce de novo". Através do seu ser passa uma corrente de um mundo divino, trazendo consigo bem-aventurança divina.

Essa vida de pensamento da alma, que é gradualmente ampliada para uma vida de ser espiritual, é designada pela Gnose e pela Teosofia como meditação (pensamento contemplativo). Essa meditação é o meio pelo qual se alcança o conhecimento suprassensível.

Mas, durante tais momentos, o estudante não deve se contentar em entregar-se ao luxo da sensação.

Ele não deve permitir que sentimentos indefinidos se apoderem de sua alma.

Isso apenas o impediria de alcançar o verdadeiro conhecimento espiritual

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Seus pensamentos devem ser clara e nitidamente definidos, e ele será ajudado nisso ao não se deixar levar cegamente pelos pensamentos que surgem dentro de si.

Antes, deve ele permear sua mente com os pensamentos elevados que se originaram com estudantes avançados aos quais a inspiração já chegou.

Que ele estude primeiramente aqueles escritos que se originaram em tais momentos de meditação.

O estudante encontrará tais obras na literatura mística, gnóstica e teosófica de nosso tempo, e ali obterá o material para sua meditação.

Homens sábios inscreveram nesses livros os pensamentos da ciência divina, ou os proclamaram ao mundo através de seus agentes.

Tal meditação produz uma completa transformação no estudante.

Ele começa a formar concepções inteiramente novas da Realidade.

Todas as coisas adquirem novos valores aos seus olhos.

E não se pode declarar

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com demasiada frequência que essa transformação não o afasta da atualidade, nem o remove de seu círculo diário de deveres.

Pois ele chega a perceber que suas ações ou experiências mais insignificantes estão em estreita conexão com os grandes seres e eventos cósmicos.

Quando essa conexão lhe é revelada em seus momentos de contemplação, ele é dotado de poder mais fresco e mais pleno para seus deveres diários.

Pois então ele sabe que seu trabalho e seu sofrimento são dados e suportados em prol de um grande todo espiritual cósmico.

Assim, em vez de cansaço, sua meditação lhe dá força para viver.

Com passo firme, o estudante atravessa a vida.

Não importa o que ela lhe traga, ele avança ereto.

No passado, ele não sabia por que trabalhava e sofria, mas agora sabe.

É evidente que tal meditação tem mais probabilidade de conduzir à meta, se realizada sob a

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direção de pessoas experientes, que sabem realmente como tudo pode ser melhor feito.

Devemos, portanto, buscar o conselho e a orientação de tais guias experientes (Gurus, como são chamados em certas escolas de pensamento). O que de outra forma seria mero tatear incerto é transformado por tal orientação em trabalho que está seguro de seu objetivo.

Aqueles que se dirigem aos mestres possuidores de tal conhecimento e experiência jamais se dirigirão em vão.

Somente precisam estar bem cientes de que é o conselho de um amigo que desejam, não a dominação de um pretenso governante.

Aqueles que realmente sabem são sempre os mais modestos dos homens, e nada está mais distante de sua natureza do que o que se chama paixão pelo poder.

Aqueles que, por meio da meditação, elevam-se àquilo que une o homem ao espírito, estão trazendo à vida dentro de si o elemento eterno que não é limitado nem pelo nascimento nem pela morte.

Somente aqueles que

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não tiveram experiência alguma disso podem duvidar da existência desse elemento eterno.

Assim, a meditação torna-se o caminho pelo qual o homem também alcança o reconhecimento e a contemplação de seu ser essencial, eterno e indestrutível.

E somente através da meditação pode-se alcançar tal visão da vida.

A Gnose e a Teosofia falam da natureza eterna desse ser essencial e de sua reencarnação.

A pergunta é frequentemente feita: "Por que o homem nada sabe daquelas experiências que estão além das fronteiras do nascimento e da morte?" Não assim deveríamos perguntar, mas antes: "Como podemos alcançar tal conhecimento?" A entrada para o Caminho é aberta pela meditação correta.

Somente ela pode reviver a memória de eventos que estão além das fronteiras do nascimento e da morte.

Todos podem alcançar este conhecimento; em cada um de nós está a faculdade de reconhecer e contemplar por nós mesmos as verdades do Misticismo, da Teosofia,

( 109 )

e da Gnose; mas os meios corretos devem ser escolhidos.

Somente um ser com ouvidos e olhos pode perceber tons e cores, nem pode o olho perceber, se faltar a luz pela qual as coisas se tornam visíveis.

A ciência oculta dá os meios para desenvolver os ouvidos e olhos espirituais, e para acender a luz espiritual.

Há, segundo os mestres esotéricos, três passos pelos quais a meta pode ser alcançada: 1. Probação.

Isto desenvolve os sentidos espirituais.

2. Iluminação.

Isto acende a luz espiritual.

3. Iniciação.

Isto estabelece o intercâmbio com os seres espirituais superiores.

Os ensinamentos seguintes provêm de uma tradição secreta, mas informações precisas sobre sua natureza e seu nome não podem ser dadas no presente.

Eles se referem aos três passos que, na escola desta tradição, conduzem a um certo grau de iniciação.

Mas aqui encontraremos apenas tanto desta tradição quanto possa ser abertamente declarado.

Estes ensinamentos são extraídos de uma doutrina muito mais profunda e mais secreta.

Nas próprias escolas ocultas segue-se um curso definido de instrução e, além disso, há certas práticas que capacitam as almas dos homens a alcançar um intercâmbio consciente com o mundo espiritual.

Estas práticas mantêm aproximadamente a mesma relação com o que será transmitido nas páginas seguintes, como o ensino que é dado numa escola bem disciplinada se relaciona com a instrução que pode ser recebida ocasionalmente durante um passeio.

E, no entanto, a busca ardente e perseverante do que aqui é sugerido conduzirá ao caminho pelo qual se obtém acesso a uma genuína escola oculta.

Mas, naturalmente, uma leitura impaciente, desprovida de sinceridade e perseverança, não pode levar a nada.

Aquele que acredita estar pronto para mais deve dirigir-se a um professor oculto.

O estudo destas coisas só pode ser bem-sucedido se o estudante observar o que já foi escrito nos capítulos anteriores.

Os estágios que a tradição acima mencionada especifica são os seguintes três:

I. Provação,

II. Iluminação,

III. Iniciação.

Não é de todo necessário que estes três estágios sejam tomados de tal forma que se deva completar inteiramente o primeiro antes de começar o segundo, nem este, por sua vez, antes de começar o terceiro.

Com respeito a certas coisas, pode-se participar da Iluminação, e mesmo da Iniciação, enquanto que, no que diz respeito a outras, ainda se está no estágio de provação.

Contudo, será necessário permanecer algum tempo neste estágio de Provação antes que qualquer Iluminação possa sequer começar, e, pelo menos em alguns aspectos, é preciso ter sido iluminado antes de ser sequer possível entrar no estágio de Iniciação.

Mas, ao apresentá-los, é necessário, por uma questão de clareza, que os três estágios se sucedam.

IV

PROVAÇÃO

A Provação consiste num cultivo rigoroso da vida emocional e mental.

Por meio desse cultivo, o "corpo espiritual" se equipa com novos instrumentos de percepção e novos órgãos de atividade, assim como, a partir da matéria viva indeterminada, as forças naturais dotaram o corpo físico de órgãos.

O começo se faz dirigindo a atenção da alma a certos eventos no mundo que nos cerca. Tais eventos são, por um lado, a germinação, a expansão e o florescimento da vida e, por outro, todas as coisas relacionadas ao definhamento, à decadência e à extinção.

Para onde quer que voltemos os olhos, podemos observar essas coisas acontecendo simultaneamente, e em toda parte elas evocam naturalmente nos homens sentimentos e pensamentos.

Mas, em circunstâncias comuns, o homem não presta atenção suficiente a esses pensamentos e sentimentos.

Ele passa depressa demais de impressão em impressão.

O que é necessário, portanto, é que ele fixe sua atenção intensa e bem conscientemente sobre esses fenômenos. Onde quer que observe expansão e florescimento de certo tipo, deve banir tudo o mais de sua alma e entregar-se inteiramente, por um breve período, a essa única impressão.

Ele logo se convencerá de que uma sensação que antes, em caso semelhante, teria apenas esvoaçado por sua alma, agora se vê tão ampliada que se torna de natureza poderosa e enérgica.

Ele deve agora permitir que essa forma-pensamento ressoe tranquilamente dentro de si mesmo e, para fazê-lo, deve tornar-se interiormente bem silencioso.

Deve afastar-se do mundo exterior e seguir apenas aquilo que sua alma lhe diz sobre essa expansão e florescimento.

Contudo, não se deve pensar que podemos progredir muito se embotarmos nossos sentidos para o mundo.

Primeiro, é preciso contemplar esses objetos com o máximo de agudeza e precisão possível, e é então que se deve entregar-se às sensações que daí resultam e aos pensamentos que surgem na alma.

O que importa é isto: que se dirija a atenção, com perfeito equilíbrio interior, para ambos esses fenômenos.

Se se obtém o silêncio necessário e se entrega àquilo que surge na alma, então, com o tempo, obter-se-ão as seguintes experiências: notar-se-á uma nova espécie de pensamentos e sentimentos, antes desconhecidos, surgindo na alma.

Na verdade, quanto mais se fixa a atenção, de tal maneira alternadamente, sobre algo que germina, expande-se e

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floresce, e sobre algo mais que se desvanece e decai, mais vívidos se tornarão esses sentimentos.

E assim como as forças naturais evoluem a partir da matéria viva os olhos e ouvidos do corpo físico, assim também os órgãos da clarividência evoluirão a partir dos sentimentos que assim são evocados.

Uma forma-pensamento definida une-se ao objeto que germina e se expande, e outra, igualmente definida, àquilo que se desvanece e decai.

Mas isso só ocorrerá se o cultivo desses sentimentos for buscado da maneira descrita.

Só é possível descrever aproximadamente como são esses sentimentos.

Na verdade, cada um deve alcançar sua própria concepção deles ao passar por essas experiências interiores.

Aquele que fixou frequentemente sua atenção nos fenômenos de germinar, expandir e florescer sentirá algo remotamente aliado à sensação de um nascer do sol; e

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os fenômenos de desvanecer e decair produzirão nele uma experiência comparável, da mesma maneira, ao surgimento gradual da lua no horizonte.

Ambos esses sentimentos são forças que, quando cuidadosamente cultivadas, com um aperfeiçoamento continuamente crescente, conduzirão aos maiores resultados ocultos.

Para aquele que, repetidas vezes, sistemática e deliberadamente, se entrega a tais sentimentos, um novo mundo se abre.' O mundo "espiritual", o chamado "plano astral", começa a despontar para ele.

Florescer e definhar não são mais fatos que causam impressões vagas, como outrora, mas antes se formam em linhas e figuras espirituais das quais ele nada suspeitara anteriormente.

E essas linhas e figuras têm, para os diferentes fenômenos, formas distintas.

Uma flor que desabrocha, um animal em crescimento, uma árvore em decomposição evocam em sua alma linhas definidas.

O plano astral lentamente se expande

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diante dele.

Nem são essas formas, de modo algum, arbitrárias.

Dois estudantes que se encontram no mesmo estágio de desenvolvimento verão sempre as mesmas linhas e figuras sob as mesmas condições.

Tão certamente quanto uma mesa redonda será vista como redonda por duas pessoas normais — não como redonda por uma e quadrada pela outra —, assim também, diante da percepção de duas almas, uma flor que desabrocha apresentará a mesma forma espiritual.

E assim como as formas de animais e plantas são descritas na história natural comum, também o mestre de uma escola oculta descreve e delineia as formas espirituais dos processos de crescimento e decadência, segundo sua natureza e espécie.

Se o estudante progrediu a ponto de ver tais aspectos dos fenômenos que também são fisicamente observáveis com seus olhos externos, não estará então longe do estágio em que contemplará coisas que não têm existência física.

( 118 )

e que, portanto, devem permanecer inteiramente ocultas àqueles que não passaram por nenhum treinamento na escola oculta.

Deve-se enfatizar que o explorador oculto jamais deveria perder-se em especulações sobre o significado disto ou daquilo.

Por tal intelectualização, ele apenas se afasta do caminho correto.

Ele deveria contemplar o mundo sensorial com frescor, com sentidos sadios e observação aguçada, e então entregar-se às suas próprias sensações.

Não deveria desejar, de maneira especulativa, descobrir o que isto ou aquilo significa, mas antes permitir que as próprias coisas o informem.*

Um ponto adicional de importância é o que se chama, na ciência oculta, de orientação nos mundos superiores. Este ponto é

* Deve-se observar que a percepção artística, quando aliada a uma natureza introspectiva e tranquila, forma a melhor base para o desenvolvimento das faculdades ocultas.

Ela penetra através do aspecto superficial das coisas e, ao fazê-lo, toca seus segredos.

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alcançado quando alguém percebe, com plena consciência, que sentimentos e pensamentos são realidades verdadeiras, tanto quanto o são mesas e cadeiras no mundo dos sentidos físicos.

Sentimentos e pensamentos atuam uns sobre os outros no mundo astral e no mundo do pensamento (ou mental), assim como os objetos dos sentidos atuam uns sobre os outros no mundo físico.

Enquanto alguém não estiver verdadeiramente imbuído dessa percepção, não acreditará que um pensamento maligno projetado de sua mente possa ter um efeito tão devastador sobre outras formas-pensamento quanto aquele causado sobre objetos físicos por uma bala disparada ao acaso.

Tal pessoa talvez nunca se permita realizar uma ação fisicamente visível que considere errada, mas não hesitará em abrigar pensamentos ou sentimentos malignos, pois estes não lhe parecem perigosos para o resto do mundo.

No entanto, só podemos avançar na ciência oculta se

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guardarmos nossos pensamentos e sentimentos exatamente da mesma maneira como tal homem guardaria os passos que dá no mundo físico.

Se alguém vê uma parede diante de si, não tenta atravessá-la de ponta a ponta, mas direciona seu curso ao longo dela.

Em outras palavras, ele se orienta pelas leis do mundo físico.

Existem tais leis também no mundo do pensamento e do sentimento, mas lá elas não podem se impor a nós a partir de fora.

Elas devem fluir da própria vida da alma.

Chega-se a tal condição quando alguém se proíbe, em todos os momentos, de alimentar pensamentos ou sentimentos errados.

Todas as idas e vindas arbitrárias, todas as fantasias ociosas, todos os altos e baixos acidentais da emoção devem ser proibidos da mesma maneira.

Mas, ao fazer isso, não se pense que se provoca uma deficiência de emoção.

Pelo contrário, se regularmos nossa vida interior dessa maneira, rapidamente nos encontraremos ricos em

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sentimentos e em genuína imaginação criativa.

Em lugar de um mero caos de sentimentos mesquinhos e cadeias fantásticas de pensamento, surgem emoções significativas e pensamentos fecundos, e são emoções e pensamentos dessa espécie que conduzem o homem à "orientação no mundo superior". Ele entrou na condição correta para as coisas desse mundo, e elas acarretam para ele consequências definidas.

Assim como o homem físico encontra seu caminho entre as coisas físicas, também agora seu caminho o conduz diretamente entre o crescer e o definhar que ele já chegou a conhecer da maneira descrita acima.

Pois ele acompanha todos os processos de crescimento e florescimento e, por outro lado, de murchamento e decadência — isso é necessário para a prosperidade dele próprio e do mundo.

O estudante ocultista também deve dispensar um cuidado adicional ao mundo do som.

Ele deve distinguir entre os tons

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que são produzidos pelos chamados corpos inertes (sem vida) (por exemplo, um sino, um instrumento musical ou uma massa em queda) e aqueles que procedem de uma criatura viva (um animal ou uma pessoa). Aquele que ouve o soar de um sino receberá o som e a ele ligará uma certa sensação, mas aquele que ouve o grito de um animal, além dessa sensação, tornar-se-á consciente de que o som revela também uma experiência interior do animal, seja de dor ou de prazer.

O estudante está preocupado com este último aspecto do som.

Ele deve concentrar toda a sua atenção sobre ele, de modo que o som lhe revele algo que está fora de sua própria alma e, mais do que isso, deve fundir-se nessa coisa exterior.

Ele deve ligar intimamente sua própria emoção ao prazer ou à dor que lhe são comunicados por meio do som.

Ele não deve se importar se, para ele, o som é agradável ou desagradável, bem-vindo ou não.

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e sua alma deve estar preenchida apenas com aquilo que procede da criatura de quem o som se originou.

Aquele que sistemática e deliberadamente realiza tais exercícios desenvolverá dentro de si a faculdade de se interpenetrar, por assim dizer, com a criatura da qual o som emanou.

Uma pessoa sensível à música achará mais fácil cultivar sua vida espiritual nesse aspecto do que alguém que não é musical, mas ninguém deve pensar que um mero senso musical substituirá essa cultura.

Como estudante de ocultismo, deve-se aprender a contemplar toda a natureza dessa maneira.

Ao fazer isso, uma nova faculdade é semeada no mundo do pensamento e do sentimento.

Através de seus múltiplos sons, toda a Natureza começa a sussurrar segredos ao estudante.

O que até então era meramente um ruído incompreensível para sua alma se tornará, por esse meio, uma linguagem coerente da Natureza.

E enquanto até então ele apenas ouvia o som da ressonância dos chamados objetos inanimados, agora ele compreende uma nova fala da alma.

Se ele avançar nessa cultura da alma, logo aprenderá que pode ouvir o que até então nem sequer suspeitava.

Ele começa a ouvir com a alma.

Mais uma coisa deve ser acrescentada antes que possamos alcançar o ponto mais alto dessa região.

O que é de especial importância no desenvolvimento do estudante é a maneira como ele ouve a fala de outros homens.

Ele deve se acostumar a fazer isso de tal maneira que, ao fazê-lo, seu eu interior permaneça absolutamente quieto.

Se alguém expressa uma opinião e outro a ouve, o eu interior deste último se agitará em assentimento ou contradição geral.

Muitas pessoas, nesse caso, sentem-se impelidas a expressar seu assentimento ou, mais especialmente, sua contradição.

Todo esse assentimento ou contradição deve, no estudante de ocultismo, ser silenciado.

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Não é imperativo que ele, portanto, comece subitamente a tornar sua vida inteiramente diferente, a fim de alcançar essa calma interior e fundamental.

Ele pode, portanto, começar fazendo isso em casos especiais, deliberadamente selecionados por ele mesmo.

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Assim, bem lentamente e por graus, esse novo modo de ouvir se infiltrará em seus hábitos, como que por si mesmo. Nas escolas ocultas, essas coisas são sistematicamente praticadas.

Por questão de prática, o estudante é obrigado a ouvir por um certo período os pensamentos mais contraditórios e, ao mesmo tempo, a suprimir todo assentimento e, mais especialmente, toda crítica adversa.

O ponto é que, dessa maneira, não apenas todo julgamento intelectual é silenciado, mas também todo sentimento de desagrado, negação ou mesmo aceitação.

E o estudante deve estar particularmente vigilante para que tais sentimentos, mesmo que não estejam na superfície, não permaneçam nos recessos mais íntimos da

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alma. Ele deve ouvir, por exemplo, as afirmações de pessoas que em alguns aspectos estão muito abaixo dele e, no entanto, ao fazê-lo, suprimir todo sentimento de maior conhecimento ou de superioridade.

É útil para todos ouvirem dessa maneira as crianças, pois até o mais sábio pode aprender muito, muito mesmo, com as crianças.

Assim acontece que ouvimos as palavras dos outros de modo impessoal, completamente despojados de nossa própria personalidade, com suas opiniões e sentimentos.

Aquele que assim pratica o ouvir sem criticar, mesmo quando uma opinião completamente contraditória é apresentada, aprende repetidamente a fundir-se, a identificar-se, com o ser de outro.

Ele então ouve, por assim dizer, através das palavras e para dentro das almas dos outros.

Somente através do exercício contínuo dessa natureza é que o som se torna o meio adequado para a revelação do espírito e da alma.

Naturalmente, isso implica a mais estrita autodisciplina, mas conduz

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a uma meta elevada.

Quando essas práticas são empreendidas em conexão com aquelas que lidam com os sons da Natureza, a alma desenvolve um novo sentido de audição.

Ela agora é capaz de receber demonstrações do mundo espiritual que não encontram sua expressão em sons externos apreensíveis pelo ouvido físico.

A percepção da "palavra interior" desperta.

Gradualmente, verdades do mundo espiritual se revelam ao estudante, e ele as ouve expressas de maneira espiritual.* Todas as verdades elevadas são alcançadas por meio de tal “incentivo interior”, e o que podemos ouvir dos lábios de um genuíno professor ocultista foi experienciado desta maneira.

* Somente àquele que, ao ouvir desinteressadamente, torna-se capaz de perceber verdadeiramente de dentro, silenciosamente, sem emoção decorrente de opinião pessoal ou gosto pessoal — somente a tal podem falar as Grandes Almas conhecidas no Ocultismo como os Mestres.

Enquanto nossas opiniões e sentimentos estiverem em estado de veemente oposição às comunicações dos Mestres, Eles permanecem em silêncio.

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E ao dizer isso, não se deve supor que seja desimportante familiarizar-se com os escritos sobre ciência oculta, antes que se possa realmente obter esse incentivo interior.

Pelo contrário, a leitura de tais escritos e o ouvir eminentes professores do saber oculto são, eles mesmos, os meios de se alcançar um conhecimento pessoal.

Cada frase da sabedoria esotérica que se ouve é adaptada para direcionar os sentidos àquele ponto que deve ser alcançado antes que a alma possa experimentar um avanço real.

À prática de tudo o que aqui foi indicado, deve-se acrescentar um estudo ardente do que o professor ocultista transmite a todo o mundo.

Em todas as escolas ocultas, tal estudo pertence ao período probatório, e aquele que empregar todos os outros métodos não alcançará nenhuma meta se omitir as instruções do professor ocultista, pois, na medida em que essas instruções procedem de uma real “palavra interior”, um real

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“incentivo”, elas possuem em si mesmas uma vitalidade espiritual.

Não são meras palavras: são poderes vivos; e enquanto você segue as palavras de um ocultista, enquanto lê um livro que provém de uma genuína experiência interior, poderes atuam em sua alma que o tornam clarividente, assim como as forças naturais criaram, a partir da matéria viva, seus olhos e ouvidos.

V

ILUMINAÇÃO

A iluminação é o resultado de processos muito simples.

Aqui também se trata de desenvolver certos sentimentos e pensamentos que estão adormecidos em todos os homens, mas que devem ser despertados.

Somente aquele que realiza esses processos simples com paciência completa, contínua e vigorosamente, pode ser conduzido por eles à recepção da iluminação interior.

O primeiro passo é dado observando diferentes objetos naturais de uma maneira particular; e estes são os seguintes: uma pedra transparente de forma bela (um cristal), uma planta e um animal.

Deve-se esforçar, no início, para dirigir toda a atenção a uma comparação da

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pedra com o animal, da seguinte maneira: Os pensamentos que, acompanhados de fortes emoções, são assim induzidos, devem passar pela alma, e nenhuma outra emoção ou pensamento deve ser misturada a eles, ou perturbar a intensa contemplação.

Então se diz a si mesmo: “A pedra tem uma forma e o animal também tem uma forma.

A pedra permanece imóvel em seu lugar, mas o animal muda o seu.

É o impulso (desejo) que faz o animal mudar de lugar, e são esses impulsos que são servidos pela forma do animal.

Seus órgãos e instrumentos são a expressão desses impulsos.

A forma da pedra, ao contrário, é moldada, não de acordo com impulsos, mas de acordo com uma força sem impulsos.”

O fato aqui mencionado, em sua relação com a contemplação dos cristais, é de muitas maneiras distorcido por aqueles que apenas ouviram falar dele de maneira externa (exotérica), e assim práticas como a cristalomancia têm sua origem.

Deturpações desse tipo

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Se alguém mergulha profundamente em tais pensamentos e, ao fazê-lo, observa a pedra e o animal com atenção fixa, então surgem na alma dois tipos separados de emoção.

Da pedra para a alma flui um tipo de emoção, e do animal outro.

Provavelmente no início o experimento não terá sucesso, mas pouco a pouco, com prática genuína e paciente, essas emoções se tornam manifestas.

Deve-se praticar repetidamente.

No início, as emoções duram apenas enquanto dura a contemplação.

Mais tarde, eles trabalham posteriormente, e então crescem para algo que permanece vivo na alma.

Basta então refletir, e ambas as emoções surgem invariavelmente, independentemente de qualquer contemplação de um objeto externo.

Dessas emoções, e dos pensamentos

são o resultado de um mal-entendido.

Elas foram descritas em muitos livros, mas nunca formam o objeto do ensinamento genuíno (esotérico).

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que estão ligados a elas, formam-se órgãos clarividentes.

Pois se a planta for acrescentada à contemplação, notar-se-á que o sentimento que dela emana, tanto em sua qualidade quanto em seu grau, situa-se entre aquele que emana da pedra e aquele que emana do animal.

Os órgãos assim formados são olhos espirituais.

Aprendemos gradualmente e por meio deles a ver tanto as cores astrais quanto as mentais.

Enquanto se tiver apenas alcançado a condição descrita como Provação, o mundo espiritual com suas linhas e figuras permanece escuro, mas através do Esclarecimento ele se tornará claro.

Deve-se notar aqui que as palavras "escuro" e "claro", bem como as outras expressões comuns, apenas descrevem aproximadamente o que realmente se quer dizer.

Mas se a linguagem comum não for usada, nenhuma outra é possível, e no entanto essa linguagem foi construída apenas para se adequar às condições físicas.

A ciência oculta descreve o que emana

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da pedra e é visto pelos olhos clarividentes, como "azul" ou "vermelho-azulado": aquilo que é observado como vindo do animal é descrito como "vermelho" ou "amarelo-avermelhado". Na realidade, são cores de uma espécie espiritual que são discernidas.

A cor que procede da planta é "verde". As plantas são justamente aqueles fenômenos naturais cujas qualidades nos mundos superiores são semelhantes às suas qualidades no mundo físico.

Mas não é assim com pedras e animais.

Deve-se agora compreender claramente que as cores acima mencionadas apenas sugerem os matizes predominantes da pedra, da planta ou do animal.

Na realidade, todas as variações possíveis existem.

Cada animal, cada pedra, cada planta tem seu próprio matiz peculiar de cor.

Além destes, há também as criaturas dos mundos superiores, que nunca se incorporam com suas próprias cores, frequentemente maravilhosas, frequentemente horríveis.

De fato, a variedade de cores nesses

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mundos superiores é imensuravelmente maior do que no mundo físico.

Se um homem adquiriu uma vez a faculdade de ver com olhos espirituais, ele então, mais cedo ou mais tarde, encontra os seres aqui mencionados, alguns deles superiores, outros inferiores ao próprio homem, seres que nunca entraram na existência física.

Se ele chegou até aqui, o caminho para muito se abre diante dele; mas é desaconselhável prosseguir adiante sem um guia experiente.

Na verdade, para tudo o que foi aqui descrito, tal orientação experiente é desejável.

Quanto ao resto, se alguém tem o poder e a resistência para viajar tão longe que cumpre as condições elementares de iluminação aqui descritas, ele certamente buscará e descobrirá seu guia.

Mas, sob todas as circunstâncias, é importante dar um aviso, e aquele que não o aplicar fará melhor em deixar intocados

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todos os passos da ciência oculta.

É necessário que aquele que deseja tornar-se um estudante ocultista não perca nenhum de seus atributos como um homem bom e nobre, e alguém suscetível a todas as verdades físicas.

Na verdade, durante todo o seu aprendizado, ele deve continuamente aumentar sua força moral, sua pureza interior e seus poderes de observação.

Demos um exemplo: Durante as práticas preliminares da Iluminação, o estudante deve ter cuidado de estar sempre ampliando sua simpatia com os mundos animal e humano, e seu senso da beleza da Natureza.

Se ele não tiver cuidado em fazer isso, ele persistentemente embota esse senso e esse sentimento pelo uso dessas práticas.

O coração se tornaria frio e o senso se embotaria, e isso só poderia levar a resultados perigosos.

Como a iluminação procede, se alguém se eleva, no sentido das práticas anteriores, da pedra, da planta e do animal, até o homem, e como, depois

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iluminação, sob todas as circunstâncias, a mão suave do Piloto chega em certo dia e conduz à Iniciação — destas coisas tratará o próximo capítulo, na medida em que puder e lhe for permitido fazê-lo.

Em nosso tempo, o caminho para a ciência oculta é buscado por muitos.

É buscado de várias maneiras, e muitas práticas perigosas e até mesmo condenáveis são tentadas.

Por isso, aqueles que conhecem algo da verdade concernente a estas coisas permitiram que parte do treinamento oculto fosse comunicada.

Apenas o quanto esta permissão permite é aqui transmitido, e é necessário que algo da verdade seja conhecido a fim de que possa contrabalançar o grande perigo desses erros.

Se nada for forçado, não há perigo para aquele que segue o caminho já descrito; apenas uma coisa deve ser notada: ninguém deve gastar mais tempo ou energia em tais práticas do que aquilo que está à sua disposição, com a devida consideração às

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suas circunstâncias e aos seus deveres.

Ninguém, por causa do caminho oculto, deve mudar subitamente qualquer coisa nas condições externas de sua vida.

Se alguém deseja resultados genuínos, deve ter paciência; deve ser capaz de cessar a prática após alguns minutos e, então, continuar pacificamente o seu trabalho diário, e nenhum pensamento dessas práticas deve ser misturado com o trabalho do dia.

Aquele que não aprendeu a esperar, no melhor e mais elevado sentido da palavra, não serve como estudante ocultista, nem jamais alcançará resultados de muito valor real.

Aquele que está em busca dos caminhos para o conhecimento oculto, pelos meios que foram indicados nas páginas anteriores, deve fortalecer-se durante todo o curso de seus esforços com um certo pensamento.

Ele deve sempre ter em mente que, após perseverar por algum tempo, pode ter feito progresso muito real sem tornar-se consciente disso da maneira exata que

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ele havia esperado.

Aquele que não se lembra disso provavelmente perderá o ânimo e, em pouco tempo, abandonará seus esforços por completo.

As faculdades e poderes mentais que estão para ser desenvolvidos são, a princípio, da mais sutil natureza, e sua índole difere inteiramente das concepções que deles se formam na mente do estudante.

Ele estava acostumado a ocupar-se apenas com o mundo físico.

Os mundos mental e astral eludiam seu olhar e desafiavam suas concepções.

Não é, portanto, de admirar que, a princípio, ele não consiga perceber as novas forças, mentais e astrais, que se desenvolvem em seu próprio ser.

É por isso que é perigoso entrar no caminho que conduz ao conhecimento oculto sem a orientação de um guia experiente.

O mestre vê o progresso realizado pelo discípulo muito antes de este tornar-se consciente dele.

Ele vê os delicados órgãos da visão espiritual começarem a formar-se, antes que o discípulo tenha consciência

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de sua existência, e grande parte dos deveres do mestre consiste em vigilância perpétua, para que o discípulo não perca a confiança, a paciência e a perseverança, antes de se tornar consciente do seu próprio progresso.

O mestre, como sabemos, não pode conferir ao estudante poderes que já não estejam latentes dentro dele, e sua única função é auxiliar no despertar das faculdades adormecidas.

Mas ele pode ser uma coluna de força para aquele que se esforça por penetrar através das trevas até a luz.

Há muitos que abandonam o caminho oculto logo após nele pôr os pés, porque não se tornam imediatamente conscientes do seu próprio progresso.

E mesmo quando as experiências superiores começam a despontar no buscador, ele tende a considerá-las ilusões, porque as antecipara de maneira bastante diferente.

Ele perde a coragem, seja porque considera essas primeiras experiências sem valor, seja porque elas lhe parecem tão insignificantes que ele não

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tem esperança de que conduzam a resultados apreciáveis em um tempo mensurável.

Coragem e autoconfiança são as duas lâmpadas que jamais devem ser deixadas a se apagar na senda para o oculto.

Aquele que não pode repetir pacientemente um exercício que falhou por um número aparentemente ilimitado de vezes jamais irá longe.

Muito antes de qualquer percepção distinta de progresso, surge uma impressão mental inarticulada de que o caminho certo foi encontrado.

Este é um sentimento a ser acolhido e encorajado, pois pode desenvolver-se em um guia confiável.

Acima de tudo, é imperativo extirpar a ideia de que quaisquer práticas fantásticas e misteriosas são necessárias para a obtenção de experiências superiores.

Deve ser claramente compreendido que os sentimentos e pensamentos humanos comuns do dia a dia devem formar a base a partir da qual se deve partir, e que é apenas necessário dar a esses pensamentos e sentimentos uma nova

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direção.

Cada um deve dizer a si mesmo: "Na minha própria esfera de pensamentos e sensações estão encerrados os mais profundos mistérios, mas até agora não fui capaz de percebê-los." No final, tudo se resolve no fato de que o homem, ordinariamente, carrega consigo corpo, alma e espírito, porém está consciente apenas do corpo, não da alma e do espírito, e que o estudante alcança uma consciência semelhante também da alma e do espírito.

Portanto, é de suma importância dar a direção adequada aos pensamentos e sentimentos, a fim de que se possa desenvolver a percepção daquilo que é invisível na vida ordinária.

Um dos caminhos pelos quais esse desenvolvimento pode ser realizado será agora indicado.

Novamente, como quase tudo o mais que explicamos até agora, é uma questão bastante simples.

Contudo, os resultados são das maiores consequências, se o experimento for realizado com perseverança e no devido estado de espírito.

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Coloque diante de si a pequena semente de uma planta.

É então necessário, enquanto se contempla esse objeto insignificante, criar com intensidade o tipo certo de pensamentos e, através desses pensamentos, desenvolver certos sentimentos.

Em primeiro lugar, que o estudante compreenda claramente o que é realmente apresentado à sua visão.

Que ele descreva a si mesmo a forma, a cor e todas as outras qualidades do grão de semente.

Então, que sua mente se detenha na seguinte linha de pensamento: "Este grão de semente, se plantado no solo, crescerá e se tornará uma planta de estrutura complexa." Que ele visualize claramente essa planta para si mesmo.

Que ele o construa em sua imaginação.

E então reflita que o objeto, existente agora apenas em sua imaginação, será em breve trazido à existência física real pelas forças da terra e da luz.

Se a coisa por ele contemplada fosse um objeto artificialmente feito, ainda que uma imitação tão próxima da natureza

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que nenhuma diferença externa pudesse ser detectada pela visão humana, nenhuma força inerente à terra ou à luz poderia produzir a partir dela uma planta.

Aquele que compreende profundamente esse pensamento e o assimila interiormente também será capaz de formar a seguinte ideia com o sentimento correto.

Ele dirá a si mesmo: “Aquilo que, em última instância, há de brotar desta semente já está, como força, agora secretamente envolvido nela. A duplicata artificial da semente não contém tal força.

E, no entanto, ambas parecem ser iguais aos meus olhos.

A semente real contém, portanto, algo invisível que não está presente na imitação.” É nesse algo invisível que o pensamento e o sentimento devem agora ser concentrados. Que o estudante compreenda plenamente

Qualquer um que objetasse que um exame microscópico revelaria a diferença entre as duas apenas demonstraria que não compreendeu a intenção do experimento.

A intenção não é investigar a estrutura física do objeto, mas usá-lo como um meio para o desenvolvimento da força psíquica.

BIBLIOTECA

( 145 )

que esse algo invisível, mais tarde, se traduzirá em uma planta visível, perceptível por ele em forma e cor.

Que ele se detenha no pensamento: “O invisível se tornará visível.

Se eu não pudesse pensar, então não poderia perceber, já agora, aquilo que somente se tornará visível mais tarde.”

Ênfase particular deve ser dada à importância de sentir com intensidade aquilo que se pensa.

Na calma da mente, um único pensamento deve ser vitalmente experimentado dentro de si mesmo, à exclusão de todas as influências perturbadoras.

Tempo suficiente deve ser tomado para permitir que o pensamento, e o estado de sentimento a ele relacionado, se tornem, por assim dizer, incrustados na alma.

Se isso for realizado da maneira correta — possivelmente não antes de inúmeras tentativas — uma força interior se fará sentir.

E essa força criará novos poderes de percepção.

O grão de

semente aparecerá como se estivesse envolto em uma pequena

( 146 )

nuvem luminosa.

A visão espiritualizada do estudante o percebe como uma espécie de chama.

Essa chama é de cor lilás no centro e azul nas bordas.

Então aparece aquilo que não se podia ver antes, e que foi criado pelo poder do pensamento e do sentimento trazidos à vida dentro de si mesmo.

Aquilo que era fisicamente invisível (a planta que só se tornará visível mais tarde) ali se revelou ao olho espiritual.

É perdoável se, para muitos homens, tudo isso parecer mera ilusão.

Muitos dirão: "Qual é o valor de tais visões ou tais alucinações?" E muitos assim se desviarão e não mais continuarão a trilhar o caminho.

Mas este é precisamente o ponto importante — não confundir, nesse estágio difícil da evolução humana, a realidade espiritual com as meras criações da fantasia, e ter a coragem de avançar virilmente, em vez de se tornar tímido e desanimado.

Por outro lado, po-

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rém, é necessário insistir na necessidade de manter íntegra, e de cultivar perpetuamente, a atitude mental sadia que é requerida para distinguir a verdade da ilusão.

Nunca, durante todos esses exercícios, o estudante deve renunciar ao controle plenamente consciente de si mesmo.

Ele deve continuar a pensar de maneira tão sólida e sensata nessas condições quanto o faz com relação às coisas e ocorrências da vida comum.

Seria uma coisa ruim se ele caísse em devaneios.

Ele deve, a cada momento, estar lúcido e sóbrio, e seria o maior erro se o estudante, por meio de tais práticas, perdesse seu equilíbrio mental, ou se fosse impedido de julgar com a mesma sanidade e clareza de antes os assuntos da vida cotidiana.

O discípulo deve, portanto, examinar-se repetidamente para descobrir se permaneceu inalterado em relação às circunstâncias entre as quais vive, ou

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se porventura perdeu o equilíbrio mental.

Ele deve manter sempre uma calma serenidade dentro de sua própria individualidade, e uma mente aberta para tudo, tendo o cuidado, ao mesmo tempo, de não se deixar levar por devaneios vagos nem de experimentar toda sorte de exercícios.

As linhas de desenvolvimento aqui indicadas pertencem àquelas que têm sido seguidas, e cuja eficácia foi demonstrada nas escolas de ocultismo desde as eras mais remotas, e somente tais serão aqui apresentadas.

Qualquer pessoa que tente empregar métodos de meditação por si mesma concebidos, ou que tenha encontrado no curso de leituras indiscriminadas, será inevitavelmente desencaminhada e se perderá em um pântano sem limites de fantasias incoerentes.

Um exercício adicional que pode suceder ao acima descrito é o seguinte: Que o discípulo se coloque diante de uma planta que tenha atingido o estágio de

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pleno desenvolvimento.

Agora, que sua mente seja absorvida pela reflexão de que se aproxima o tempo em que esta planta murchará e morrerá.

“Nada,” deveria ele dizer a si mesmo, “nada do que agora vejo diante de mim perdurará.

Mas esta planta terá produzido sementes que, por sua vez, crescerão em novas plantas.

Torno-me novamente consciente de que, no que vejo, algo está oculto que não posso ver.

Encherei minha mente inteiramente com o pensamento de que esta forma vegetal, com suas cores, cessará de existir. Mas a reflexão de que a planta produziu sementes me ensina que ela não desaparecerá no nada.

Aquilo que impedirá esse desaparecimento, não posso presentemente ver com meus olhos, assim como originalmente não podia discernir a planta no grão de semente.

A planta, portanto, contém algo que meus olhos são incapazes de ver.

Se esse pensamento viver plenamente em mim e se combinar com o estado de sentimento correspondente, então, no devido tempo, desenvolver-se-á novamente

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uma força em minha alma que amadurecerá em um novo tipo de percepção.” Da planta surge uma vez mais uma aparência semelhante a uma chama, que é, naturalmente, correspondentemente maior do que aquela anteriormente descrita.

Esta chama é esverdeada no centro e tingida de amarelo na borda externa.

Aquele que conquistou esta visão ganhou muito, pois vê as coisas não apenas em seu estado atual de ser, mas também em seu desenvolvimento e decadência.

Ele começa a ver em todas as coisas o espírito, do qual os órgãos corporais da visão não têm percepção alguma.

E ele deu assim os passos iniciais naquele caminho que, gradualmente, o habilitará a resolver, por visão direta, o segredo do nascimento e da morte.

Para os sentidos externos, um ser começa a existir no seu nascimento e cessa de existir na sua morte.

Isto, porém, apenas assim parece, porque esses sentidos são incapazes de apreender o espírito oculto.

Nascimento

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e morte são apenas, para esse espírito, transformações, assim como o desabrochar da flor a partir do botão é uma transformação encenada diante de nossos olhos físicos.

Mas, se alguém deseja alcançar a percepção direta desses fatos, deve primeiro despertar a visão espiritual pelos meios aqui indicados.

A fim de responder a uma objeção que possa ser levantada por certas pessoas já possuidoras de alguma experiência psíquica, admita-se desde logo que há caminhos mais curtos e mais simples do que este, e que há pessoas que têm percepção direta das realidades do nascimento e da morte, sem terem tido de passar por todas as etapas de disciplina aqui expostas.

Há seres humanos dotados de elevadas faculdades psíquicas, para os quais apenas um ligeiro impulso é necessário para o desenvolvimento desses poderes.

Mas eles são excepcionais, e os métodos acima descritos são mais seguros e capazes de aplicação geral.

( 152 )

Da mesma forma, é possível obter algum conhecimento de química por métodos especiais; mas, para tornar mais segura a ciência da química, o curso reconhecido e confiável deve ser seguido.

Um erro repleto de graves consequências resultaria da suposição de que a meta poderia ser alcançada mais simplesmente permitindo que a mente se detivesse meramente numa planta imaginária ou num grão de semente.

Pode ser possível, por tais meios, evocar uma força que habilitaria a alma a alcançar a visão interior.

Mas essa visão será, na maioria dos casos, mera fantasia da imaginação, pois o objetivo principal não é criar arbitrariamente uma visão mental, mas permitir que a verdadeira natureza das coisas forme uma imagem na mente de cada um.

A verdade deve brotar das profundezas da própria alma, mas o necromante que há de evocar a verdade não deve ser o eu comum, e sim os próprios objetos da per-

( 153 )

cepção devem exercer seu poder mágico, para que se perceba sua realidade interior.

Depois que o discípulo houver desenvolvido, por tais meios, os rudimentos da visão espiritual, poderá proceder à contemplação da própria natureza humana.

As simples aparências da vida ordinária devem ser escolhidas primeiro.

Mas antes de fazer qualquer tentativa nessa direção, é imperativo que o estudante se esforce por uma absoluta sinceridade de caráter moral.

Ele deve banir todos os pensamentos de jamais usar o discernimento a ser alcançado por esses meios para seu próprio benefício pessoal.

Deve estar absolutamente decidido a que, sob nenhuma circunstância, se valerá, em sentido maligno, de qualquer poder que possa adquirir sobre seus semelhantes.

Essa é a razão pela qual todo aquele que deseja obter discernimento direto dos segredos da natureza humana deve seguir a regra de ouro do verdadeiro Ocultismo.

E a regra de ouro é esta: Para cada passo que

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deres na busca do conhecimento oculto, dá três passos no aperfeiçoamento do teu próprio caráter.

Quem obedece a essa regra pode realizar exercícios como o que agora será explicado. Começa por observar uma pessoa tomada pelo desejo de algum objeto.

Dirige tua atenção a esse desejo.

É melhor escolher um momento em que esse desejo esteja no auge, e quando ainda não seja certo se o objeto do desejo será alcançado ou não.

Então entrega-te inteiramente à contemplação daquilo que observas, mas mantém a máxima tranquilidade interior da alma.

Faze todo esforço para permanecer surdo e cego a tudo o que possa ocorrer ao teu redor ao mesmo tempo, e lembra-te particularmente de que essa contemplação deve evocar um estado de sentimento em tua alma.

Permita que este estado de sentimento se eleve em sua alma, como uma nuvem que se ergue em um horizonte de outra forma sem nuvens.

É de se es-

( 155 )

perar, naturalmente, que sua observação seja interrompida, porque a pessoa sobre a qual ela está dirigida não permanecerá neste estado de espírito particular por um período de tempo suficiente.

Presumivelmente, você falhará em seu experimento centenas e centenas de vezes.

É simplesmente uma questão de não perder a paciência.

Após muitas tentativas, você finalmente realizará o estado de sentimento acima mencionado tão rapidamente quanto os fenômenos mentais correspondentes atravessam a alma da pessoa sob observação.

Após algum tempo, você começará a notar que esse sentimento em sua própria alma está evocando o poder da visão espiritual para dentro da condição psíquica do outro.

Uma imagem luminosa aparecerá em seu campo de visão.

E essa imagem luminosa é a chamada manifestação astral evocada pelo estado de desejo quando sob observação.

Novamente, podemos descrever essa imagem como tendo aparência de chama.

É amarelo-avermelhada no centro e avermelhada-

( 156 )

azulada ou lilás nas bordas.

Muito depende de tratar tais experiências da visão interior com grande delicadeza.

Será melhor para você, a princípio, não falar delas com ninguém, exceto com seu mestre, se você tiver um.

A tentativa de descrever tais aparições em palavras apropriadas geralmente apenas leva a um grosseiro autoengano.

Empregam-se termos comuns que não se aplicam a tais propósitos e, portanto, são muito grosseiros e desajeitados.

A consequência é que a própria tentativa de revestir essa visão em palavras leva, inconscientemente, a mesclar a experiência real com uma liga de detalhes imaginários.

É, portanto, outra lei importante para o investigador ocultista que ele saiba observar o silêncio a respeito de suas visões interiores.

Observe o silêncio até mesmo para consigo mesmo.

Não se esforce para expressar em palavras aquilo que você vê, nem para sondá-lo com faculdades racionais que são inadequadas.

Entregue-se livremente a

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essas impressões espirituais, sem reservas mentais, e sem perturbá-las pensando demais sobre elas.

Pois deveis lembrar que vossas faculdades de raciocínio não eram, a princípio, de modo algum iguais às vossas faculdades de observação.

Adquiristes essas faculdades de raciocínio através de experiências até agora confinadas exclusivamente ao mundo tal como apreendido por vossos sentidos físicos, e as faculdades que agora estais adquirindo transcendem essas experiências.

Não tenteis, portanto, medir vossas percepções novas e superiores pelo antigo padrão.

Somente aquele que já alcançou alguma certeza em sua observação de experiências interiores deve falar sobre elas com a ideia de, assim, estimular seus semelhantes.

Como exercício suplementar, o seguinte pode ser apresentado.

Dirigi vossa observação da mesma maneira sobre um semelhante a quem a realização de algum

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desejo, a gratificação de alguma aspiração, acaba de ser concedida.

Se as mesmas regras e precauções forem adotadas como no caso anterior, alcançareis mais uma vez a percepção espiritual.

Distinguireis uma aparência semelhante a uma chama, que é amarela no centro e esverdeada nas bordas.

Por tais observações dos semelhantes, pode-se facilmente ser levado a uma falta moral — pode-se tornar-se pouco caridoso.

Todos os meios concebíveis devem ser empregados para combater essa tendência.

Qualquer pessoa que exerça tais poderes de observação deve ter-se elevado ao nível em que se está absolutamente convencido de que os pensamentos são coisas reais.

Não poderá então mais permitir-se admitir pensamentos incompatíveis com a mais alta reverência pela dignidade da vida humana e da liberdade humana.

Nem por um momento deve ele acalentar a ideia de considerar um ser humano como mero objeto de observação.

Deve ser o objetivo da autoeducação

( 159 )

assegurar que as faculdades para uma observação psíquica da natureza humana andem de mãos dadas com o pleno reconhecimento dos direitos de cada indivíduo.

Aquilo que habita em cada ser humano deve ser considerado algo sagrado e inviolável por nós, mesmo em nossos pensamentos e sentimentos.

Devemos ser possuídos por um sentimento de temor reverente por tudo o que é humano.

Por ora, apenas esses dois exemplos podem ser dados sobre os métodos pelos quais se pode alcançar uma visão da natureza humana, mas eles servirão ao menos para indicar o caminho que deve ser seguido.

Aquele que tiver conquistado a tranquilidade e o repouso interiores, indispensáveis para tais observações, já terá, por isso mesmo, sofrido uma grande transformação.

Isso logo chegará ao ponto em que o aumento de seu valor espiritual se manifestará na confiança e na compostura de seu comportamento exterior.

Por sua vez, essa alteração

( 160 )

em seu comportamento reagirá favoravelmente sobre sua condição interior, e assim ele poderá ajudar a si mesmo a avançar ainda mais no caminho.

Ele encontrará meios e modos de penetrar cada vez mais nos segredos da natureza humana, ocultos aos nossos sentidos externos, e então se tornará maduro para uma visão mais profunda das misteriosas correlações entre a natureza do homem e tudo o mais que existe no universo.

Seguindo esse caminho, o discípulo se aproximará cada vez mais do dia em que será considerado digno de dar os primeiros passos da iniciação; mas, antes que esses possam ser dados, uma coisa ainda é necessária.

A princípio, pode não ser nada evidente ao estudante por que isso seria necessário, mas ele não poderá deixar de se convencer disso no final.

A qualidade indispensável àquele que deseja ser iniciado é uma certa medida de coragem e destemor.

Ele

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deve absolutamente sair de seu caminho para encontrar oportunidades de desenvolver essas virtudes.

Nas escolas ocultas, elas são cultivadas de modo bastante sistemático; mas a vida, nesse aspecto, é em si mesma uma excelente escola de ocultismo, e, possivelmente, a melhor.

Enfrentar o perigo com calma, tentar superar as dificuldades com firmeza inabalável — é isso que o estudante deve aprender a fazer; por exemplo, diante de algum perigo, ele deve elevar-se de imediato à concepção de que os temores são totalmente inúteis e não devem ser alimentados por um só momento, mas que a mente deve simplesmente concentrar-se no que precisa ser feito.

Ele deve alcançar um ponto em que se tenha tornado impossível para

para que ele jamais volte a sentir medo ou a perder a sua coragem.

Pela autodisciplina nessa direção,

ele desenvolverá dentro de si qualidades bem distintas

de que necessita, se quiser ser

iniciado nos mistérios superiores.

Assim

como o homem, em seu ser físico, requer

força nervosa para usar os seus sentidos

( 162 )

físicos, assim também, em sua natureza psíquica, ele requer a força que só é produzida no corajoso e no destemido.

Pois, ao penetrar nos mistérios superiores, ele verá coisas que estão ocultas da humanidade comum pelas ilusões dos sentidos.

Estas últimas, ao ocultarem de nosso olhar as verdades superiores, são na realidade nossas benfeitoras, pois nos impedem de perceber aquilo que, se fosse percebido sem a devida preparação, nos lançaria em inexprimível consternação — coisas que não poderíamos suportar contemplar.

O discípulo deve ser capaz de suportar essa visão.

Ele perde certos apoios no mundo exterior, que se deviam precisamente às ilusões que o cercavam.

É verdadeira e literalmente como se sua atenção fosse subitamente atraída para um certo perigo pelo qual, por algum tempo, ele já havia sido ameaçado inconscientemente.

Ele não sentia medo até então, mas agora que vê o seu perigo, é tomado pelo terror.

( 163 )

Embora o perigo não tenha se tornado maior por seu conhecimento dele.

As forças em ação no mundo são tanto destrutivas quanto criativas.

O destino dos seres manifestados é o nascimento e a morte.

O Iniciado deve contemplar essa marcha do destino.

O véu que, no curso ordinário da vida, obscurece os olhos espirituais, deve então ser erguido.

O homem, porém, está ele próprio entrelaçado com essas forças, com esse destino.

Sua própria natureza contém poderes destrutivos e criativos.

Tão desveladamente quanto os outros objetos de sua visão são revelados ao olho do vidente, a sua própria alma é exposta ao seu olhar.

Diante desse autoconhecimento, o discípulo não deve permitir-se esmorecer, e nisso só terá êxito se tiver trazido consigo um excesso da força necessária.

Para que isso seja possível, ele deve aprender a manter calma interior e confiança nas circunstâncias mais difíceis;

{ 164 }

ele deve nutrir dentro de si uma fé firme nas forças benéficas da existência.

Ele deve estar preparado para descobrir que muitos motivos que o impeliram até agora não mais o impelirão.

Ele precisa perceber que até então frequentemente pensou ou agiu de certa maneira porque ainda estava nas garras da ignorância.

Razões como aquelas que antes o influenciavam agora desaparecerão.

Ele fez muitas coisas por vaidade pessoal; agora perceberá quão totalmente fútil é toda essa vaidade aos olhos do Iniciado.

Ele agiu muito por motivos de avareza; agora estará ciente do efeito destrutivo de toda avareza.

Ele terá de desenvolver fontes inteiramente novas para seu pensamento e ação, e é para isso que se requerem coragem e intrepidez.

Trata-se especialmente de cultivar essa coragem e essa intrepidez nas profundezas mais íntimas da vida mental.

O

{ 165 }

discípulo deve aprender a nunca desesperar.

Ele deve sempre estar à altura do pensamento: "Esquecerei que falhei novamente neste assunto.

Tentarei mais uma vez como se nada tivesse acontecido." Assim, ele abrirá caminho até a firme convicção de que o universo contém fontes inesgotáveis de força das quais ele pode beber.

Ele deve aspirar repetidas vezes ao Divino, que o elevará e o sustentará, por mais frágil e impotente que a parte mortal de seu ser possa se mostrar.

Ele deve ser capaz de avançar rumo ao futuro, sem se deixar abater por quaisquer experiências do passado.

Todo professor de Ocultismo verificará cuidadosamente até que ponto o discípulo, que aspira à iniciação nos mistérios superiores, avançou no caminho da preparação espiritual.

Se ele cumprir essas condições até certo ponto, então será digno de ouvir pronunciados aqueles Nomes das coisas que formam a chave que desbloqueia o conhecimento superior.

Pois

{ 166 }

A Iniciação consiste neste próprio ato de aprender a conhecer as coisas do universo por aqueles Nomes que elas possuem no espírito do seu Divino Autor.

E o mistério das coisas reside nesses Nomes.

Por isso é que o Iniciado fala uma língua diferente daquela do não iniciado, pois o primeiro conhece os Nomes pelos quais as coisas foram chamadas à existência.

VI

INICIAÇÃO

O ponto mais elevado numa escola oculta, do qual seja possível falar num livro para leitores em geral, é a Iniciação.

Não se pode dar informação pública sobre tudo o que está além, embora o caminho para isso possa sempre ser encontrado por aquele que anteriormente avançou e penetrou nos segredos e mistérios inferiores.

O conhecimento e o poder que são conferidos a um homem através da Iniciação não poderiam ser obtidos de nenhuma outra maneira, exceto num futuro muito distante, após muitas encarnações, por um caminho bastante diferente e sob uma forma bastante diferente.

Aquele que é iniciado hoje ex-

( 168 )

perimenta algo que, de outro modo, teria de experimentar num período muito posterior e sob circunstâncias bastante diferentes.

É justo que uma pessoa aprenda dos segredos da natureza apenas tanto quanto corresponda ao seu próprio grau de desenvolvimento, e somente por essa razão é que obstáculos barram seu caminho para o conhecimento e o poder completos.

Não se deve confiar às pessoas o uso de armas de fogo até que tenham tido experiência suficiente para garantir que não as usarão de forma danosa ou descuidada.

Se uma pessoa, sem a preparação necessária, fosse iniciada hoje, faltar-lhe-iam aquelas experiências que, no curso normal do seu desenvolvimento, viriam a ela no futuro durante outras encarnações e então trariam consigo os segredos correspondentes.

À porta da Iniciação, essas experiências devem, portanto, ser supridas de alguma outra maneira, e em seu

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lugar o candidato tem de passar pelo ensino preliminar.

Estes são os chamados "provas" que têm de ser superadas.

Estas provações estão sendo agora discutidas em várias revistas e livros, mas, devido à sua própria natureza, não é surpreendente que impressões bastante falsas sobre elas sejam recebidas.

Pois aqueles que ainda não passaram pelos períodos de Provação e Iluminação nada viram dessas provações e, consequentemente, não podem descrevê-las adequadamente.

Certos assuntos ou temas relacionados aos mundos superiores são apresentados diante do candidato, mas ele só consegue ver e ouvir esses quando pode perceber claramente as figuras, tons e cores, para os quais foi preparado pelos ensinamentos sobre Provação e Iluminação.

A primeira provação consiste em obter uma compreensão mais clara dos atributos corpóreos das coisas inanimadas, depois das plantas, dos animais, dos seres humanos (da maneira como a pessoa comum os possui). Isso não significa o que comumente se chama de "conhecimento científico"; com isso não tem conexão, mas tem a ver com intuição.

O que ocorre geralmente é que o Iniciado revela ao candidato como os objetos da natureza e a essência dos seres vivos se manifestam à audição e à visão espiritual e mental.

De certa forma, essas coisas então se apresentam reveladas — nuas — diante do observador.

Atributos e qualidades que estão ocultos aos olhos e ouvidos físicos podem então ser vistos e ouvidos.

Até então, eles estiveram envoltos como que por um véu, e a queda desse véu para o candidato ocorre no que se chama o Processo de Purificação pelo Fogo.

A primeira provação é, portanto, conhecida como a "Prova do Fogo".

Para algumas pessoas, a vida comum de todos os dias é um processo de iniciação mais ou menos inconsciente por meio da Prova do Fogo.

Essas pessoas são aquelas que passaram por uma riqueza de experiências em desenvolvimento e que descobrem que sua autoconfiança, coragem e fortaleza foram grandemente aumentadas de maneira normal — que aprenderam a suportar a dor e a decepção, oriundas do fracasso de seus empreendimentos, com grandeza de espírito, e especialmente com força calma e inabalável.

Aqueles que passaram por tais experiências são frequentemente iniciados, sem o saberem, e basta pouco para abrir-lhes a audição e a visão espirituais — para torná-los clarividentes.

Pois deve-se notar que uma genuína Prova de Fogo não se destina meramente a satisfazer a curiosidade do candidato.

Ele aprenderia, sem dúvida, muitas coisas incomuns, das quais outros, desprovidos de tais experiências, não podem ter ideia; mas esse conhecimento não é o fim ou o objetivo, e sim apenas o caminho para o fim.

( 172 )

O verdadeiro propósito e objetivo é este — que o candidato adquira para si mesmo, por meio desse conhecimento dos mundos superiores, uma autoconfiança maior e mais verdadeira, uma coragem mais elevada e mais nobre, e uma perseverança, uma atitude de espírito, totalmente diferente daquela que ele poderia ter obtido no mundo inferior.

Após a Prova de Fogo, um candidato pode sempre voltar atrás; mas, por ter passado por ela, ele retomará sua vida, fortalecido em todas as suas relações espirituais e físicas, e em sua próxima encarnação continuará a buscar a iniciação.

Em sua vida presente, de todo modo, ele se mostrará um membro mais útil da sociedade, será de maior serviço à humanidade do que era antes, e, em qualquer posição em que se encontre, sua firmeza, prudência e influência favorável sobre seus semelhantes terão aumentado grandemente.

Mas se, após sair da Prova de Fogo, ele desejar continuar na

( 173 )

escola oculta, terá então de ser instruído em um certo sistema de escrita que é usado por aqueles que estão na escola.

Os ensinamentos ocultos são escritos nesse sistema de escrita oculta, porque o que é verdadeiramente oculto não pode ser perfeitamente expresso em palavras de nossa fala comum, nem apresentado pelas maneiras comuns de escrever.

Aqueles que aprenderam com os Iniciados procuram traduzir os ensinamentos do Ocultismo, o melhor que podem, para os termos da fala comum.

Os símbolos ou sinais da escrita secreta não são inventados ou imaginados arbitrariamente, mas correspondem a poderes que são ativos e eficazes no mundo.

É por meio desses símbolos ou sinais que se aprende a linguagem de tais assuntos.

O candidato vê imediatamente por si mesmo que esses símbolos correspondem às figuras, tons e cores que aprendeu a perceber durante os períodos de Provação e Iluminamento.

Ele agora

( >74  )

compreende que tudo o que veio antes era apenas como aprender a soletrar, e que somente agora ele começa a ler nos mundos superiores.

Tudo o que lhe aparecia antes como figuras, tons e cores separados, agora se lhe revela como uma unidade perfeita, uma harmonia coerente, e agora, pela primeira vez, ele alcança uma certeza real em observar e seguir os mundos superiores.

Até então, não lhe era possível ter a certeza de que o que via havia sido clara ou corretamente percebido.

Agora, também, é possível, por fim, que uma compreensão correta, nas esferas do conhecimento superior, comece a surgir entre o candidato e o Iniciado.

Pois, por mais estreita que seja a ligação entre os dois, por mais que assuma qualquer forma o seu intercâmbio na vida comum, o Iniciado só pode comunicar-se com o candidato, nesses planos, na forma direta ou nas figuras do alfabeto secreto.

( 175  )

Através dessa fala oculta, o estudante também aprende certas regras de conduta para a vida, certos deveres e obrigações, dos quais, antes, nada sabia.

Quando ele aprende a conhecê-los, é capaz de realizar ações que têm um significado e um sentido tais como as ações de quem não é iniciado jamais podem possuir.

O único ponto de vista a partir do qual ele agora pode olhar as coisas, o único plano a partir do qual pode agora manifestar seus feitos, é o dos mundos superiores.

Instruções concernentes a tais feitos só podem ser lidas, ou compreendidas, na escrita secreta.

Contudo, deve ser enfatizado e claramente apreendido que há pessoas que, inconscientemente, têm a habilidade ou faculdade de realizar essas ações, não obstante nunca tenham estado em uma escola oculta.

Tais "auxiliadores da humanidade e do mundo" prosseguem bendita e beneficentemente pela vida.

Há certas

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razões fundamentais, que não podem ser aqui discutidas, pelas quais eles estão de posse de dons aparentemente sobrenaturais.

A diferença entre essas pessoas e os alunos de uma escola oculta é apenas que os primeiros agem inconscientemente, mas os últimos com pleno conhecimento, discernimento, julgamento e compreensão de todo o assunto em questão.

O candidato conquista por meio do treinamento o que foi concedido ao seu semelhante por um Poder Superior, para o bem da humanidade.

Deve-se honrar livre e abertamente esses favorecidos de Deus; mas não se deve, por causa deles, considerar o trabalho das escolas ocultas desnecessário ou supérfluo.

Agora que o estudante aprendeu a "linguagem do Mistério", ainda o aguarda outra prova.

Por meio dela, ele deve provar se consegue mover-se com liberdade e certeza nos mundos superiores.

Na vida comum, um homem será impelido a ações por motivos e condições exteriores.

Ele trabalha nisto ou naquilo porque certos deveres lhe são impostos pelas circunstâncias externas.

Dificilmente

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precisa ser mencionado que o estudante ocultista não deve, de modo algum, negligenciar qualquer um dos deveres ligados à sua vida comum por estar trabalhando em uma escola oculta e nos mundos superiores.

Nenhum de seus deveres ali pode obrigá-lo a tratar com desatenção ou descuido qualquer um de seus deveres no mundo inferior.

O pai permanecerá tão bom pai para sua família, a mãe tão boa mãe, e nem o oficial, nem o soldado, nem qualquer outro será afastado de seus deveres necessários por acaso serem estudantes em uma escola oculta.

Pelo contrário, todas as qualidades que tornam os homens capazes são aumentadas a um grau do qual o não iniciado não pode formar ideia alguma.

Que isso nem sempre pareça ser o caso aos olhos do não iniciado é

( 178 )

meramente devido ao fato de que ele nem sempre tem a capacidade de julgar ou criticar corretamente o Iniciado.

As ações deste último nem sempre são inteiramente inteligíveis para o primeiro.

Mas, como dissemos antes, isso só acontece em certos casos.

Para aquele que chegou aos chamados "Graus de Iniciação", há agora deveres a serem cumpridos para os quais nenhum estímulo externo é dado.

Ele não será movido a fazer essas coisas por pressão externa, mas por aquelas regras de conduta que lhe foram comunicadas na linguagem do mistério.

Nesta segunda provação, ele deve provar que, guiado por tais regras de conduta, pode agir por impulsos interiores tão firmemente quanto um oficial cumpre seus deveres obrigatórios.

Para esse fim, o mestre apresentará ao discípulo certas tarefas definidas.

Este último deve agora executar alguma ação em consequência de observações feitas com base no que aprendeu durante a Provação

( 179 )

e a Iluminação.

Ele deve encontrar o caminho para o que agora deve realizar, por meio da linguagem do mistério, que a essa altura já lhe é familiar.

Se ele discernir seu dever e o executar corretamente, terá suportado a provação, e reconhecerá o êxito que acompanha o cumprimento da tarefa pela maneira modificada com que os olhos e ouvidos espirituais agora apreendem as figuras, os tons e as cores.

O mestre ocultista lhe diz claramente como estes devem aparecer após a consumação da provação, e o candidato deve saber como pode efetuar essa mudança.

Esta provação é conhecida como a "Prova da Água", porque, em consequência de sua realização ocorrer nos planos superiores, aquele apoio que de outra forma teria sido recebido das condições externas é agora retirado.

Os movimentos de alguém são como os que são feitos na água por quem está aprendendo a nadar.

Ele não sente apoio sob seus

( 180 )

pés.

Essa prática deve ser frequentemente repetida até que o candidato alcance absoluto equilíbrio e segurança.

Essas provações também dependem de uma qualidade que é produzida pelas experiências nos mundos superiores.

O candidato cultiva essa qualidade em uma extensão que, em tão pouco tempo, ele não poderia possivelmente alcançar enquanto se desenvolvesse pelo caminho comum, mas só poderia atingir após muitas encarnações.

Para efetuar a mudança aqui mencionada, a seguinte é a principal necessidade: O candidato deve ser inteiramente guiado pelo que lhe foi comprovado pelo cultivo de suas faculdades superiores, pelos resultados de sua leitura nas cifras secretas.

Caso ele, durante essas experiências, tente introduzir quaisquer de suas próprias opiniões ou desejos, ou caso se desvie por um momento das leis e regras que comprovou serem corretas, ocorrerá algo bem diferente do que se

( ISI )

pretende.

Em tais casos, o candidato perde de vista a meta para a qual esses assuntos são empreendidos, e o resultado é apenas confusão.

Ele tem, portanto, múltiplas oportunidades, durante essas provações, para o desenvolvimento do autocontrole, e esta é, de fato, a principal qualidade necessária.

Essas provações são, portanto, muito mais facilmente suportadas por aqueles que, antes da iniciação, passaram por uma vida que lhes permitiu adquirir domínio sobre si mesmos.

Aqueles que desenvolveram a característica de seguir seus princípios e ideais superiores sem pensar em honra ou desejo pessoal, que discernem sempre o dever a ser cumprido, ainda que as inclinações e simpatias estejam com demasiada frequência prontas a conduzi-los por outro caminho, já são, em meio à vida cotidiana, iniciados inconscientes.

Eles precisam de pouco para conseguir êxito nas provações prescritas.

Na verdade, pode-se dizer que uma certa medida de iniciação, assim

( 182 )

inconscientemente adquirida na vida, será absolutamente necessária antes de se entrar na segunda provação.

Pois, assim como muitos que durante a juventude não aprenderam a escrever ou soletrar encontram grande dificuldade em aprendê-lo nos anos posteriores, assim também é difícil desenvolver, meramente a partir de um conhecimento dos mundos superiores, o grau necessário de autocontrole, se já não se adquiriu uma certa medida dele no curso da vida ordinária.

As coisas do mundo físico não se alteram, por mais que as desejemos, mas nos mundos superiores os nossos desejos, inclinações e anseios são causas que produzem efeitos.

Se desejamos provocar mudanças particulares nesses mundos, devemos nos manter em absoluto controle, devemos seguir o princípio correto, devemos subjugar inteiramente a vontade pessoal.

Há um atributo que, nesta etapa da iniciação, deve ser especialmente considerado — uma faculdade bastante sadia e segura

( 183 )

de julgamento.

A atenção deve ser dirigida à educação dessa faculdade durante todas as etapas anteriores, e no curso delas deve-se comprovar se o candidato desenvolveu essa qualidade suficientemente para torná-lo apto a trilhar o caminho do verdadeiro conhecimento.

O progresso ulterior só lhe é agora possível se ele for capaz de distinguir a ilusão, a superstição, as fantasias insubstanciais e toda sorte de coisas tais, das verdadeiras realidades.

A princípio, isso é muito mais difícil de realizar nos estágios superiores da existência do que nos inferiores.

Todo preconceito, toda opinião acalentada a respeito dessas questões, em qualquer conexão que seja, deve desaparecer.

Somente a verdade deve guiar.

Deve haver perfeita disposição para abandonar de imediato qualquer opinião, ideia ou inclinação existente, quando a ideia lógica o exigir. A certeza absoluta nos mundos superiores só é obtida quando nunca se impõem as próprias opiniões.

( )

Pessoas cujo modo de pensar as inclina à fantasia, ao preconceito e coisas afins não podem progredir no caminho oculto.

Em verdade, é um tesouro glorioso que o estudante ocultista deve alcançar.

Toda dúvida quanto aos mundos superiores lhe será removida.

Em toda a sua lei, eles se revelarão ao seu olhar.

Mas enquanto ele estiver vendado, não poderá conquistar essas alturas e compensações.

Seria, de fato, infeliz para ele se suas fantasias e superstições se apoderassem de seu intelecto e razão.

Sonhadores e pessoas inclinadas a fantasias são tão impróprios para o caminho oculto quanto os supersticiosos; pois em sonhos, fantasias e superstições espreitam os inimigos mais perigosos na estrada para o conhecimento.

Mas porque no portal que conduz à segunda prova estão escritas as palavras.

"Todos os preconceitos devem cair"; porque o candidato já viu sobre os portais que se lhe abriram a primeira prova.

(185)

as palavras, "Sem um senso comum normal, todos os vossos esforços são em vão", — contudo não é necessário pensar que a capacidade de inspiração e entusiasmo, e toda a poesia da vida, se perde para o estudante de Ocultismo.

Se ele estiver agora suficientemente adiantado, uma terceira prova aguarda o candidato.

Nenhum objetivo, nenhumas linhas de fronteira, lhe são aqui estabelecidos.

Tudo é deixado inteiramente em suas próprias mãos.

Ele se encontra numa condição em que nada o causa ou induz a agir.

Ele deve encontrar o caminho por sua própria iniciativa e de dentro de si mesmo.

Condições ou pessoas que poderiam tê-lo estimulado à ação já não estão ali.

Nada e ninguém pode dar a força que ele agora necessita, senão ele mesmo, sozinho.

Se ele não encontrar essa força dentro de si, muito em breve se verá de pé onde estava antes; mas deve-se notar que muito poucos daqueles que suportaram as provas anteriores falharão neste ponto em

(186)

encontrar a força necessária.

Ou já terão retrocedido, ou poderão suportar também neste ponto.

A única coisa necessária é a capacidade de tomar uma resolução rapidamente.

Pois aqui, no mais verdadeiro sentido da frase, deve-se encontrar a si mesmo.

Em todos os assuntos, deve-se resolver rapidamente a ouvir as sugestões, as inspirações do espírito.

Não se tem tempo para dúvida ou demora.

Cada momento de hesitação acrescentaria à prova de que ainda não se estava pronto.

Tudo o que impede alguém de ouvir a voz do espírito deve ser corajosamente conquistado.

É inteiramente uma questão de provar a presença de espírito, e é a esse atributo que se deve prestar atenção durante todos os estágios anteriores de desenvolvimento.

Todas as tentações de agir, ou mesmo de pensar, que até então assaltavam um homem, devem agora cessar; mas para que ele não resvale na inação, não deve perder o domínio sobre si mesmo.

Pois somente em si mesmo pode ele encontrar aquele

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ponto central seguro em que pode confiar.

Ninguém, sem maior familiaridade com o assunto, deveria sentir antipatia por este princípio de autonegação.

Para aquele que suportou as provações já descritas, ele indica a mais perfeita felicidade.

E nisto, como nas outras etapas antes mencionadas, para muitas pessoas, a própria vida cotidiana pode ser uma escola oculta.

Pessoas que chegaram ao ponto de serem capazes, quando subitamente confrontadas com alguma tarefa ou problema que exige ação imediata, de chegar a uma resolução rápida, de agir sem demora ou consideração pessoal, de fato, passaram por sua instrução oculta na vida cotidiana.

A situação que se deseja sugerir é aquela em que uma ação bem-sucedida é impossível, a menos que a pessoa envolvida compreenda todo o assunto e aja imediatamente.

Ele é rápido para agir quando a desgraça está à vista, quando um momento de hesitação pode produzir uma

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catástrofe; e aquele que possui as qualidades que podem ser desenvolvidas em um atributo permanente de tal natureza, já evoluiu, sem o saber, o grau de maturidade necessário para a terceira provação.

Pois, como já foi observado, nesta etapa tudo depende do desenvolvimento da presença de espírito.

Nas escolas ocultas, esta provação é conhecida como a "Prova do Ar", porque, ao submetê-la, o candidato não pode apoiar-se nem no solo firme, nem em qualquer causa externa, nem naquilo que aprendeu na Provação e na Iluminação a partir das figuras, tons e cores, mas somente em si mesmo.

Se o estudante oculto suportou estas provações, então lhe é permitido entrar no Templo da Sabedoria Superior." Tudo o que pode ser dito ainda sobre este assunto só pode ser transmitido nos menores indícios e sugestões.

Aquilo que agora deve ser realizado tem sido tão frequentemente posto em

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palavras que muitos dizem que o pupilo tem aqui de fazer um "juramento", prometendo não trair nada que venha do mestre.

No entanto, essas expressões "juramento" e "traição" não são de modo algum apropriadas, mas apenas enganosas.

Não se trata de um juramento no sentido comum da palavra, mas sim de uma experiência que ocorre nesta etapa.

Aqui o candidato aprecia o verdadeiro valor dos mestres ocultos e o seu lugar no serviço à humanidade.

Por fim, ele começa a compreender o mundo corretamente.

Não se trata tanto de "reter" as verdades superiores agora aprendidas, mas muito mais de sustentá-las da maneira correta e com o tato necessário.

Aquilo sobre o que se aprende a "guardar silêncio" é algo bastante diferente.

Adquire-se a posse desse fino atributo em relação a muitas coisas sobre as quais anteriormente se falava, e especialmente em relação à maneira como se falava delas.

Contudo, seria

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um mau Iniciado aquele que não colocasse todas as suas experiências místicas, tão adequada e tão amplamente quanto possível, a serviço da humanidade.

O único obstáculo à comunicação em tais assuntos é o mal-entendido da pessoa que a recebe. Acima de tudo, os segredos superiores não se permitem ser falados promiscuamente, mas a nenhum daqueles que passou pelos passos de desenvolvimento acima descritos é realmente proibido falar desses assuntos.

Ninguém é solicitado a fazer um juramento negativo, mas tudo é colocado sob a própria responsabilidade.

O que realmente se aprende é a descobrir dentro de si mesmo o que deve ser feito em todas as circunstâncias, e o "juramento" nada mais significa do que isto: que alguém é considerado qualificado para ser confiado com tal responsabilidade.

Se o candidato é considerado apto, então lhe é dado o que é chamado, simbolicamente, "o trago do esquecimento". Isso significa

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que ele será iniciado no conhecimento secreto que o capacita a agir sem ser continuamente perturbado pela memória inferior.

Isso é absolutamente necessário para o Iniciado, pois ele deve possuir plena fé no presente imediato.

Ele deve ser capaz de destruir aquele véu de memória que se estende ao redor da humanidade cada vez mais espesso a cada momento da vida.

Se alguém julga algo que lhe acontece hoje, de acordo com as experiências de ontem, fica sujeito, ao fazê-lo, a uma multidão de erros.

Naturalmente, não se pretende que o leitor pense que se deva renunciar a toda a experiência adquirida na vida.

Deve-se sempre mantê-la em mente o mais firmemente possível.

Mas, como Iniciado, deve-se reter a capacidade de julgar cada nova experiência de fora de si mesmo, não obscurecida por todas as experiências passadas.

Deve-se estar preparado, a cada momento, para que uma coisa ou ser novo traga a

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si uma nova revelação.

Se alguém julga o novo pelo padrão do antigo, cai necessariamente em erro.

Por essa mesma razão, a memória das experiências passadas é útil, pois elas tornam a pessoa capaz de ver o novo.

Se não se tivesse passado por uma certa experiência, provavelmente não se teria visto de modo algum os atributos deste ou daquele ser ou coisa; mas tais experiências devem apenas capacitar a discernir o novo, e de nenhuma maneira fazer com que se julgue pelo antigo.

Dessa forma, o Iniciado obtém certas qualidades definidas, e por meio delas muitas coisas lhe são reveladas, enquanto permanecem ocultas para os não iniciados.

O segundo elixir que é dado ao Iniciado é o "elixir da lembrança". Ao recebê-lo, ele se torna capaz de manter os segredos superiores sempre presentes na alma.

A memória comum não seria suficiente para garantir isso; é

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preciso estar absolutamente em unidade com as verdades superiores.

Não se deve apenas conhecê-las, mas ser capaz, naturalmente, de manifestá-las e administrá-las em ações vivas, assim como um homem comum come e bebe.

Elas devem se tornar a prática, as inclinações, os hábitos de alguém.

Deve ser desnecessário pensar nelas conscientemente (no sentido usual da palavra); elas devem se tornar parte de si mesmo e se expressar através do próprio ser; devem fluir através de alguém, assim como as correntes de vida percorrem o organismo.

Assim devemos nos tornar tão perfeitos em um sentido espiritual quanto a natureza nos fez em um sentido físico.

VII

A EDUCAÇÃO SUPERIOR DA ALMA

Se um homem realiza a cultura de seus pensamentos, sentimentos e emoções da maneira já descrita nos capítulos sobre Provação, Iluminação e Iniciação, ele então efetua uma mudança em sua alma tal como a Natureza efetuou em seu corpo.

Antes desse treinamento, alma e espírito são massas indiferenciadas.

Em tal estado, o vidente os perceberá como nuvens entrelaçadas, girando em espiral, e tendo geralmente um brilho opaco de cor avermelhada ou vermelho-acastanhada, ou, talvez, de vermelho-amarelada; mas após essa cultura eles começam a assumir uma cor brilhante verde-amarelada ou

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amarelo-azulada, e tornam-se de estrutura regular.

Um homem alcança tal regularidade de estrutura, e ao mesmo tempo o conhecimento superior, quando ele traz para a região de seus pensamentos, sentimentos e emoções, uma ordem tal como a Natureza trouxe para seus órgãos corporais, por meio da qual ele pode ver, ouvir, digerir, respirar, falar, e assim por diante.

Gradualmente o estudante aprende, por assim dizer, a respirar, a ver com a alma, e a falar e ouvir com o espírito.

Nas páginas seguintes, apenas alguns dos pontos práticos referentes à educação superior da alma e do espírito serão tratados mais plenamente.

Eles são tais que podem ser praticamente alcançados por qualquer um sem instrução adicional, e por meio dos quais um passo adiante na ciência oculta pode ser dado.

Um tipo particular de disciplina deve ser pacientemente tentado.

Toda emoção de impaciência produz um efeito paralisante, e até

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mesmo mortificante, sobre as faculdades superiores latentes dentro de nós. Não se deve esperar que vislumbres imensuráveis dos mundos superiores se abram diante de alguém de um dia para o outro, pois certamente, como regra, isso não ocorre.

Contente com a menor conquista, o repouso e a tranquilidade devem possuir cada vez mais a alma.

É concebível, é claro, que o aprendiz espere resultados impacientemente, mas ele não alcançará nada enquanto não dominar essa impaciência.

Tampouco adianta lutar contra essa impaciência da maneira comum, pois então ela se tornará mais forte do que nunca.

É assim que os homens se enganam a si mesmos, pois, em tal caso, ela se enraíza ainda mais profundamente nas profundezas da alma.

É somente ao render-se repetidamente a um único pensamento definido, e ao torná-lo absolutamente seu, que algo é realmente alcançado.

Deve-se pensar: "Certamente devo fazer tudo

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o que for possível para a cultura da alma e do espírito, mas aguardarei tranquilamente até que, por poderes superiores, eu seja considerado digno de iluminação definida." Quando esse pensamento se torna tão poderoso em um homem que é um traço real em seu caráter, ele está trilhando o caminho certo.

Esse traço se expressará então até mesmo nos assuntos externos.

O olhar dos olhos torna-se tranquilo; os movimentos do corpo tornam-se seguros; as resoluções definidas; e tudo o que chamamos de suscetibilidade nervosa gradualmente desaparece.

Regras que parecem triviais e insignificantes devem ser levadas em consideração.

Por exemplo, suponha que alguém nos afronte. Antes dessa educação oculta, teríamos dirigido nosso ressentimento contra o ofensor; teria havido uma onda de raiva dentro de nós. Mas, em tal caso, o estudante oculto pensará consigo mesmo: "Uma afronta desse tipo não pode fazer diferença para o meu valor", e tudo o que deve ser feito para enfrentar a

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afronta, ele realiza com calma e compostura, não com paixão.

Para ele, não se trata de como uma afronta deve ser suportada, mas, sem hesitação, ele é levado a punir uma afronta à sua própria pessoa exatamente como se ela tivesse sido feita a outro, caso em que se tem o direito de ressenti-la. Deve-se sempre lembrar que o treinamento oculto é aperfeiçoado não por processos externos grosseiros, mas por alterações sutis e silenciosas na vida do pensamento e da emoção.

A paciência tem um efeito atrativo, a impaciência um efeito repulsivo, sobre os tesouros do conhecimento superior.

Nas regiões superiores do ser, nada pode ser alcançado por pressa e inquietação.

Acima de todas as coisas, o desejo e o anseio devem ser silenciados, pois essas são qualidades da alma diante das quais todo conhecimento superior recua.

Por mais precioso que este conhecimento possa ser considerado, não se deve desejar antecipar o tempo de sua chegada.

Aquele que deseja

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tê-lo por si mesmo jamais o alcançará. Antes de tudo, exige-se que se seja verdadeiro consigo mesmo no mais íntimo da alma.

Não se deve ali ser enganado por coisa alguma; deve-se enfrentar, face a face e com absoluta veracidade, as próprias faltas, falhas e inadequações.

No momento em que tentais desculpar perante vós mesmos qualquer uma de vossas fraquezas, colocastes um obstáculo no caminho que deve conduzir-vos para o alto.

Tais obstáculos só podem ser removidos pela auto-iluminação.

Há apenas um modo de nos livrarmos de nossas faltas e fraquezas, e esse é o de apreciá-las corretamente.

Tudo o que é necessário jaz latente na alma humana e pode ser evocado.

É até possível a um homem melhorar seu entendimento e sua razão, se, em repouso, ele tornar claro para si mesmo por que é fraco nesse aspecto.

O autoconhecimento dessa espécie é naturalmente difícil, pois a tentação de enganar a si mesmo é imensurável-

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mente grande.

Aquele que está acostumado a ser verdadeiro consigo mesmo abriu os portais para uma visão mais profunda.

Toda curiosidade deve afastar-se do estudante.

Ele deve desapegar-se, tanto quanto possível, de indagações sobre assuntos dos quais deseja saber apenas para a gratificação de sua sede pessoal de conhecimento.

Ele deve perguntar a si mesmo somente quais coisas o auxiliarão no aperfeiçoamento de seu ser mais íntimo para o serviço da evolução geral.

Contudo, seu deleite no conhecimento e sua devoção a ele não devem, em nenhum grau, relaxar-se.

Ele deve ouvir devotamente tudo o que contribui para tal fim, e deve buscar toda oportunidade de fazê-lo.

Para essa cultura interior, é especialmente necessário que a vida de desejos seja cuidadosamente educada.

Não se deve tornar completamente destituído de desejo, pois se havemos de alcançar algo, é necessário que o desejemos, e um desejo

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sempre será cumprido se uma força especial estiver por trás dele. Essa força particular resulta de um conhecimento correto: "Não deseje de modo algum até que conheça as verdadeiras condições de qualquer esfera." Essa é uma das regras de ouro para o estudante ocultista.

O homem sábio primeiro verifica as leis do mundo, e então seus desejos tornam-se poderes que se realizam por si mesmos.

Consideremos um exemplo no qual o efeito é evidente.

Certamente há muitos que gostariam de aprender por sua própria intuição algo sobre sua vida antes do nascimento.

Tal desejo é totalmente inútil e não leva a resultado algum enquanto a pessoa em questão não tiver adquirido um conhecimento das leis que regem a natureza do Eterno, e um conhecimento delas em seu caráter mais sutil e íntimo.

Mas se ele realmente adquiriu esse conhecimento e então deseja avançar, ele é capaz de fazê-lo por meio de seu desejo elevado e purificado.

Além disso, não adianta dizer a si mesmo:

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"Sim, examinarei imediatamente minha vida anterior e aprenderei com esse mesmo objetivo em vista." Deve-se antes estar pronto para abandonar esse desejo, eliminá-lo por completo, e aprender, antes de tudo, sem considerar esse objetivo.

Deve-se cultivar a devoção ao que se aprende sem considerar tal fim.

É somente então que se começa a possuir o desejo que estamos considerando, de tal maneira que ele conduz ao seu próprio cumprimento.

Se alguém está zangado ou irritado, uma muralha se ergue no mundo espiritual, e aquelas forças que abririam os olhos da alma são excluídas.

Por exemplo, se alguém me aborrece, essa pessoa envia uma corrente para o mundo da alma.

Enquanto se é capaz de se aborrecer, não se pode ver essa corrente.

O próprio aborrecimento a obscurece. Mas tampouco se deve supor que, quando não se sente mais aborrecido, se verá uma visão astral.

Para isso é indispensável que o olho da

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alma já esteja desenvolvido; mas a capacidade para esse tipo de visão está latente em todos.

É verdade que, enquanto se é capaz de se irritar, ela permanece inoperante; mas, ao mesmo tempo, ela não se apresenta imediatamente tão logo se tenha superado, em pequena medida, esse sentimento de irritação.

É preciso perseverar na luta contra tal sentimento e progredir pacientemente: então, um dia, descobrir-se-á que esse olho da alma se desenvolveu.

Naturalmente, a irritação não é a única qualidade com a qual temos de lutar antes de atingir esse fim.

Muitas pessoas tornam-se impacientes ou céticas, porque combateram durante anos certas qualidades da alma e, contudo, a clarividência não sobreveio.

Elas apenas desenvolveram algumas qualidades e permitiram que outras crescessem desordenadamente.

O dom da clarividência manifesta-se primeiramente quando todas aquelas qualidades que não permitem o desenvolvimento das faculdades latentes

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são suprimidas.

Sem dúvida, os primórdios de tal audição e visão podem aparecer em período anterior, mas são apenas rebentos jovens e tenros, sujeitos a todos os erros possíveis, e que, se não forem cuidadosamente cultivados, podem morrer rapidamente.

Entre as qualidades que, como a ira e o aborrecimento, têm de ser combatidas, incluem-se a ambição, a timidez, a curiosidade, a superstição, a presunção, a doença do preconceito, um amor desnecessário à fofoca e a distinção entre os seres humanos segundo meras marcas exteriores de posição, sexo, raça e assim por diante.

Em nosso tempo, é difícil para as pessoas compreender que o combate a tais qualidades possa ter qualquer conexão com um aumento da capacidade de conhecimento.

Mas todo devoto do Ocultismo sabe que muito mais depende de tais questões do que da expansão do intelecto ou do emprego de práticas artificiais.

É

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particularmente fácil que surja um mal-entendido neste ponto, visto que muitos acreditam que se deva cultivar a temeridade porque é preciso ser destemido; que se deva ignorar por completo as diferenças entre os homens porque se tem de combater os preconceitos de raça, posição e assim por diante.

Somente quando se aprende a apreciar corretamente essas diferenças é que se deixa de estar enredado em preconceitos.

Mesmo no sentido usual, é verdade que o medo de qualquer fenômeno impede que se o avalie corretamente; que um preconceito racial impede que se olhe para a alma de um homem.

O estudante de Ocultismo deve aperfeiçoar seu senso comum em toda a sua exatidão e sutileza.

Até mesmo tudo o que um homem diz sem ter pensado claramente colocará um obstáculo no caminho de sua educação oculta.

Ao mesmo tempo, devemos aqui considerar um ponto que só pode ser elucidado mediante um exemplo.

Assim,

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se alguém disser algo ao qual se deva responder, deve-se cuidar de considerar antes a intenção, os sentimentos, até mesmo os preconceitos dessa outra pessoa, do que aquilo que se tem a dizer no momento sobre o assunto em discussão.

Em outras palavras, o estudante deve aplicar-se intensamente ao cultivo de um certo tato fino.

Ele deve aprender a julgar o quanto pode significar para essa outra pessoa se sua opinião for contrariada.

Mas não deve, por essa razão, reter a própria opinião.

Isso não deve ser imaginado por um instante sequer.

Deve-se dar ao interlocutor a mais cuidadosa audição possível e, a partir do que se ouviu, formular a própria resposta.

Em tais casos, há um certo pensamento que retornará constantemente ao estudante, e ele está trilhando o verdadeiro caminho se esse pensamento se tornar tão vital dentro dele que cresça até se tornar um traço de seu caráter.

O pensamento é o seguinte: "Não é uma questão de

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minha visão ser diferente da dele, mas sim se ele descobrirá a visão correta por si mesmo, se eu puder contribuir com algo para isso." Por pensamentos dessa espécie, o modo de agir e o caráter do estudante serão permeados de gentileza, uma das qualidades mais essenciais para a recepção do ensinamento oculto.

A aspereza apenas espanta aquela imagem interna que deve ser evocada pelo olho da alma, mas pela gentileza são os obstáculos removidos do caminho e os órgãos internos abertos.

Junto com essa gentileza, outro traço logo se desenvolverá na alma.

Ele fará uma avaliação serena de todas as sutilezas na vida da alma ao seu redor, sem considerar as emoções de sua própria alma.

E se essa condição for alcançada, as emoções da alma no ambiente de qualquer pessoa terão tal efeito sobre ele que a alma dentro dele cresce e, crescendo, torna-se organizada, como uma planta

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se expande sob a luz do sol.

Gentileza e reserva silenciosa, e junto com estas a verdadeira paciência, abrem a alma para o mundo das almas, e o espírito para a região dos espíritos.

Persevere no repouso e no retiro; feche os sentidos àquilo que eles lhe trouxeram antes de você iniciar seu treinamento; leve ao silêncio absoluto todos aqueles pensamentos que, de acordo com seus hábitos anteriores, eram agitados para cima e para baixo dentro de você; torne-se inteiramente quieto e silencioso interiormente, espere com paciência, e então os mundos superiores começarão a desenvolver a visão de sua alma e a audição de seu espírito.

Não suponha que você verá e ouvirá imediatamente nos mundos da alma e do espírito, pois tudo o que você está fazendo apenas ajuda o desenvolvimento de seus sentidos superiores, e você não poderá ver com a alma e ouvir com o espírito antes de ter adquirido esses sentidos.

Quando você tiver perseverado por um tempo no repouso e no retiro, então vá

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aos seus afazeres diários, tendo primeiramente gravado em sua mente o pensamento: "Algum dia, quando eu estiver pronto, alcançarei o que devo alcançar." Finalmente: "Não faça nenhuma tentativa de atrair quaisquer desses poderes superiores a você por um esforço da vontade." Estas são instruções que todo estudante de ocultismo recebe de seu mestre na entrada do Caminho.

Se ele as observar, então aperfeiçoa a si mesmo; e se não as observar, todo o seu trabalho é em vão; mas elas são difíceis de realizar apenas para aquele que não tem paciência e perseverança.

Não existem outros obstáculos senão aqueles que cada um cria para si mesmo, e estes podem ser evitados por qualquer pessoa, se ela realmente o desejar. É necessário insistir continuamente neste ponto, porque muitas pessoas formam uma concepção totalmente equivocada da dificuldade que se encontra no caminho do ocultismo.

Em certo sentido, é mais fácil realizar os primeiros passos

deste caminho do que é, para alguém que não tenha re-

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cebido instrução oculta, livrar-se das dificuldades da vida cotidiana.

Além

disso, deve-se compreender que somente tais coisas são aqui transmitidas que não apresentam perigo para a saúde da alma ou do corpo.

Existem certos outros caminhos que conduzem mais rapidamente à meta, mas não convém tratá-los publicamente, porque podem, por vezes, produzir certos efeitos sobre o homem que exigiriam a intervenção imediata de um professor expe-

riente e, em todo caso, requereriam sua supervisão contínua.

Agora, como algo acerca desses caminhos mais rápidos frequentemente se impõe à publicidade, torna-se necessário advertir expressamente contra a entrada neles sem orientação pessoal.

Por razões que somente os iniciados podem compreender, nunca será possível dar instrução pública concernente a esses outros caminhos em sua forma real, e os fragmentos que aqui e ali aparecem jamais

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conduzirão a algo proveitoso, mas podem facilmente resultar na ruína da saúde, da fortuna e da paz de espírito.

Aquele que não deseja colocar-se no poder de certas forças obscuras, cuja natureza e origem ele nada pode conhecer, faria muito melhor em evitar intrometer-se em tais assuntos.

Algo pode aqui ser acrescentado concernente ao ambiente no qual as práticas da instrução oculta devem ser empreendidas.

Pois isso não é sem importância, embora para quase todo homem o caso seja diferente.

Aquele que pratica em um ambiente que está apenas preenchido de interesses egoístas, como, por exemplo, a luta moderna pela existência, deve estar certo de que esses interesses não deixam de exercer sua influência sobre o desenvolvimento de seus órgãos espirituais.

É verdade que as leis internas desses órgãos são tão poderosas que essa influência não pode ser fatalmente prejudicial.

Assim como um lírio, ainda que colocado em um ambiente, por mais inadequado que seja, nunca pode

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tornar-se um cardo, também o olho da alma jamais pode crescer para algo além do seu fim destinado, mesmo que esteja sujeito à influência das cidades modernas.

Mas é bom que, sob todas as circunstâncias, o estudante busque de vez em quando, para o seu ambiente, a quietude, a dignidade interior, a doçura da própria Natureza.

Especialmente afortunadas são as condições daquele que consegue realizar sua instrução oculta inteiramente no mundo verde das plantas, ou entre as montanhas ensolaradas, ou no delicioso entrelaçar das coisas simples.

Isso desenvolve os órgãos internos em uma harmonia que jamais pode estar presente em uma cidade moderna.

Ele também está em situação mais favorável do que o mero citadino que, durante sua infância ao menos, pôde respirar o perfume dos pinheiros, contemplar os picos nevados ou observar a silenciosa atividade das criaturas dos bosques e dos insetos.

Contudo, ninguém que seja obrigado a viver em uma cidade deve deixar de dar à sua alma e ao seu

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espírito em evolução o nutrimento que provém das palavras inspiradas dos poderosos mestres da humanidade.

Aquele que não pode, a cada primavera, acompanhar dia após dia o desabrochar do bosque verdejante, deve, em seu lugar, absorver em seu coração as doutrinas sublimes do Bhagavad Gita, ou do Evangelho de São João, ou de Tomás de Kempis.

Há muitos caminhos para o cume da visão interior, mas uma seleção correta é indispensável.

O adepto do ocultismo poderia, de fato, dizer muito sobre esses caminhos — muito que poderia parecer estranho a um ouvinte não iniciado.

Por exemplo, suponha que alguém tenha avançado muito ao longo do caminho oculto: ele pode estar de pé à própria entrada da visão da alma e da audição do espírito, e então tem a boa fortuna de atravessar o oceano pacífico, ou talvez o tempestuoso, e uma venda cai dos olhos de sua alma.

De repente, ele pode ver; de repente, alcança a visão.

Outro, talvez, tenha

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avançou tanto que essa bandagem apenas precisa ser afrouxada, e por algum golpe do destino isso ocorre.

Em outra pessoa, esse mesmo golpe poderia, na verdade, ter o efeito de paralisar suas faculdades e minar sua energia, mas para o estudante oculto ele se torna a ocasião de sua iluminação.

Talvez um terceiro tenha perseverado pacientemente por anos, sem nenhum resultado marcante.

De repente, enquanto está tranquilamente sentado em seu aposento silencioso, a luz o envolve, as paredes se tornam transparentes, desaparecem, e um novo mundo se expande diante de seus olhos abertos, ou se torna audível ao seu espírito desperto.

VIII

AS CONDIÇÕES DO DISCIPULADO

As condições para a entrada numa escola oculta não são de natureza a serem formuladas por alguém de maneira arbitrária.

Elas são o resultado natural do conhecimento oculto.

Assim como um homem jamais se tornará pintor se não escolher manejar o pincel, ninguém pode receber treinamento oculto se não estiver disposto a cumprir as exigências apresentadas pelo professor oculto.

Na verdade, o professor nada pode dar além de conselhos, e é como tais que tudo o que ele afirma deve ser considerado.

Ele já trilhou

o caminho probatório que conduz ao

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conhecimento dos mundos superiores.

Pela experiência, ele sabe o que é necessário, e tudo depende do livre-arbítrio de cada pessoa em particular se ela escolhe seguir o mesmo caminho ou não.

Se alguém, sem a intenção de satisfazer as condições, exigisse treinamento oculto de um professor, tal exigência equivaleria a dizer: "Ensina-me a pintar, mas não me peças para manejar o pincel." O professor oculto nunca dá um passo adiante, a menos que esteja de acordo com o livre-arbítrio do receptor.

Mas deve-se enfatizar que um desejo geral por conhecimento superior não é suficiente, e muitos provavelmente terão tal desejo.

Com aquele que possui apenas esse vago desejo, e não está preparado para aceitar as condições especiais do professor oculto, este, por enquanto, nada pode fazer.

Isso deve ser lembrado por aqueles que se queixam de que os professores ocultos não "vão ao seu encontro". Aquele que não pode,

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ou não quiser, cumprir as severas condições necessárias, deve, por ora, abandonar o treinamento oculto.

É verdade que as condições são, de fato, severas, e, no entanto, não são difíceis, pois o seu cumprimento não só deve ser, mas tem de ser, um ato inteiramente voluntário.

Para aquele que não se lembra disso, é fácil que as exigências do instrutor oculto pareçam uma coerção da alma ou da consciência; pois o treinamento aqui mencionado fundamenta-se num desenvolvimento da vida interior, e é trabalho do instrutor dar conselhos a respeito dele. E, contudo, se algo é exigido como resultado de livre escolha, não pode ser considerado um grilhão.

Se alguém diz ao instrutor: "Dai-me os vossos segredos, mas deixai-me minhas sensações, sentimentos e pensamentos habituais", está então fazendo uma exigência impossível.

Tal pessoa não deseja mais do que satisfazer sua curiosidade, sua sede de conhecimento, e

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por alguém que assume uma atitude como essa, o conhecimento oculto jamais poderá ser obtido.

Consideremos agora, em sua devida ordem, as condições do discipulado.

Deve-se enfatizar que o cumprimento completo de qualquer uma dessas condições não é de modo algum exigido, mas apenas o esforço em direção a tal cumprimento.

Ninguém pode cumprir plenamente essas condições, mas o caminho que conduz ao seu cumprimento pode ser trilhado por todos.

É a vontade que importa, a atitude assumida ao entrar no caminho.

1. A primeira condição é a direção da atenção para o avanço da saúde corporal e espiritual.

Naturalmente, o discipulado não depende, em primeiro lugar, da saúde de um homem, mas todos podem se esforçar para melhorar nesse aspecto, e somente de um homem saudável pode provir uma percepção saudável.

Nenhum instrutor oculto recusaria um homem que não é saudável, mas exige-se que o

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aluno tenha o desejo por uma vida saudável.

Nesse aspecto, ele deve alcançar a maior independência possível.

Os bons conselhos de outros, que, embora geralmente não solicitados, são recebidos por todos, são, via de regra, supérfluos.

Cada um deve esforçar-se por cuidar de si mesmo. Do aspecto físico, será mais uma questão de afastar influências prejudiciais do que qualquer outra coisa.

Pois, ao cumprir o próprio dever, muitas vezes é preciso fazer coisas que são desvantajosas para a saúde.

É preciso aprender como, no momento certo, colocar o dever acima do cuidado com a saúde; mas com um pouco de boa vontade, o que há que não possa ser omitido? O dever deve, em muitos casos, ser considerado mais elevado do que a saúde, muitas vezes, de fato, do que a própria vida, mas o discípulo nunca deve colocar o prazer acima destes.

O prazer, para ele, só pode ser um meio para a saúde e a vida, e a este respeito é absolutamente necessário que sejamos bastante honestos e sinceros

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conosco mesmos.

De nada adianta levar uma vida ascética enquanto ela nascer de motivos semelhantes aos que dão origem a outros prazeres.

Há algumas pessoas que encontram satisfação no ascetismo como outras no beber vinho, mas não devem imaginar que o ascetismo desse tipo as ajudará a alcançar o conhecimento superior.

Muitos atribuem às suas circunstâncias desfavoráveis tudo o que aparentemente os impede de progredir nessa direção.

Dizem que, com suas condições de vida, não podem se desenvolver.

Por outras razões, pode ser desejável para muitos mudar suas condições de vida, mas ninguém precisa fazê-lo para fins de treinamento oculto.

Para isso, é apenas necessário que se faça pela própria saúde tanto quanto se considere possível na posição que se ocupa.

Todo tipo de trabalho pode servir à humanidade inteira, e é um sinal mais seguro de grandeza na alma humana perceber claramente como

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necessário para o todo é um emprego humilde — talvez até mesmo desagradável — do que pensar: "Este trabalho não é bom

o suficiente para mim: estou destinado a algo mais." É especialmente importante para o discípulo buscar a completa saúde espiritual.

Em todo caso, uma vida emocional ou mental doentia afasta alguém do caminho para o conhecimento superior.

Os fundamentos aqui consistem em pensamento claro e calmo, concepções confiáveis e sentimentos estáveis.

Nada deveria ser mais alheio ao discípulo do que uma inclinação para uma vida caprichosa, excitável, para o nervosismo, a intoxicação e o fanatismo.

Ele deveria adquirir uma visão saudável de todas as circunstâncias da vida; deveria atravessar a vida com firmeza e deixar que as coisas atuem sobre ele e lhe falem com toda a tranquilidade.

Sempre que possível, deveria esforçar-se para fazer justiça à vida.

Tudo o que houver de unilateral ou extravagante em seus gostos e críticas deve

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ser evitado.

Se assim não for, o discípulo encalhará em um mundo de sua própria imaginação, em vez de tocar os mundos superiores, e, em lugar da verdade, suas próprias opiniões favoritas se afirmarão.

É melhor para o discípulo ser "pragmático" do que exaltado e fantasioso.

2. A segunda condição é que se sinta a si mesmo como um elo na vida geral.

Muito está incluído no cumprimento dessa condição, mas cada um só pode cumpri-la à sua própria maneira.

Se eu sou um professor e meu aluno não responde ao que se deseja dele, devo primeiro dirigir meu sentimento não contra o aluno, mas contra mim mesmo.

Devo sentir-me tão unido ao meu aluno que me pergunto: "Não será talvez culpa minha aquilo que no aluno não satisfaz minha exigência?" Em vez de dirigir meus sentimentos contra ele, devo antes refletir sobre a maneira como eu

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próprio deveria me comportar, para que o aluno possa, no futuro, satisfazer melhor minhas exigências.

De tal modo de pensar virá gradualmente uma mudança em toda a atitude mental.

Isso vale tanto para o menor quanto para o maior.

Desse ponto de vista, olho para um criminoso, por exemplo, de maneira totalmente diferente de como o teria olhado antigamente.

Suspendo meu julgamento e penso comigo mesmo: "Sou apenas um homem como ele é. Talvez a educação que, graças a circunstâncias favoráveis, foi minha, e nada mais, tenha me poupado de um destino semelhante." Posso até chegar à conclusão de que, se os professores que se deram ao trabalho comigo tivessem feito o mesmo por ele, este meu irmão teria sido bem diferente.

Refletirei sobre o fato de que algo que lhe foi negado me foi dado, e que talvez eu deva minha bondade ao fato de que ele foi

( 224 )

assim privado dela. E então não será mais difícil compreender a concepção de que sou apenas um elo no conjunto da humanidade e que, consequentemente, também eu, em parte, carrego a responsabilidade por tudo o que acontece.

Com isso não se quer dizer que tal pensamento deva ser traduzido imediatamente em ação externa.

Ele deve ser cultivado silenciosamente na alma.

Ele se expressará então gradualmente no comportamento exterior de uma pessoa, e em tais questões cada um só pode começar reformando a si mesmo. Seria inútil, de tal ponto de vista, fazer exigências gerais a toda a humanidade.

É fácil formar uma ideia do que os homens deveriam ser, mas o discípulo trabalha não na superfície, mas nas profundezas.

E, portanto, seria errado se alguém tentasse relacionar essas exigências do mestre oculto com quaisquer reivindicações externas ou políticas.

Como regra, os agitadores políticos sabem bem o que pode ser

( 225 )

exigido de outras pessoas, mas pouco dizem sobre exigências a si mesmos.

3. Agora, com isso, a terceira condição para o treinamento oculto está intimamente ligada.

O estudante deve ser capaz de realizar a ideia de que seus pensamentos e sentimentos são tão importantes para o mundo quanto suas ações.

Deve-se reconhecer que é tão pernicioso odiar um semelhante quanto golpeá-lo.

Pode-se então discernir também que, ao aperfeiçoar a si mesmo, realiza-se algo não apenas para si, mas para o mundo inteiro.

O mundo se beneficia tanto dos pensamentos e sentimentos puros de alguém quanto do seu bom comportamento, e enquanto não se puder acreditar nessa importância mundial do próprio Self interior, não se está apto para o discipulado.

Somente quando se trabalha no próprio Self interior como se ele fosse pelo menos tão importante quanto todas as coisas externas, somente então se está imbuído de uma verdadeira concepção da importância da alma.

É preciso admitir que os próprios sentimentos produzem

( 226 )

um efeito tanto quanto a ação da própria mão.

4.  Ao dizer isso, já mencionamos a quarta condição: a ideia de que o ser real do homem não reside no exterior, mas no interior.

Aquele que se considera meramente um produto do mundo exterior, um resultado do mundo físico, não pode ter êxito nesse treinamento oculto.

Mas aquele que é capaz de realizar essa concepção também é capaz de distinguir entre o dever interior e o sucesso externo.

Ele aprende a reconhecer que um não pode ser imediatamente medido pelo outro.

O estudante deve aprender por si mesmo o justo meio-termo entre o que é exigido por suas condições externas e o que ele reconhece como a conduta correta para si mesmo.

Ele não deve impor ao seu ambiente nada pelo qual este não possa ter apreciação, mas ao mesmo tempo deve estar inteiramente livre do desejo de fazer apenas o que pode ser apreciado por aqueles ao seu redor.

( 227 )

Em sua própria alma sincera e buscadora de sabedoria, e somente ali, deve ele procurar o reconhecimento de suas verdades.

Mas de seu ambiente deve aprender o máximo que puder, para que possa discernir o que aqueles ao seu redor necessitam e o que lhes é útil.

Dessa maneira, ele desenvolverá dentro de si o que é conhecido no ocultismo como o "equilíbrio espiritual". Em um dos pratos da balança repousa um coração aberto para as necessidades do mundo exterior, e no outro repousa uma fortaleza interior e uma resistência inabalável.

5.  E aqui, novamente, insinuamos a quinta condição: firmeza na execução de qualquer resolução, uma vez que tenha sido tomada.

Nada deve induzir o discípulo a desviar-se de qualquer resolução, uma vez tomada, exceto a percepção de que cometeu um erro.

Toda resolução é uma força e — mesmo que tal força não produza efeito imediato no ponto para o qual

( 228 )

foi dirigida, ainda assim ela opera à sua própria maneira.

O sucesso só tem grande importância quando uma ação surge do desejo, mas todas as ações enraizadas no desejo são inúteis em relação aos mundos superiores.

Lá, apenas o amor empregado numa ação tem importância.

Nesse amor, tudo o que impele o estudante a realizar uma ação deve estar implantado.

Assim, ele jamais se cansará de levar a cabo, repetidamente, alguma resolução na prática, mesmo que tenha falhado inúmeras vezes.

E dessa maneira ele chega à condição em que não espera primeiro pelo efeito externo de suas ações, mas se contenta com o próprio realizá-las.

Ele aprenderá a sacrificar pelo mundo as suas ações, e mais ainda, todo o seu ser, sem se importar de modo algum com a forma como o mundo possa receber o seu sacrifício.

Aquele que deseja tornar-se discípulo deve declarar-se pronto para um sacrifício, uma oferenda, como esta.

6. Uma tal condição é o desenvolvimento

( 229 )

de um sentimento de gratidão com relação a tudo o que diz respeito à Humanidade.

É preciso perceber que a própria existência é, por assim dizer, um dom do universo inteiro.

Basta considerar tudo o que é necessário para que cada um de nós receba e mantenha a sua existência! Considerai o que devemos à Natureza e aos outros homens! Aqueles que desejam um treinamento oculto devem estar inclinados a pensamentos como estes, pois quem não consegue adentrar tais pensamentos será incapaz de desenvolver dentro de si aquele amor que tudo abrange, o qual é necessário possuir antes que se possa alcançar o conhecimento superior.

Aquilo que não amamos não pode manifestar-se para nós. E toda manifestação deve encher-nos de gratidão, pois nós mesmos somos mais ricos por causa dela.

7. Todas as condições aqui expostas devem estar unidas numa sétima: encarar a vida continuamente da maneira exigida por estas condições.

O estudante torna assim possível dar à sua vida o selo da

( 230 )

uniformidade.

Todas as suas muitas modalidades de expressão serão, deste modo, harmonizadas e deixarão de se contradizer mutuamente.

E assim ele se preparará para a paz que deve alcançar durante os passos preliminares do seu treinamento.

Se uma pessoa pretende, séria e sinceramente, cumprir as condições acima mencionadas, poderá então dirigir-se a um mestre de Ocultismo.

Este último será então encontrado pronto para dar as primeiras palavras de conselho.

Qualquer formalidade externa consistirá apenas em dar a essas condições uma expressão completa, mas tais formalidades só podem ser transmitidas a cada candidato individual, e não deixam de ter o seu próprio valor, uma vez que tudo o que é interior deve manifestar-se de modo exterior.

Assim como não se pode dizer que um quadro está aqui quando existe apenas no cérebro do pintor, também não pode haver um treinamento oculto sem uma expressão externa.

( 231 )

As formas externas são consideradas sem valor apenas por aqueles que não sabem que o interno deve encontrar expressão no externo.

É verdade que é o espírito, e não a forma, o que realmente importa; mas assim como a forma é vazia sem o espírito, também o espírito permaneceria inativo enquanto não criasse uma forma.

As condições estipuladas são concebidas de modo que possam tornar o discípulo suficientemente forte para cumprir as demais exigências que o mestre deve fazer.

Se ele for falho no cumprimento dessas condições, então diante de cada nova exigência ele permanecerá hesitante.

Sem esse cumprimento, ele carecerá daquela fé no homem que lhe é necessário possuir; pois na fé no homem e num genuíno amor pelo homem, todo esforço em busca da verdade deve ser fundado.

E o amor pelo homem deve ser lentamente ampliado até tornar-se um amor por todas as criaturas viventes, e até mesmo por toda a existência.

Aquele que falhar em cumprir as condições aqui

( 232 )

dadas não possuirá um perfeito amor por toda edificação, por toda criação, nem uma tendência a abster-se de toda destruição e aniquilamento como tais.

O discípulo deve treinar-se de tal maneira que, não apenas em ações, mas também em palavras, pensamentos e sentimentos, jamais destrua qualquer coisa pelo prazer de destruir.

Deve encontrar seu prazer no aspecto de crescimento e criação das coisas, e só se justifica em auxiliar a destruição de algo quando, ao destruir, é capaz de promover uma nova vida.

Não se pense que, ao dizer isso, esteja implícito que o discípulo possa permitir o triunfo do mal, mas sim que deve esforçar-se por encontrar mesmo no mau aqueles aspectos pelos quais possa transformá-lo em bem.

Verá cada vez mais claramente que o melhor modo de combater a imperfeição e o mal é a criação do perfeito e do bom.

O estudante sabe que nada pode vir do nada, mas também que o imperfeito

( 233 )

pode ser transformado no perfeito.

Aquele que desenvolve em si a tendência a criar logo encontrará a capacidade de enfrentar o mal.

Aquele que ingressa numa escola oculta deve estar bem certo de que sua intenção é construir por meio dela, e não destruir.

O estudante deve, portanto, trazer consigo a vontade de trabalho sincero e devotado, e não o desejo de criticar e destruir.

Deve ser capaz de devoção, pois é preciso ansiar por aprender o que ainda não se sabe; deve olhar reverentemente para aquilo que se revela.

Trabalho e devoção, esses são os atributos fundamentais que devem ser exigidos do discípulo.

Alguns precisam aprender que não fazem progresso real na escola, mesmo que, em sua própria opinião, estejam incessantemente ativos; não compreenderam da maneira correta o significado do trabalho e da meditação.

O trabalho realizado em prol do sucesso será o

( 234 )

menos bem-sucedido, e o tipo de aprendizado empreendido sem meditação será o que menos fará avançar o estudante.

Somente o amor ao trabalho em si, e não ao seu fruto, somente isso traz qualquer progresso.

Se aquele que aprende busca pensamentos salutares e juízo correto, não precisa estragar sua devoção com dúvidas e suspeitas.

O fato de alguém não se opor a uma comunicação que tenha sido feita, mas dar-lhe a devida atenção e até mesmo simpatia, não implica falta de julgamento independente.

Aqueles que chegaram a um estágio um tanto avançado de conhecimento estão cientes de que devem tudo a uma atenção serena e à assimilação, e não a um julgamento pessoal obstinado.

Deve-se sempre lembrar que não se precisa aprender aquilo que já se é capaz de compreender.

Portanto, se alguém apenas deseja julgar, não pode mais aprender.

O que é importante em uma escola oculta, no entanto,

( 235 )

é o estudo: deve-se desejar, de coração e alma, ser um estudante; se alguém não consegue compreender algo, é muito melhor não julgar, para não condenar erroneamente; muito melhor esperar até mais tarde por uma verdadeira compreensão.

Quanto mais alto se sobe na escada do conhecimento, mais se necessita dessa faculdade de escuta calma e devota.

Toda percepção de verdades, toda vida e atividade no mundo do espírito, tornam-se nessas regiões superiores delicadas e sutis em comparação com as atividades da mente comum e da vida no mundo físico.

Quanto mais a esfera de atividade de um homem se amplia diante dele, mais transcendente é a natureza da tarefa a ser por ele realizada.

É por essa razão que, embora na realidade exista apenas uma opinião possível a respeito das verdades superiores, os homens chegam a vê-las de pontos de vista tão diferentes.

É possível chegar a esse único ponto de vista verdadeiro se,

( 236 )

por meio de trabalho e devoção, alguém se elevou de tal forma que pode realmente contemplar a verdade.

Somente aquele que, sem preparação suficiente, julga de acordo com ideias preconcebidas e modos habituais de pensamento, pode chegar a uma opinião que difere da verdadeira.

Assim como há apenas uma opinião correta a respeito de um problema matemático, também com relação às coisas dos mundos superiores; mas antes que se possa chegar a essa opinião, é preciso primeiro preparar-se.

Se isso fosse apenas suficientemente considerado, as condições estabelecidas pelo professor oculto não surpreenderiam ninguém.

A verdade e a vida superior residem, de fato, em cada alma humana, e é verdade que cada um pode e deve encontrá-las por si mesmo; mas elas jazem profundamente ocultas, e só podem ser trazidas à tona de seus poços profundos após a remoção de certos obstáculos.

Somente aquele que tem experiência na ciência oculta pode aconselhar como isso pode ser feito.

É um conselho

( 237 )

desse tipo que é dado pelo professor oculto.

Ele não impõe uma verdade a ninguém; não proclama dogma algum, mas aponta um caminho.

É verdade que cada um poderia encontrar esse caminho sozinho, mas talvez apenas após muitas encarnações.

Por meio desse treinamento oculto, o caminho é encurtado.

Uma pessoa, por meio dele, alcança mais rapidamente um ponto a partir do qual se torna capaz de cooperar naqueles mundos onde a salvação e a evolução do homem são auxiliadas pelo trabalho espiritual.

Assim, delineamos tanto quanto pode ser comunicado no presente sobre a obtenção do conhecimento relativo aos mundos superiores.

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